Peça de final de ano da Oficina Teatral do SindBancários propõe reflexão sobre esperança no Natal

De um celebrado escritor inglês, a Oficina Teatral do SindBancários pegou a inspiração para conversarmos sobre o Natal. Avareza, dinheirismo, ricos e pobres. Afinal, chegamos ao fim do ano e, quando temos que pensar sobre o nascimento de Jesus Cristo, um homem que nos deixou o legado da simplicidade e do amor, pensamos em consumir. A Oficina Teatral do SindBancários propõe pensarmos em resgatar aqueles que achamos que não têm mais esperança. É tempo de pensarmos em investir em quem entendemos que não tem a menor chance de mudar.

A inspiração da Oficina Teatral do SindBancários ajuda a pensarmos nos banqueiros. Esses megaempresários para os quais os bancários trabalham pensam muito em dinheiro, pensam em explorar os trabalhadores e, quando chega o tempo da Campanha Salarial, só querem reduzir nossos salários. Mas há esperança. A peça “Um conto de Natal”, publicada na Inglaterra em 1843, foi adaptada pela atriz e diretora teatral Adriane Azevedo e será exibida em duas sessões nos dias 17 e 19 de dezembro no Teatro de Arena, em Porto Alegre. A entrada é franca. A partir de 14 de dezembro, serão distribuídas senhas na Casa dos Bancários, sede do SindBancários.

O título mudou para “Uma História de Natal”, mas o espírito da peça original se mantém. No conto, o velho Scrooge, um homem de negócios ranzina, sovina e muito solitário medita sobre sua miserável vida rica. A única coisa que ele lamenta na véspera do Natal, quando famílias inteiras se preparam para a celebração em suas casas, é que seu secretário estará de folga.

Mas Scrooge terá uma chance de mudar a forma como vê o mundo e como é. O fantasma de seu sócio Marley aparece para propor-lhe uma viagem capaz de fazê-lo mudar seu ponto de vista. Será que um fantasma poderá mudar o modo como um homem de negócios vê o mundo?

Os 18 alunos da Oficina Teatral do SindBancários se dedicam, há nove meses, a uma experiência de corpo e mente. A proposta da oficina, conduzida pela própria Adriane Azevedo e pelo ator e produtor cultural João França, é de encontros semanais. Foram três edições entre 2012 e 2015. Neste ano, é a primeira vez que as vivências teatrais encerram com uma peça de teatro. E uma peça justamente sobre os patrões dos bancários.

“A oficina sempre teve um caráter de vivência. O Sindicato oferece aos bancários uma oportunidade de variação. Trabalhamos expressão, comunicação e também o aspecto anímico. É um espaço para o bancário se expressar fora do local de trabalho, que é um ambiente muito estressante. Ninguém tem obrigação de acertar”, diz João França.

Dickens pode, em sua comédia de costume adaptada ao teatro, ser considerado um escritor socialista. Não por acaso. A obra foi publicada quando os ventos do socialismo exigiam um novo caminho a ser trilhado pela história da Revolução Industrial. Trabalhadores que morriam no chão de fábrica e cumpriam até 20 horas de jornada de trabalho não tinham tempo nem saúde para celebrar o Natal. O conto foi publicado um ano antes do “Manifesto do Partido Comunista”, obra de referência da luta dos trabalhadores escrita por Karl Marx e publicada na Inglaterra originalmente em 1844.

“O senhor Scrooge é um banqueiro, um homem de negócios milionário que inspirou o Walt Disney e a criar o Tio Patinhas. Propusemos o projeto para os oficineiros e eles toparam. Esse grupo de trabalho está muito feliz”, acrescenta João França.

Na noite da terça-feira, 24/11, alunos e professores se reuniram no palco do Teatro de Arena para fazer a prova de figurino. A diretora Adriane Azevedo estava atenta a qualquer detalhe. Roupas que precisam de ajuste. Momento de entrada de um personagem na cena. Ela deu um tempo na correria para lembrar de uma ação sindical em várias agências da área de abrangência do SindBancários em que ela interpretou a Princesa Isabel, que assinou a Abolição da Escravatura em 13 de maio de 1888.

Na época em que essas pequenas peças foram montadas, a ideia era mostrar aos bancários que as metas abusivas, a pressão e o assédio moral estavam adoecendo os trabalhadores. “Criamos uma montagem curta. Entrávamos nas agências. Eu estava de Princesa Isabel e o João (França) de Conde D’Eu, o marido dela. O João entrava nas agências cheias de clientes e lia para todo mundo os problemas que estavam adoecendo os bancários. Depois disso, a Princesa Isabel dizia: ‘Te liberto, bancário’”.

Exibição da peça “Uma História de Natal”, adaptada de “Um conto de Natal”, do escritor inglês Charles Dickens

17 e 19 de dezembro, quinta e sábado | 19h30 | Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835 – Altos do Viaduto Otávio Rocha – Centro)

Entrada franca

Serão distribuídas 100 senhas (capacidade do Teatro de Arena) por apresentação a partir da segunda-feira 14/12. Os interessados devem passar na Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre).

Fonte: Imprensa SindBancários

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