Planos de venda do HSBC podem incluir fatiamento de áreas

A compra do HSBC pelo Bradesco, que tem aparecido como o principal interessado em adquirir o banco britânico no Brasil, tem até o começo de agosto para ser fechada. Conforme matéria da Folha de S. Paulo, se até lá não houver acordo, o Santander, que também se mostra interessado em adquirir os ativos do HSBC, volta ao páreo. Segundo os analistas, pode surgir ainda uma proposta do Itaú. Não está descartada a venda em separado de áreas como a seguradora e a financeira.

O banco com sede em Londres é o sexto colocado no ranking brasileiro, e sua compra representaria levar de uma só vez 2,3% de um mercado liderado pelo Banco do Brasil, cuja fatia é de 20%. Com uma rede de 853 agências, uma carteira de clientes de alta renda e receitas de R$ 10,6 bilhões no ano passado, o banco pode ser vendido por um valor entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, segundo cálculos do Credit Suisse. O aspecto irônico da situação é que o banco, alvo de disputa entre as grandes instituições financeiras, foi colocado à venda pela matriz em Londres porque tem dificuldades de crescer.

Fatiamento

A meta do Goldman Sachs, contratado pelo HSBC para fazer a venda, é concluir o processo até o início de agosto, mas o prazo pode se estender. Se tudo der errado, profissionais ligados ao HSBC dizem que as áreas de negócio, como a seguradora e a financeira, podem ser vendidas separadamente.

Escândalo

Mas a par dos interesses e estratégias das grandes instituições bancárias, o fato é que o HSBC sofreu desgaste por seu envolvimento no escândalo mundial chamado de SwissLeaks. A Receita Federal brasileira continua investigando a situação dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça, com fins de evasão e sonegação fiscal. Na lista, aparecem donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas da Globo, SBT, Rede TV, Record, Editora Abril, entre outras.

Reclamações

 Enquanto o banco agiliza suas operações para venda dos ativos brasileiros, tem crescido nos últimos meses, por outro lado, a lista de reclamações de clientes. Em junho o banco britânico foi também o líder de reclamações no ranking elaborado pelo Banco Central, com 111 queixas. Foram verificados indícios de descumprimento de lei ou regulamentação, tendo apresentado índice de 10,84 – resultado do número de reclamações reguladas procedentes dividido pelo número de clientes e multiplicado por 1.000.000.

Defesa dos funcionários

Com um total superior a 20 mil funcionários no país, o processo do HSBC no RS – especialmente a situação dos trabalhadores – tem sido acompanhado com atenção pelo SindBancários e a Fetrafi-RS. O Sindicato reitera que os problemas do HSBC não são da responsabilidade dos bancários. “Estamos preocupados com a defesa dos empregos em uma possível passagem dos ativos para outro banco. Voltamos a dizer que os bancários não têm nenhuma culpa ou responsabilidade por esta crise. Pelo contrário. São os colegas do HSBC que têm garantido os negócios e a dignidade de todo o banco”, avaliou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

“Avisamos aos colegas do HSBC na área de atuação do SindBancários que entrem em contato conosco em caso de denúncia de assédio moral ou algum tipo de irregularidade no ambiente de trabalho. O Sindicato está atento e pronto para ajudar”, diz o diretor do SindBancários e funcionário do HSBC, José Orlando Ribeiro.

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