Pedro Guimarães pede demissão da Caixa

Pressão do movimento sindical e entidades de funcionários funcionou

Após mais de 24 horas de silêncio do governo Bolsonaro e pressão absoluta do movimento sindical, Pedro Guimarães pediu demissão da presidência da Caixa.

Em carta dirigida aos brasileiros, funcionários e clientes do banco, Guimarães diz ser alvo de uma “situação cruel, injusta, desigual” e que vinha desenvolvendo na Caixa um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, “tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia”.

Segundo os relatos de funcionárias, no entanto, a meritocracia de Guimarães na Caixa tinha a ver com investidas sexuais, toques físicos sem consentimento e constrangimentos públicos. Guimarães diz que as acusações não são verdadeiras e que não pode “prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral”. Mas o Ministério Público Federal já investiga o caso.

A diretora do SindBancários e funcionária da Caixa, Caroline Heidner, pontuou que Guimarães deve ser enquadrado na lei. “Assédio sexual é crime previsto no Código Penal, com pena de 1 a 2 anos de detenção”, disse. Por isso mesmo, “as denúncias precisam ser apuradas com celeridade”, completou. “Além disso, não pode passar desapercebido o fato de que esta gestão corrompeu a confiabilidade dos canais internos de denúncia da Caixa. Se há outras denúncias contra outros diretores da gestão também precisam ser afastados. Além dos casos de assédio, o que mais estão escondendo?”, questionou Caroline.

A diretora da Fetrafi-RS, Sabrina Muniz, que também é funcionária da Caixa, destacou que desde o início, a gestão de Guimarães foi pautada pelo medo e humilhação. “Foram inúmeras situações em que Guimarães expôs colegas a humilhações e tratamentos, no mínimo, duvidosos”, disse.

Sabrina expôs que o clima era de pânico quando o presidente visitava unidades da Caixa nos estados. Quando veio a Porto Alegre, contou a diretora, assessores de Pedro Guimarães passaram pelos setores da Caixa para checar se havia qualquer inadequação que pudesse contrariar o presidente. Objetos vermelhos eram totalmente proibidos, incluindo referências ao Internacional, clube de futebol. Até a estrela de Natal foi proibida. “Eram tantas as restrições, que a equipe dele passou a andar com uma caixa de camisetas da Caixa para os colegas que estivessem vestidos inadequadamente, pudessem trocar de roupa e participar de eventos com Guimarães”.

Após a publicação das denúncias, Sabrina informou que começaram a aparecer outros relatos de colegas confirmando a conduta de Pedro Guimarães. Segundo uma dessas mulheres, que prefere manter o anonimato, Pedro Guimarães tinha na equipe pessoas que requisitavam mulheres para sentar ao lado do presidente, porque ele “não gosta de sentar ao lado de homens”.

O SindBancários exalta a coragem e se solidariza com as mulheres vítimas dos abusos de Pedro Guimarães.

Leia a íntegra da carta de demissão de Pedro Guimarães:

À população brasileira e, em especial, aos colaboradores e clientes da CAIXA:
A partir de uma avalanche de notícias e informações equivocadas, minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade.
Foi indicada a existência de um inquérito sigiloso instaurado no Ministério Público Federal, objetivando apurar denúncias de casos de assédio sexual, no qual eu seria supostamente investigado. Diante do conteúdo das acusações pessoais, graves e que atingem diretamente a minha imagem, além da de minha família, venho a público me manifestar.
Ao longo dos últimos anos, desde a assunção da Presidência da CAIXA, tenho me dedicado ao desenvolvimento de um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia.
Como resultados diretos, além das muitas premiações recebidas, a CAIXA foi certificada na 6ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), além também de ter recebido o selo de Melhor Empresa para Trabalhar em 2021 – Great Place To Work®️, por exigir de seus agentes e colaboradores, em todos os níveis, a observância dos pilares Credibilidade, Respeito, Imparcialidade e Orgulho.
Essas são apenas algumas das importantes conquistas realizadas nesse trabalho, sempre pautado pela visão do respeito, da igualdade, da regularidade e da meritocracia, buscando oferecer o melhor resultado para a sociedade brasileira em todas as nossas atividades.
Na atuação como Presidente da CAIXA, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. A ascensão profissional sempre decorre, em minha forma de ver, da capacidade e do merecimento, e nunca como qualquer possibilidade de troca de favores ou de pagamento por qualquer vantagem que possa ser oferecida.
As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta.
Todavia, não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a CAIXA, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à CAIXA e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro.
Junto-me à minha família para me defender das perversidades lançadas contra mim, com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram.
Por fim, registro a minha confiança de que a verdade prevalecerá.
Pedro Guimarães”

Fonte: Imprensa SindBancários

Foto: Marcelo Camargo

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