Política de austeridade de Sartori cria escola do crime mais violenta e organizada: o novo cangaço

Desde o início deste ano, o SindBancários denuncia o aumento da violência direta nas ações de criminosos em todo o Rio Grande do Sul. Bancários, vigilantes e clientes têm ficado mais expostos a uma modalidade de crime marcada por algumas dessas características fundamentais: grande quantidade de criminosos, sítio a uma cidade inteira e reféns, muitos reféns em plena rua, uso de armamento pesado e organização. Pois a modalidade que a Polícia Civil, batizou de “novo cangaço” voltou a registrar crescimento e se expandiu nos primeiros 100 dias do ano.

Com o ataque ao Banco do Brasil em Pouso Novo, no sábado, 8/4, um grupo armado com fuzis, revólveres sitiou a cidade, usou cordão humano para impor terror e controlar reação de policiais militares. Desta vez, era noite e eles explodiram caixas eletrônicos. Mas podem simplesmente atacar à luz do dia e fugir com malotes abarrotados de dinheiro vivo. Este foi o nono caso registrado até 10 de abril no levantamento realizado pelo SindBancários em 2017. O volume destes primeiros 100 dias de 2017 representa crescimento de casos de novo cangaço de 300% em relação ao mesmo período do ano passado, quando ocorreram três.

Outro dado alarmente refere-se ao número de agências bancárias atacadas no período. O crescimento foi ainda maior. Se em 2016, nos quatro primeiro meses do ano (considerando abril até o dia 10), cinco agências foram alvo do novo cangaço, em 2017, esse volume passou a 16. O crescimento é de 320%. Isso indica que há uma especialização das quadrilhas. Com um volume que cresceu um pouco menos, há mais agências envolvidas em violência direta para um volume proporcionalmente inferior.

“Temos denunciado que, apesar da queda do número de ataques a bancos, a violência direta aumentou muito no Rio Grade do Sul. De acordo com os estudos e as observações que fazemos, o novo cangaço cresceu bastante. Trata-se de uma modalidade de crime que parece ser uma escalada. O criminoso começa abrindo caixa eletrônico com maçarico, passa para o explosivo e depois para a quadrilha que faz refém e sitia cidades”, detalha Gimenis.

De fato, podemos dizer que há uma correlação evidente entre o volume de ataques a bancos, a violência empregada, a ousadia das quadrilhas, além da vulnerabilidade das cidades que são alvo das quadrilhas. Isso porque, o número global de ataques a bancos caiu vertiginosamente de 2016 para 2017, considerando os primeiros 100 dias de cada ano. Até 10 de abril de 2016, o levantamento do SindBancários havia registrado 80 ataques a bancos. Este ano, foram 44. O problema é que o volume de assaltos praticamente se manteve: foram 28 em 2016 contra 27 em 2017.

“Proporcionalmente o número de assaltos cresceu de um ano para outro. O que assusta é que podemos dizer que o volume de ataques com uso de maçarico e explosivos diminuiu, mas o de assaltos continuou o mesmo. Isso demonstra que não houve uma política de segurança pública eficiente e capaz de conter a violência bancária e que os assaltantes se organizaram e aprenderam. Ao contrário, cortar combustível de viatura, horas extras de policiais militares ampliou a noção de impunidade e fez aumentar, de forma muito preocupante, o número de ataques da forma mais violenta: quando uma cidade inteira é sitiada”, acrescentou Gimenis.

É fato. Apesar do número de ataques a bancos ter caído 55% (de 80 para 44) de um ano para outro, há mais planejamento, organização e uma atmosfera de redução de estrutura de segurança que favorece o encontro de muitos criminosos para atacar de forma simultânea mais agências bancárias. Houve também redução de investimentos em outras áreas, com educação, cultura, além de o volume de desemprego ter aumentado. Se a política de austeridade, de cortes, de falar de crise, de parcelamento de salários e de saída das dificuldades com venda de empresas públicas repetida à exaustão pelo governador José Ivo Sartori já havia feito dos últimos dois anos (2014 e 2015) os mais violentos contra bancários, vigilenate e clientes dos bancos, este ano, os criminosos aprenderam a se organizar e levar mais medo ainda aos gaúchos. Sinal de que cortar investimento público, ao menos no caso dos bancos, cria uma escola do crime. No caso: uma nova escola, o novo cangaço.

Casos de novo cangaço em 2017

Abril

Dia 3: Banrisul (Mapituba). Mais de dez assaltantes arrombam cofre com explosivos, trocam tiros com BM, jogam miguelitos na pista e fogem.

Dia 8: Banco Brasil (Pouso Novo). Criminosos usam cordão humano para explodir agência em mais um caso de “novo cangaço”

Março

Dia 8: Banrisul e BB (Fontoura Xavier). Criminosos armados e treinados usam cordão humano como refém ao atacarem duas agências. Mais um caso de Novo Cangaço.

Fevereiro

Dia 1: Banco do Brasil, Banrisul e Cooperativa (Maximiliano de Almeida). Quadrilha sitia cidade para             assaltar 3 bancos. Novo Cangaço.

Dia 6: Sicredi e Banrisul (Miraguaí). Novo Cangaço. Oito assaltantes. Explosão duas agências de tarde, tiros, escudo humano, PM refém (depois libertado) e viatura da BM incendiada.

Dia 25: Banco do Brasil e Banrisul (Progresso). Roubo em caixas eletrônicos com reféns de       madrugada.

Janeiro

Dia 9: Banrisul e Sicredi (Putinga).Ataque a tarde, 15 criminosos com fuzis. Reféns, pânico na cidade. Fuga.

Dia 17: BB e Banrisul (Parobé). Grupo armado. Madrugada. Uso de explosivos, tiros contra a BM.  Roubo e fuga.

Dia 27: Banrisul (Redentora). Quadrilha com fuzis, escudos humanos. Terror. Fuga com malotes de dinheiro.

Casos de Novo Cangaço em 2016

Março

Dia 15: Banrisul (S. Teresa). Ladrões assaltam agência, fazem reféns e escudo humano, libertam e fogem.

Dia 21: Banrisul e Sicredi (S. Pedro da Serra). Assalto a banco com bancários e clientes reféns.

Abril

Dia 12: BB e Sicredi (N. Roma do Sul). Ataques em sequência. Bando armado levou dinheiro e coletes.

 

Levantamento do SindBancários desde maio de 2016

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2017/04/10042017.pdf

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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