PEC 280 adoece Banrisulenses e arrisca vidas nas agências

Casos de Covid-19 aumentaram depois que o governador Eduardo Leite liberou atendimento sem agendamento em troca de votos na Assembleia Legislativa. Dirigentes cobraram agilidade no fornecimento de máscaras decentes pelo banco

Que o governador Leite negociou a aprovação da PEC 280/2019 em primeiro turno pelas vidas dos gaúchos isso está muito claro e é facilmente comprovado. Mas, depois que um novo sistema de controle liberou geral a mobilidade no Rio Grande do Sul, um outro fenômeno começou a se materializar na vida dos Banisulenses.

Na reunião de emergência por videoconferência sobre Covid-19 com representantes da diretoria do Banrisul, na tarde da quinta-feira, 27/5, ficou evidente que o banco está aderindo do Sistema 3As e flexibilizando o atendimento nas agências.

O resultado é a iminência de um surto de colegas doentes por Covid-19 e agências fechadas, sob a alegação de seguir a legislação vigente. O banco se esconde atrás de um sistema que aposta a vida dos Banrisulenses e dos gaúchos(as) por causa da PEC 280/2019, quer dizer, por causa do projeto de venda do próprio banco.

Uma nova reunião por videoconferência sobre o tema ficou marcada para a quarta-feira, 2/6, às 14h.

O conceito do Sistema 3As para agências bancárias e lotéricas é o de atendimento presencial a todos que procurarem uma agência bancária desde que a lotação da agência não supere o número de uma pessoa para cada 4 metros quadrados.

No caso dos bancos e lotéricas, na prática, o novo sistema de monitoramento acaba com o agendamento e com o atendimento reduzido. Com o sistema Distanciamento Controlado, já precário por cores de bandeiras, tínhamos 50% de colegas trabalhando para atender o mesmo número de clientes.

Mas agora uma agência de 100 metros quadrados pode suportar uma aglomeração de 25 pessoas. Dizemos que esse novo sistema provoca aglomeração e maior risco de contaminação por novo coronavírus porque já há casos crescentes de aumento de colegas infectados e doentes no Banrisul.

“Não faz o menor sentido o banco abrir mão da regra de um cliente por atendente. Por que aglomerar dezenas de pessoas em um ambiente fechado, quando elas terão que aguardar atendimento igual? É muito mais inteligente pedir para aguardarem do lado de fora, que é arejado e permite distanciamento. Estamos falando de proteger vidas”, salientou Luciano Fetzner, presidente do SindBancários.

Também já está no horizonte um novo surto, conhecido como “terceira onda”, o que começa a mudar a sorte do governador Eduardo Leite na Assembleia Legislativa e em cada canto do Rio Grande. “Os protocolos das bandeiras já eram precários. Mas era melhor do que o que acontece agora. O banco está se escondendo atrás de um decreto estadual frouxo, com protocolos frouxos, colocando vidas em risco”, salientou o diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Sergio Hoff.

Banco age com atraso de dois dias

Um dos problemas sérios desse novo sistema chamado de 3As é um espaço de tempo perigosos que ele permite entre o alerta gerado pelo governo do estado para a redução de leitos de UTIs em determinada região ou cidade e a publicação, pelo município, de um Decreto Municipal, com a determinação de protocolos de atuação para combater a situação crítica detectada.

O espaço de tempo é de 48 horas. E o banco disse que a sua atuação só pode ocorrer a partir da publicação do decreto municipal. Entre o alerta e o decreto municipal o que pode acontecer dentro de uma agência bancária quando o assunto é o novo coronavírus?

Imaginemos uma agência lotada do Banrisul nestes dois dias que o banco demorará para tomar providências mais drásticas de combate à pandemia. Em dois dias, muitas vidas podem ser perdidas em agências. Não por acaso o número de Banrisulenses adoecidos, desde que esse programa foi implantado em 16 de maio, já apresenta sinais de crescimento.

Falta de máscaras gera protestos dos dirigentes

Como se não bastasse o Banrisul afrouxar ainda mais o que já estava frouxo, temos ainda uma complicação capital. Aquilo que já deveria ter sido resolvido há muito tempo se apresenta como um problema. Trata-se das máscaras.

Colegas de todo o estado reclamam que o banco não tem fornecido equipamentos que atendam a normas de segurança, como máscaras PFF. Elas são baratas, eficientes e garantem uma maior tranquilidade e proteção para os colgas. “É inaceitável que o banco não forneça com agilidade as máscaras. O governo liberou o atendimento. Não tem mais agendamento. O mínimo é fornecer máscaras com agilidade”, alertou a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa.

Governo do Estado troca vidas por privatizações

Desde que o deputado estadual Fábio Ostermann (Novo) gravou um vídeo em que ameaçava o governador Eduardo Leite de votar contra a PEC 280/2019 se ele não acabasse com o sistema de bandeiras e promovesse a volta imediata às aulas, a sorte dos gaúchos estava selada.

No dia 27/4, a PEC 280/2019 transitou em um primeiro turno na assembleia legislativa, cujo resultado declarado como favorável ao governo está sendo questionado, para retirar o plebiscito da Constituição estadual e facilitar a venda de Banrisul, Procergs e Corsan.

Em menos de um mês, após a ameaça, quase 3 mil gaúchos tinham morrido de Covid-19 no estado. Ademais, depois do primeiro turno da PEC 280/2019, o número de infectados no RS passou de 1 milhão, enquanto o número de mortos passou de 27 mil até 25 de maio.

Na terça-feira desta semana, 25/5, a PEC 280/2019 não foi apreciada no plenário porque até mesmo a base do governo na Assembleia Legislativa não deu quórum. Era a senha para mostrar ao governador que com a vida das pessoas não se brinca. Leite rebaixou a bandeira, apresentou novo sistema de controle da pandemia ainda mais precário. Liberou geral a circulação do vírus.

A diretora da Fetrafi/RS, Ana Maria Betim Furquim, alertou o banco sobre a importância de trabalhar a prevenção. “O alerta saiu e não existe a prevenção. Deveria sair e já ter a prevenção no banco. O vírus não mudou nada. Continua matando e deixando as pessoas doentes”, alertou Ana Maria.

“Esse afrouxamento e a volta à ascendente da curva de contaminação e morte por Covid-19 estão diretamente ligados às manobras políticas do governador Leite. Estão ligadas à PEC280. O agora pré-candidato a presidente, que eventualmente visita ultimamente o Piratini, está jogando com a vida dos gaúchos e gaúchas para dar seguimento ao seu projeto político pessoal, lastreado em mentiras e totalmente desconectado dos interesses do Rio Grande. E o Banrisul não pode relaxar os protocolos que vem dando certo para seguir essa lógica,”, asseverou o presidente Fetzner.

Qual é a posição do banco?

> Diante dos reiterados protestos dos dirigentes sindicais sobre ausência de máscaras, o banco disse que não tem nada contra as máscaras.

> A diretoria do banco entende que alerta é uma orientação para o município criar um decreto. O banco não vai agir no alerta e sim no decreto, na determinação legal de uma norma estabelecida e que cumpre a restrição gerada.

> Está pautado na diretoria um estudo para a análise de como o banco vai se portar diante dos alertas. O banco reitera que tem agido, fechando agências, afastando colegas doentes. Os representantes da diretoria referiram a emissão de IAs com orientações que estão sendo cumpridas,

> Na segunda-feira, 31/5, o banco se comprometeu em encaminhar os relatórios de casos de Covid-19 para os dirigentes sindicais.

> Uma nova reunião por videoconferência sobre Covid-19 ficou marcada para a quarta-feira, 2/6.

Participantes da reunião

Dirigentes: Luciano Fetzner (Presidente do SindBancários, Cleberson Echholz Pacheco (presidente do Sintrafi-Florianópolis), Ana Maria da Silva (SEEB Santa Cruz do Sul), Ana Maria Betim Furquim (Fetrafi-RS), Sergio Hoff (Fetrafi-RS) Denise Falkenberg Corrêa (Fetrafi-RS), Paulo Mello (SEEB Passo Fundo), Gerson Kunrath (SEEB Vale do Caí).

Representantes da diretoria do banco: Gaspar Saikoski (Superintendente de RH), Raí Melo, Humberto Schwertner, Douglas Bernhard, Pulo Henrique Pinto as Silva, Marco Aurélio Oliveira.

Fonte: Imprensa SindBancários

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