“Pibinho” que cresceu 0,4% no trimestre expõe fragilidade do governo Bolsonaro

Brasil tem imagem prejudicada com Amazônia, PIB minúsculo, vagas de trabalho eliminadas mas lucros dos bancos não param de crescer

Trágico ou cômico? Como classificar com precisão a euforia de Bolsonaro e da grande mídia ao noticiar o “crescimento” de 0,4% no segundo trimestre deste ano e de seu governo? O número, somado ao desempenho do seu primeiro trimestre, chega a míseros 0,7% no semestre. Não se deve desprezar qualquer sinal – mesmo que mísero – de recuperação da economia. Mas 0,4%, tecnicamente, nem chega a ser uma recuperação visível e sustentável. No máximo é um sinal de fumaça (se não for das queimadas na Amazônia).

Só para efeitos de comparação com os governos do tão odiado Lula, os primeiros semestres do primeiro e do segundo governo do petista (2003 e 2007) cresceram, respectivamente, 1,7% e 5,9%. E o primeiro semestre de Dilma (2011) cresceu nada menos que 4,9% (no segundo mandato da presidenta – já sob a crise e o boicote deflagrado pelo PSDB e que uniu Congresso, Mídia, Judiciário, etc – o número do PIB desabou para menos 2,2%). Já o primeiro semestre do traíra Temer foi semelhante ao de Bolsonaro, com 0,4%. Todos números são do insuspeito IBGE.

E os bancários com tudo isso?

Para quem não sabe, a gente informa: o setor bancário eliminou 2.079 postos de trabalho entre janeiro e maio deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) compilados pelo Ministério da Economia. Isso apesar dos bancos terem lucrado nada menos que R$ 85,9 bilhões no ano passado.

Desprezo à ajuda estrangeira

Sobre o presidente, vale lembrar que Bolsonaro vem enfiando os pés pelas mãos na política externa, recusando ajuda da Europa para combater as queimadas na Amazônia (desprezou recursos já garantidos da Alemanha e Noruega para o chamado Fundo Amazônia, no valor de R$ 14, 717 milhões). Agora recusou, em princípio, cerca de 20 milhões de dólares oferecidos a fundo perdido pelo G 7, além de ter fragilizado a relação brasileira com a França e outros países europeus.

Aprovação popular murchou

A imagem de um navio sem rumo, que gira sobre si mesmo e eventualmente anda de ré num mar encapelado, se encaixa no governo Bolsonaro também na avaliação popular. Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e divulgada no último dia 26/08, nãodeixa dúvidas. De fevereiro para agosto, o índice de desaprovação de Bolsonaro pulou de 28,2% para 53,7%, da população ouvida. No início do ano, 57,5% diziam aprovar o desempenho do presidente, mas esse índice caiu para 41%. Não quiseram ou não souberam responder 5,3% dos entrevistados.

Armas e embaixada

Pegaram muito mal, na avaliação da maioria dos brasileiros e brasileiros entrevistados, o decreto sobre liberação de venda e porte de armas – que parece responder a promessas de campanha de Bolsonaro à indústra armamentista (morra quem morrer) – e a indicação do filho Eduardo para a Embaixada em Washington. Uma nomemação escandalosa, que passou por cima da tradição e da carreira diplomática oficial, passando ao largo do Itamaraty e demonstrando ignorância e total desrespeito ao exigente Instituto Rio Branco, de onde desde 1945 são formados e saem os grandes diplomatas do Brasil.

Expectativa dá ré

Voltando a área econômica, por baixo do pano o atual desgoverno rebaixou suas expectativas e agora reza para que o crescimento do PIB em 2019 fique em torno de 0,8%. É o mesmo patamar hoje esperado pelo mercado financeiro – que começou o ano, eufórico, com uma previsão acima dos 2%, segundo o Relatório Focus do Banco Central.

Já o lucro dos bancos… bem, estes não param de crescer. Queime o que queimar, doa a quem doer.

Texto: José Antônio Silva/Redação

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