Pessoas LGBTQIA+ são invisibilizadas no mundo do trabalho, aponta live da CUT-RS

Os locais de trabalho não refletem a realidade da diversidade e pessoas LGBTQIA+ ainda são invisibilizadas. Foi o que revelou a live da CUT-RS sobre “a luta LGBTQIA+ no mundo do trabalho”, realizada na noite desta quinta-feira (30), fechando a programação de junho, o mês que comemora o Orgulho LGBTQIA+.

A iniciativa foi do Coletivo Estadual LGBTQIA+ e contou com a participação do presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, e a mediação do diretor de Organização Sindical do Sinpro-RS, Erlon Schüler.

Também participaram a secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, Isis Garcia, o diretor do SindBancários, Sandro Rodrigues, a diretora do Sintrajufe-RS, Luciana Krumenauer Silva, a conselheira da ADUFRGS, Luciana Nunes, e o professor Caio Escouto.

A live foi transmitida através da CUT Rio Grande do Sul e da CUT Brasil no Facebook, com publicação cruzada nas páginas de sindicatos, federações e movimentos sociais, dentre outras parcerias.

Luta civilizatória e humanista

A pauta LGBTQIA+ entrou em 2022 pela primeira vez na agenda da CUT-RS. “É uma alegria nesse mês a gente poder inaugurar uma história que vai ser construída com todos, todas e todes dentro da CUT-RS. Que a gente construa no Brasil e no mundo essa luta, que é uma luta civilizatória e humanista. Essa é uma luta que a classe trabalhadora tem que assumir como de toda a classe. A emancipação dos trabalhadores e das trabalhadoras implica em incorporar essa pauta”, afirmou o presidente da CUT-RS.

Para Erlon, “essa é uma noite muito especial. É mês do orgulho LGBTQIA+ e a CUT-RS desenvolveu esse painel. Uma conversa para nos apoiarmos, ajudarmos e estarmos na luta, porque é na luta que a gente muda as coisas. Quero saudar a direção da CUT-RS que oportunizou esse momento histórico. É a primeira vez que temos um coletivo, debatendo nossa realidade e construindo ações”, destacou.

A bancária e secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS apresentou uma pesquisa desenvolvida pelo SindBancários junto com o DIEESE sobre a realidade dos bancários e das bancárias. Segundo os dados apurados, apenas 13,1% se declararam negros, 4,5% se declaram homens gays, 1,9% se declararam bissexuais e 0,6% se declararam mulheres lésbicas, destacou Isis.

CUT e LGBT (2)

Orientação sexual nada tem a ver com competência no trabalho

A professora e conselheira da ADUFRGS relatou a sua experiência enquanto mulher lésbica, apontando que viu mudanças nos últimos anos, mas ainda é preciso avançar. “Sou uma mulher lésbica assumida desde muito jovem. Há bastante tempo que levanto essa bandeira. Estou muito na sala de aula e utilizo bastante desse momento. Nós precisamos fomentar a nossa luta. Ainda temos muito a melhorar. Uma pessoa não pode ser contratada ou não contratada por conta da sua orientação sexual. Isso não tem nada a ver com a sua competência para o trabalho. Nossa orientação sexual é apenas mais uma das nossas características”, explicou Luciana Nunes.

O diretor de Diversidade e Combate ao Racismo do SindBancários lamentou a opressão que sofre a população LGBTQIA+ no mundo de trabalho. “As pessoas precisam seguir um padrão heteronormativo para conseguir se estabilizar nesse mercado. Mesmo com uma melhora significativa, com aumento da conscientização social, muitas pessoas ainda sofrem com essa realidade. Conforme Sandro, “61% das pessoas LGBTQIA+ preferem esconder sua orientação sexual dos seus colegas e gestores do trabalho por receio de represálias e demissões”.

“Temos que cuidar dos nossos direitos”

A diretora de Administração, Finanças e Patrimônio do Sintrajufe-RS frisou a importância de prestar atenção aos direitos da população LGBTQIA+. “As leis são asseguradas pela justiça. Então, a gente tem que estar sempre de olho nisso. Temos que estar cuidando nossos direitos, temos que estar sempre lutando por eles. Eu sou uma mulher bissexual e sempre me coloco assim”, disse Luciana Silva.

O professor, pesquisador do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT) e integrante do Laboratório de Estudos de Gênero, Educação e Sexualidades (LEGESEX) da UFRJ trouxe sua experiência enquanto homem trans branco. “Dentro do termo trans cabe uma infinidade de possibilidades, de vivências, de diversidade. Nós somos diversos. Quando decidi iniciar minha transição, estando em sala de aula, eu fiquei com bastante medo de ser demitido”, contou.

Assista à transmissão da live

 

Fonte: CUT-RS

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