Plenária das Centrais sindicais define mobilização permanente contra Reforma da Previdência a partir da segunda, 19/2

Os punhos cerrados para o alto e a palavra de ordem do momento marcaram o fim, no final da manhã da sexta-feira, 16/2, da Plenária das Centrais Sindicais, no Auditório da Casa dos Bancários. Aos gritos de “Se botar para votar, o Brasil vai parar”, dirigentes sindicais deram a largada para uma jornada de mobilizações que promete mobilizar o povo brasileiro contra a Reforma da Previdência e combater o golpe o Ilegítimo Michel Temer e sua turma usaram como ferramenta para acabar com direitos dos trabalhadores. E essa jornada de mobilização tem data de abertura marcada. Os trabalhadores irão madrugar, na segunda-feira, 19/2, para combater a Reforma da Previdência que tem como cúmplices os banqueiros com suas mãos leves e garras afiadas. A partir das 5h da manhã, a concentração será em frente ao Monumento do Laçador, próximo ao Aeroporto Salgado Filho. A plenária encaminhou um estado de mobilização permanente e o início, diante da incerteza da votação da Reforma da Previdência, e um encerramento no primeiro dia com um Ato em Defesa da Aposentadoria, às 17h, na Esquina Democrática.

De lá, os trabalhadores marcharão até a Rodoviária. A previsão é chegar no terminal intermunicipal de ônibus às 7h. A seguir, mais um trecho de marcha: até a Travessa Cinco de Paus, no Centro onde fica a sede do INSS em Porto Alegre. Às 17h, está marcado o início da concentração de um grande Ato em Defesa da Aposentadoria na Esquina Democrática. O Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, na verdade, não tem dia nem hora para acabar e pode iniciar uma jornada de luta que desaguará numa grande greve geral em defesa dos direitos e pela restauração daquilo que as reformas de Temer tiraram da gente.

Logo no início da plenária, o secretário-geral adjunto da CUT-RS, Amarildo Cenci, apontou o contexto que vai guiar as lutas dos trabalhadores contra a maldita Reforma da Previdência de Temer que tem os banqueiros como aliados e, como sócios no golpe, deputados federais da base do governo ilegítimo. “Estamos diante de um cenário incerto. O governo não sabe se vai votar no dia 19 ou se vai para o dia 28. A Reforma da Previdência pode ser votada a qualquer momento. Por isso temos que manter a nossa mobilização e fazer da segunda-feira, 19/2, o início de uma jornada de luta permanente”, avaliou Amarildo.

Tuiuti e narrativa

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, usou um tom de mobilização e aposta no esclarecimento para argumentar em favor de uma luta permanente contra o golpe. A imagem do desfile da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, vice-campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, e a crítica que o samba-enredo faz à política de ajuste fiscal, comparando Temer a um vampiro, rompeu um bloqueio que as grandes redes de comunicação decretaram às críticas às prejudiciais reformas para os trabalhadores. “A Tuiuti fez bastante para ajudar a desmanchar o golpe. Mais do que nós todos juntos. E ajudou muito o povo a compreender que eles vieram dar um golpe na gente. O governo e os deputados da base estão com medo de votar a Reforma da Previdência”, destacou Claudir.

Segundo o presidente da CUT-RS, as centrais sindicais, os sindicatos desempenharam um papel crucial para desmanchar a narrativa favorável à Reforma da Previdência nas grandes redes de comunicação. “Nós ganhamos o debate na sociedade. Mesmo essa nova versão é péssima. O tempo de contribuição e a idade mínima permanecem o mesmo. E fica muito pior para o trabalhador rural. O agricultor tem que apresentar nota fiscal todo o mês para provar que trabalhou. Se ele não vendeu nada num mês do ano, não conta como tempo de aposentadoria”, explicou Claudir.

Compraram as reformas

Desde a Reforma Trabalhista, aprovada em julho do ano passado na Câmara dos Deputados, a prática do governo Temer é disfarçar a compra de votos. Chamar de liberação de dinheiro das emendas de deputados federais aquilo que todos sabem que é comprar votos de deputados federais, ficou mais evidente com o investimento do governo federal em propaganda em favor da Reforma da Previdência. Esse foi o ponto que o presidente da CTB, Guiomar Vidor, abordou na sua intervenção durante a plenária das centrais. “O que existe é uma resistência muito grande na sociedade à Reforma da Previdência. Nem os R$ 120 milhões que o governo gastou na propaganda conseguiram reverter isso. É o momento de intensificar a luta contra a Reforma da Previdência”, exaltou Guiomar.

Causando confusão

A abordagem do presidente da Nova Central, Oniro Camilo, soou como um alerta no auditório da Casa dos Bancários. O dirigente chamou a atenção para a estratégia do governo Temer de causar confusão a respeito da intenção da Reforma da Previdência, vendê-la como modernização das relações de trabalho e capaz de pôr fim a um déficit histórico. Essa imagem de salvador das aposentadorias não cabe em Temer. A que melhor lhe representa é a de vampiro. “O Temer está usando a grande mídia e colocando dúvida na cabeça das pessoas. Mas há uma reflexão contrária a esta visão do Temer desde que a Paraíso do Tuiuti fez aquele desfile no Carnaval do Rio de Janeiro. Não é mais só o movimento sindical e o movimento sindical alertando. As pessoas se deram conta do golpe”, afirmou Oniro, que defendeu um apagão geral no país se a Reforma da Previdência for aprovada.

Sem tempo para uma piscada

A tese do vice-presidente da UGT, Cícero Pereira da Silva, é de que a vitória dos trabalhadores na queda de braço contra os golpistas de Temer está muito próxima, mas exige cautela. “Estamos perto de ganhar esta batalha, mas não dá para dar uma piscada com estes golpistas.”

Intervenção no Rio e golpe

Não se trata de teoria da conspiração, argumento muito utilizado por coxinhas quando se evoca alguma responsabilidade de governos por certas decisões que afetam todo mundo. Por isso não se pode dizer que é obra do acaso a intervenção que Temer decretou no Rio de Janeiro. Saque em supermercados, algo frequente no Rio, assim como arrastões, atrapalhariam os plano de Temer mais do que uma faixa de conteúdo político na Rocinha, avisando que o morro vai descer se o golpe continuar? Ou Temer literalmente teme manifestação duras dos pobres se a Reforma da Previdência passar?

Digamos que cercar o Rio de Janeiro com militares e transferir o comando da Polícia Civil, da Polícia Militar e dos Bombeiros para um coronel do Exército tem muitos pretextos, e a Reforma da Previdência é um deles. “Sabemos que este é um período difícil depois do Carnaval, porque também é de férias. Esta intervenção do governo federal no Rio de Janeiro tem muito peso neste momento. Precisamos acelerar a unidade e fortalecer a resistência”, ensina o coordenador estadual da CSP-Conlutas, Érico Corrêa.

Mobilizar o povo

É fato que a Reforma Trabalhista somente agora começa a mostrar a sua horrenda face. É fato também que boa parte do povo trabalhador não acreditou quando os sindicatos começaram a alertar para um golpe que veio para varrer direitos e levar parte da renda dos trabalhadores para estados pagarem dívidas públicas com bancos privados, o que os regimes de recuperação fiscais, elaborados pelo banqueiro Henrique Meirelles, ministro da Fazenda de Temer, o comprovam. A coordenadora da Assufrgs e militante da Intersindical, Márcia Tavares, conectou esse contexto socioeconômico à necessidade de manter uma agenda de mobilização permanente. “Nossa proposta é que o dia 19 seja um esquenta para o dia 28, que será um esquenta para o dia 8 de março. A Reforma da Previdência mobiliza a população, mas também tem a Reforma Trabalhista. Se a gente não mobiliza todo o povo agora, estaremos caindo no erro de a população pensar que o golpe se resumiu aos ataques aos trabalhadores quando ele afetou todo o povo”, explicou.

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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