Pesquisa da USP mostra como Bolsonaro agiu para disseminar Covid-19

Reportagem do jornal El País, baseada em minucioso estudo da USP, revela restrições e ataques do presidente às medidas de prevenção à epidemia

Baseado em estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP), “Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasil”, da USP, o jornal El País/Brasil revela como o governo Bolsonaro agiu para disseminar o vírus entre a população. Assinada pela jornalista e escritora gaúcha Eliane Brum, a reportagem jornalística teve acesso a um levantamento feito por especialistas da USP, que detalha, de forma cronológica, a estratégia do governo para sabotar o combate ao surto no país.

O relatório ‘Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasil’ aponta que Bolsonaro agiu por meio de normas, atos de restrição da capacidade de resposta de estados e municípios à pandemia, além da pura e simples propaganda contra a saúde pública.

Pesquisadores da USP

A presidenta do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann já anunciou que sua bancada vai propor “convidar os pesquisadores da USP a apresentarem os resultados da pesquisa à Comissão Mista Especial do Congresso – Covid-19 e a todos os parlamentares interessados”. Ela acrescenta que que o trabalho desenvolvido pela Universidade de São Paulo  já foi levado em conta no último pedido de impeachment apresentado pela oposição.

Mortes irão aumentar

“A continuar a decisão política de Bolsonaro de não garantir vacina e não coordenar ações de enfrentamento, as mortes vão aumentar significativamente, pois o Brasil tem a pior crise sanitária do mundo”, alerta Gleisi, que recebeu um relato do ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro, sobre o quadro sanitário do país.

“A análise do desastre sanitário, feita por Chioro, corrobora o que foi divulgado ontem através de pesquisa do Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário da USP: existe uma estratégia institucional de Bolsonaro de propagação do coronavírus. Um Crime doloso, cristalino para o impeachment”, observa a líder petista.

Resoluções, medidas, portarias

 A equipe que conduziu a pesquisa debruçou-se sobre portarias, medidas provisórias, resoluções, instruções normativas, leis, decisões e decretos do governo, além das falas públicas do presidente. O resultado é um “mapa que fez do Brasil um dos países mais afetados pela covid-19 e, ao contrário de outras nações do mundo, ainda sem uma campanha de vacinação com cronograma confiável”, destaca o El País.

O estudo foi coordenado pelo Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário (CEPEDISA) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) e a entidade Conectas Direitos Humanos.

Segundo a reportagem de Eliane Brum, “é razoável afirmar que muitas pessoas teriam hoje suas mães, pais, irmãos e filhos vivos caso não houvesse um projeto institucional do governo brasileiro para a disseminação da covid-19“.

Massacre de minorias

Ainda segundo a reportagem, Bolsonaro promoveu um verdadeiro massacre, especialmente das minorias. “Além dos povos indígenas, a quem Bolsonaro nega até mesmo água potável, há uma série de medidas tomadas para impedir que os trabalhadores possam se proteger da covid-19 e fazer isolamento”, observa a colunista.

Para fazer a pesquisa, coordenada pela jurista Deisy Ventura, foram compilados dados selecionados junto ao projeto Direitos na Pandemia, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal de Contas da União, além de documentos e discursos oficiais.

O resultado é estarrecedor: “A maioria das mortes seriam evitáveis por meio de uma estratégia de contenção da doença, o que constitui uma violação sem precedentes do direito à vida e do direito à saúde dos brasileiros”, ressalta a pesquisa.

Crimes de responsabilidade

O relatório também chama a atenção sobre “a urgência de discutir com profundidade a configuração de crimes contra a saúde pública, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade durante a pandemia de Covid-19 no Brasil”.

Fonte: Jornal El País, com USP, CUT Nacional e Edição de Imprensa SindBancários. Foto: CUT Nacional.

 

 

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