Passeatão em Porto Alegre mobiliza bancários a lutarem por mais conquistas na Campanha Salarial 2015

Ao ritmo de uma bateria de escola de samba e do refrão “campanha salarial/ a luta é necessária/ aumento real/ pros bancários e bancárias”, foi dado início à fase de maior mobilização e de visibilidade nas ruas da Campanha Salarial dos Bancários 2015, em caminhada pelo centro de Porto Alegre, nesta quinta-feira, 27/08. Após a concentração na Praça da Alfândega, entre a sede do Banrisul e da Caixa Econômica Federal, o carro de som, os dirigentes do SindBancários, integrantes da base da categoria e de outras entidades de trabalhadores, fizeram um trajeto pelas ruas centras até a parada final na Esquina Democrática, no encontro da avenida Borges de Medeiros e a Rua dos Andradas.

O presidente do Sindicato, Everton Gimenis, afirma que as crises econômica e política no país, agravadas por decisões equivocadas do governo federal, não podem servir de justificativa para os bancos negarem avanços nas reivindicações dos bancários. Ele ressaltou que para os banqueiros não existe crise. “Este setor tem lucros cada vez maiores, à base da exploração do trabalho e do adoecimento dos bancários, com aumento das tarifas e com o crescimento das taxas de juros. Esta exploração também penaliza toda a população brasileira. Por isso sabemos que nossa luta é também de todos os clientes de banco e contamos com a solidariedade da sociedade”, afirmou Gimenis.

Solidariedade com servidores públicos

No Rio Grande do Sul, garantiu Gimenis, a luta dos bancários é solidária com as demandas dos servidores públicos estaduais, professores, brigadianos, policiais civis, trabalhadores da saúde e outros. “Todos perdemos com a política de arrocho do governo Sartori. Ele também ataca o patrimônio público, quer vender o Banrisul, o Badesul, a Corsan, CEEE e tantos outros patrimônios do povo gaúcho”, afirmou. “Mas unidos com as outras categorias, vamos resistir. Como diz o nosso slogan: nós queremos futuro. E vamos lutar por isso”, garantiu.

Ademir Wierdecker, diretor do SindBancários e da CUT-RS, reforçou: “Temos hoje uma grande articulação conservadora no estado e no país. Um dos diretores da Fiergs já chegou a propor a venda do Banrisul para o Banco do Brasil. Neste momento, a união de todos em defesa do nosso patrimônio é fundamental”, disse.

Marcha pelo Centro

Após a concentração na Praça da Alfândega, o Passeatão dos Bancários 2015 percorreu a Rua Caldas Jr., convocando os trabalhadores do Banrisul, em final de expediente, para se juntarem à marcha. Avançou pela Avenida Siqueira Campos, com o cantor Rosa Franco, sobre o caminhão de som, comandando a música e dando ritmo à caminhada. A marcha entrou na Rua General Câmara, foi pela Sete de Setembro e subiu a Borges de Medeiros até a Esquina Democrática, reunindo centenas de militantes, bancários de sindicatos do interior do estado e populares.

Sobre o carro de som, o ex-presidente e atual diretor da Contraf-CUT, Mauro Salles indagava: “Alguma vez nós conquistamos alguma coisa sem luta e mobilização?”. Ele frisou que os trabalhadores precisam enfrentar toda a força do conservadorismo, representado por uma elite que inclui os banqueiros e a imprensa subserviente.

Com o apoio dos manifestantes, outros diretores do Sindicato também conclamaram mais bancários em fim de expediente a participarem da marcha. “Venham para a passeata, pela valorização do trabalho, do emprego e da saúde dos bancários”, disse a diretora Denise Falkenberg Corrêa. Conforme o diretor do SindBancários,  Jailson Bueno Prodes, nos últimos 12 meses cerca de 5 mil bancários perderam os empregos. “Os bancários são agiotas da nação”, afirmou. “E a nossa luta é por dignidade”.

Banrisul e Caixa

Uma das bandeiras levantadas pela marcha – e que integra a Campanha 2015 – foi a da realização do concurso público no Banrisul para reduzir as filas nas agências. O combate ao assédio moral, às metas abusivas, a necessidade de reposição dos cinco mil postos de trabalho vagos na Caixa Econômica Federal, melhores condições de trabalho, além do aumento salarial de 16% estão entre as reivindicações construídas pelos bancários em fóruns de decisão regionais e nacional (confira as principais reivindicações ao final desta matéria).

O presidente do SindBancários lembrou que dia 16 de setembro deverá acontecer a última rodada de negociação em nível nacional e local. “Conforme o resultado, vamos acelerar a nossa caminhada”, prometeu Everton Gimenis. “No final de setembro, poderemos ter uma grande greve nacional dos bancários”, antecipou.

Veja aqui álbum de fotografia do Passetão dos Bancários pelas ruas do Centro de Porto Alegre.

Principais reivindicações da pauta nacional

> Reajuste salarial de 16% (reposição da inflação mais 5,7% de aumento real)

> PLR: 3 salários mais R$7.246,82

> Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).

> Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

> Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.

> Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.

> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

> Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.

> Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Calendários de negociação

Banrisul: Negociação tem data marcada

O Comando Nacional dos Banrisulenses e a diretoria do Banrisul começam a negociar a minuta específica de reivindicações na quinta-feira, 10/9. O primeiro debate será na sede da Associação dos Bancos no Estado do Rio Grande do Sul (Rua dos Andradas, 1234, Centro Histórico de Porto Alegre), a partir das 14h30. Dirigentes sindicais do SindBancários e da Fetrafi-RS vão continuar cobrando da diretoria a definição de um calendário completo por temas. Outra pauta da nossa Campanha Salarial é lutar contra a precarização do Banrisul, por concurso público, plano de carreira, mais caixas e dizermos todos juntos não à privatização.

Banco do Brasil: Mais emprego é mais saúde

As negociações das reivindicações específicas dos funcionários do Banco do Brasil começaram na tarde desta segunda-feira, 24/8 e continuaram na terça, 25/8, pela manhã, na nova sede do banco, em Brasília. Foram debatidos os temas: emprego, contratações, condições de trabalho e saúde. Até o final da tarde desta terça-feira, 25/8, ainda não havia a definição de um calendário completo de negociações com a direção do BB.

Calendário de negociação com a Fenaban (bancos privados)

Quarta-feira, 19/8. Fenaban não garantiu fim das demissões na primeira mesa de negociação com o Comando Nacional dos Bancários em São Paulo.

Quarta e quinta-feira, 2 e 3/9. 9 às 17h: Saúde e Condições de Trabalho

Quarta-feira, 9/9. Das 9 às 17h: Igualdade de oportunidades e de tratamento

Quarta-feira, 16/9. Das 9 às 17h: Remuneração

Calendário de negociações da Caixa

Sexta, 4/9: Saúde Caixa, Funcef e aposentados

Sexta, 11/9: Carreira, isonomia e organização do movimento

Sexta, 18/9: Contratação, condição de funcionamento das agências e jornada/Sipon

Crédito fotos: Fabiano do Amaral

Fonte: Imprensa SindBancários

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