Pelo fim do assédio moral, protesto em frente à Superintendência chama para o Encontro dos Banrisulenses

Pressionados, sobrecarregados e adoecidos. Essa é a realidade atual de muitos bancários e bancárias do Banrisul, que vêm sofrendo com uma política de desmonte que afeta não somente os trabalhadores como a população geral. Na manhã desta sexta-feira, 24, dirigentes do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região – SindBancários reuniram-se na Superintendência Regional (Sureg) do Banrisul, em frente ao Parcão, para protestar contra o assédio institucional praticado nas agências e unidades do banco.

O ato abre a semana de mobilizações para o Encontro Nacional dos Banrisulenses, que acontece no dia 2 de julho, de forma virtual. Presente no protesto, o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, afirmou que os banrisulenses exigem concurso público já, fim das metas abusivas e respeito pelo seu trabalho. De acordo com o dirigente, os bancários não aguentam mais a pressão e o processo de adoecimento que têm vivido ao longo dos últimos tempos.

“Estamos entrando em mais uma campanha salarial da categoria bancária e, mais uma vez, a pauta principal no Banrisul é o assédio moral, excesso de metas abusivas e falta de concurso público. Essa gestão não fez concurso e já reduziu o número de bancários e bancárias empregadas em quase três mil pessoas. Isso reflete em sobrecarga de trabalho, em problemas no atendimento e em precarização, tanto para os trabalhadores quanto para os clientes”, afirma Luciano.

CLIMA DE ASSÉDIO E PERSEGUIÇÃO ADOECE OS TRABALHADORES

Os dirigentes sindicais alertam que o assédio institucional praticado no Banrisul gera um clima de medo e perseguição no ambiente de trabalho. A diretora do SindBancários Ana Guimaraens conta que a entidade vem recebendo relatos sobre diferentes formas de assédio e coação aos funcionários, sendo uma delas uma ata para registrar condutas que possam prejudicar o empregado(a). Segundo Ana, pelos relatos da Superintendência, esse procedimento não é permitido e não consta em normativo nenhum do banco: “à revelia, tem gerentes que têm usado a ata para constranger os colegas e preparar os processos administrativos para posterior demissão. É uma ferramenta criada dentro das agências, da cabeça de gestores, como uma forma de coação, de total desrespeito e desconsideração com o profissional”.

“Essa que chamamos de ata da humilhação funciona da seguinte forma: chamam o(a) funcionário(a) para uma reunião e apresentam uma série de situações em que ele(ela) não agiu exatamente como eles queriam, infantilizando a relação de trabalho, como se os funcionários não soubessem suas atribuições e precisassem ser tratados como crianças. Cobram coisas como ‘aquele dia tu não atendeu direito’, ‘no outro dia tu fez tal coisa, mas não era assim que tinha que ser feito’; um total desrespeito à capacidade funcional dos colegas”, conta a dirigente.

EFEITO DOMINÓ

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, destacou que o assédio forte em cima dos trabalhadores causa adoecimento e reverbera na produtividade e no relacionamento com os clientes e comunidade: “Não podemos conviver nem naturalizar o assédio, em que pese que muitos achem que é sinal dos tempos, não é; um ambiente saudável é prioritário para qualquer empresa, ainda mais para uma empresa pública, com a responsabilidade que o Banrisul tem, uma empresa que está além do lucro”.

Por efeito dominó, o assédio no interior das agências reflete na população, que sofre junto os efeitos das más condições de trabalho no Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Como um banco público, o Banrisul deve ser das pessoas e não do mercado financeiro. Seus resultados devem beneficiar a população e não encher bolsos de banqueiros.

O que antes era situação isolada em algumas unidades, hoje é a política de Recursos Humanos do Banrisul. O assédio institucional é a regra. A responsabilidade é da gestão do banco, nomeada pelo governo do Rio Grande de Sul, que os pressiona. São esses mesmos gestores que assediam superintendentes. Os superintendentes assediam gerentes, que assediam gerentes de negócios e supervisores, que assediam funcionários. O sistema do Banrisul está doente e os trabalhadores também.

DEFESA DO BANRISUL PÚBLICO

Para definir a pauta de reivindicações para a Campanha Salarial 2022, acontece o 30º Encontro Nacional dos Banrisulenses, 100% virtual, no dia 2 de julho (sábado). Além da renovação do Acordo Coletivo, com aumento real acima da inflação, os debates vão girar em torno da defesa do Banrisul público e gaúcho. A eleição deste ano é determinante para o futuro do banco, é preciso eleger um governo e deputados estaduais alinhados aos interesses do Banrisul.

O diretor da Fetrafi-RS, Fabio Soares Alves, ressalta que os banrisulenses buscam com esta campanha não só o aumento real nos salários, mas também colocar a devida importância do Banrisul. “É preciso mostrar a importância do banco para a sociedade gaúcha, porque agora em outubro vai ser decidido o futuro do Banrisul, se ele vai permanecer público ou não. Por isso, além de fazer uma grande Campanha Salarial, precisamos fazer o debate sobre as eleições gerais, porque é um ano fundamental para quem defende uma empresa pública como o Banrisul”.

Texto: Amanda Zulke, com edição de Manoela Frade e Gilnei Nunes
Foto: Amanda Zulke e Caio Venâncio

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER