Plenária permanente convoca para virada na PEC 280

Reunião virtual dos(as) Banrisulenses chama à participação para carreata estadual, mobilização nas redes e conversas com deputados para mudar os rumos da votação do primeiro turno que deu vitória apertada e suspeita à retirada do plebiscito da Constituição Estadual

Se tem algo que sempre se aprende quando se luta por direitos na véspera do Dia do Trabalhador é que a luta sempre vale a pena. Pois foi com esse espírito guerreiro que a os(as) bancários(as) iniciaram uma jornada rumo à virada na Assembleia Legislativa para evitar que a PEC 280/2019 seja aprovada em segundo turno e que Banrisul, Procergs e Corsan fiquem na berlinda da privatização.

A além de organizar a resistência estadual à venda do Banrisul, a plenária da sexta-feira, 30/4, tomou a seguintes decisões.

1) A plenária é permanente e será convocada para novas resoluções a qualquer momento.

2) Ainda nesta semana, os Sindicatos de Bancários de todo o Estado realizarão uma carreata estadual.

3) Todo(a) Banrisulense está convocado a participar em suas redes sociais pessoais de todo o chamado que a Fetrafi-RS e seus sindicatos farão para uma mobilização total de pressão para que os deputados estaduais tomem consciência e se deem conta da importância do Banrisul, Procergs e Corsan públicos nas vidas do povo gaúcho.

Lembrando que, na terça-feira, 27/4, a PEC 280/2019, de autoria do deputado estadual Sergio Turra (PP), foi aprovada por 33 votos a 19 em primeiro turno. Mas um grupo de deputados de oposição entrou com um pedido de anulação da sessão.

O segundo turno regimentalmente precisa esperar três sessões para ocorrer. Uma das datas possíveis é a terça-feira, 11 de maio.

Isso porque, os votos de dois deputados ficaram sob suspeita. Um dos votos é do deputado estadual Neri o Carteiro. Ele não estaria presente na sessão híbrida (parte remota e parte com presença de deputados no plenário) e, portanto, não teria votado.

Mas seu voto foi computado pela presidência da mesa como favorável à base do governo Leite na Assembleia Legislativa, quer dizer, voto favorável à PEC 280, registrado como NÃO.

O governador Eduardo Leite, aliás, teve que fazer concessões graves para conseguir os 33 votos necessários para formar três quintos dos deputados e aprovar a PEC 280.

Na manhã da terça passada, Leite anunciou que a bandeira preta estava sendo rebaixada para vermelha para atender às reivindicações de deputados do partido Novo a respeito da volta às aulas presenciais no estado.

O outro voto reivindicado pela oposição como suspeito foi o do deputado Dirceu Franciscon (PTB). Ele votou NÃO em plenário, mas seu voto foi computado como SIM.

“Tivemos um golpe do atual governador Leite. Ao se eleger, ele ganhou voto das comunidades de empresas estatais porque falava que não ia privatizar”

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banrisul, Ana Maria Betim Furquim, disse na plenária que chegou a reunir cerca de 500 pessoas na sexta-feira, 30/4, lembrou das promessas do governador Eduardo Leite e do não cumprimento da palavra empenhada com as comunidades de trabalhadores do Banrisul, da Procergs e da Corsan.

“Tivemos um golpe do atual governador Leite. Ao se eleger, ele ganhou voto das comunidades de empresas estatais porque falava que não ia privatizar. Chamamos isso de um golpe eleitoreiro. Leite traz de volta a ideologia privatista do Britto. O governo não saiu vitorioso no primeiro turno. Ainda estamos discutindo dois votos”, salientou Ana Maria.

Para o diretor da Fetrafi-RS e também funcionário do Banrisul, Sergio Hoff, o governo Leite, depois das promessas não cumpridas ainda quer escolher o que fazer com as empresas públicas ao retirar o plebiscito da Constituição Estadual.

“Como é que se tira um poder que foi concedido ao povo? Com a retirada do plebiscito. O governo quer um cheque em branco. A qualquer hora ele vai lá e vende. Quem fala em vender a Corsan, não vai ter pudor nenhum em vender o Banrisul”, afirmou Sergio.

“Tivemos uma baita de uma vitória na votação”

O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, exaltou a importância da estratégia de ir conversar com os deputados estaduais para mudar votos. Ele lembrou que os trabalhadores, representados por partidos de esquerda e centro-esquerda (PT, PDT, PSB, PSOL) tinham 13 votos quando o processo começou no primeiro turno. Conquistaram mais seis.

“A gente teve uma baita de uma vitória na votação. A configuração da Assembleia é muito governista. É tão açodado e extemporâneo o debate sobre esta PEC da forma que está sendo feito que nós, dialogando com a sociedade, com a Famurs, com os vereadores das câmaras municipais pelo estado, conseguimos um monte de moções a favor das empresas públicas”, comemorou Luciano.

Segundo ele, a hora é de seguir conversando com os deputados sem olhar a cor partidária. “Temos votos no PSB, no PL, no DEM, no PSL. Não é hora de partidarizar o debate. Porque a preocupação com o futuro do Rio Grande do Sul e o compromisso com a palavra não têm partido nem ideologia. É ética e moral. A PEC 280 é um crime. É um retrocesso do movimento democrático que construímos no Brasil e no Rio Grande”, discursou Luciano.

Para Luciano, chegou a hora de os(as) bancários(as) exaltarem a história de lutas e caminhar na direção de mais uma virada de jogo histórica. “O Leite quer jogar para os deputados a responsabilidade pelas mentiras que ele contou. Estamos muito próximos de virar esse jogo. Temos todas as condições de nos organizarmos, nos mobilizarmos mais e colocarmos em prática ferramentas que virem esse jogo”, disse Luciano.

“Nunca foi tão fácil ser governo”, diz deputado federal do PSB

Ele começou a falar na plenária virtual dos(as) bancários(as) dizendo que é a favor das empresas públicas. Sempre as defendeu e que está sendo discutido dentro do PSB a atitude de dois de seus deputados estaduais votarem a favor da PEC 280/2019.

O deputado Heitor Schuch fez questão de exaltar a luta dos(as) banrisulenses em defesa do banco dos gaúchos público, se colocou à disposição, sugeriu que a resistência fosse “bater na porta da casa” de cada um dos deputados para virar voto e associou a pandemia ao apuro para a entrega de empresas públicas, literalmente, “passar a boiada”.

“Nunca foi tão fácil ser governo. Não pode aglomerar, não pode ter carro de som na porta do palácio. E isso nos deixa entristecidos. Sou contra privatizar, Corsan, Correios, Banrisul, empresas que estão fazendo uma função social que desenvolveram o Brasil. Eu fui eleito para mexer na constituição? Essa é uma pergunta que nossos deputados estaduais deveriam se fazer”, avaliou Schuch.

Fonte: Imprensa SindBancários

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