Paranoia política põe bancos públicos em risco de privatização

Presidente do Banco do Brasil faz confusão ao dizer que BB ficaria melhor na mão do setor privado, mesmo que não seja privatizado, e esquece de sua eficiência e altos lucros

Pergunte a algum bancário do Banco do Brasil o que ele achou das declarações do novo presidente da instituição em sua posse no Rio de Janeiro, na sexta-feira, 15/3. Insista com ele para saber o que ele pensa do vice-presidente, o general Hamilton Mourão, conseguir uma vaga para o filho dele no Conselho de administração do Banco do Brasil. O bancário do BB certamente irá dizer ao seu presidente e ao vice que nunca na história do maior banco brasileiro, do primeiro banco deste país, a privatização foi colocada em prática tão rapidamente e tão escancaradamente como nos três últimos meses. E a privatização por interesses pessoais, diga-se.

Durante cerimônia de posse dos presidentes dos bancos públicos, no Rio de Janeiro, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou que “está convencido” de que a empresa “deveria ser privatizada”. Novaes disse que não está em cogitação nenhuma venda das grandes estatais do Brasil, como da Caixa Econômica Federal, Petrobras e, inclusive do Banco do Brasil. Mas reforçou que o país deveria bater nessa tecla porque essas companhias estariam “melhor na mão do setor privado”.

Só quem afirma uma besteira dessa sobre o Banco do Brasil não conhece o Banco do Brasil, com o perdão da redundância. “Os agentes do governo Bolsonaro têm uma ideologia motivada por uma paranoia. Eles acham que estão combatendo o comunismo e que não são políticos. Se acharem que o que é púbico e funciona é comunista, eles vão querer acabar. É claro que isso é uma distorção, uma propaganda política para convencer as pessoas de que tudo que é privado funciona melhor. Essa conversa já é velha”, assinala o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Gimenis remete a dois argumentos. Primeiro, os bancos públicos vêm de um ciclo virtuoso de lucros crescentes. Seus papeis sociais envergam atitudes heroicas, como financiar a infraestrutura do país em 2008 e evitar que o Brasil despencasse no abismo da crise mundial. Isso significa que os bancos são eficientes e que seus papéis públicos devem ser mantidos.

A outra questão é o desmonte. Interessa à ideologia privatista do governo Bolsonaro dizer que as empresas públicas são ineficientes. Então, demitem funcionários, não fazem novos concursos e começa um ataque à imagem do banco público. Com bancários cheios de trabalho e mais filas, dissemina-se uma ideia de que o que é púbico não funciona e tem que vender.

A paranoia comunista e o ataque aos bancos públicos

Mas tem a paranoia comunista, que é o discurso do governo Bolsonaro para se distanciar dos maus lençóis em que o governo Temer terminou no ano passado. Bolsonaro é uma continuação de Temer, o que ele nega, foge e envergonha-se de ser. Bolsonaro falou em conter o comunismo, algo que nunca existiu, em visita aos Estados Unidos, no domingo, 17/3, durante jantar em Washington.

O Temer deu um golpe em 2016 para encerrar um ciclo de crescimento de salários no Brasil. Com a reforma trabalhista, houve ataques aos sindicatos e da Justiça do trabalho. O espaço para negociar conquistas de direitos ficou mais estreito para o trabalhador”, apontou Gimenis.

A reforma trabalhista, que passou a valer em novembro de 2017, aprovada em julho pelo governo Temer, é mais um dispositivo para frear as conquistas dos trabalhadores Criou-se desemprego, medo nos locais de trabalho e obediência. Fica mais fácil achatar salário de quem tem medo de perder o emprego. E, claro, um governo de ultradireita, como é o caso do governo Boslonaro, vai dizer que está derrotando o comunismo, uma verdadeira bobagem.

Caixa e BNDES na mira das privatizações

Segundo Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa do Banco do Brasil, se o banco for privatizado, todo o retorno que o banco dá para a sociedade, vai para o banco privado. “O interesse não vai ser mais do Brasil e sim de quem for o dono deles. Além de colaborar com o desenvolvimento do país, o Banco do Brasil ainda dá lucro de 12 bilhões, como podemos conferir no balanço dos lucros do ano passado”, ressaltou Wagner.

Na esteira do discurso liberal, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, destacou que, no mês passado, a Caixa deu início à venda de ativos e afirmou que o banco “vai fazer a abertura de capitais” dos segmentos de seguridade, loterias, cartões e assets.

O governo Bolsonaro e a nova direção do banco vêm promovendo diversos ataques contra os funcionários e contra o caráter público da Caixa. O presidente Pedro Guimarães já anunciou que pretende fatiar a empresa e privatizá-la em pedaços. Áreas que estão entre as mais lucrativas do banco estão na mira da nova direção do banco.

O presidente o BNDES Joaquim Levy endossou a defesa da cessão de empresas públicas ao setor privado, tendo em vista que, para ele, “o estado brasileiro se tornou muito grande”.

Ele destacou que o BNDES está trabalhando com vários estados na privatização, sobretudo, do setor de energia, mas que há mais a ser feito. “As privatizações marcam o fim do papel social que as empresas públicas cumprem em nosso país. Não podemos permitir que isso aconteça. Não só os bancos públicos estão sob ameaças, mas também o emprego de muitos trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro.”

Para Nascimento, um presidente do BB que desconhece sua importância para o país não deveria estar no cargo que ocupa. “Como ele não é de carreira, não fez concurso, veio de uma indicação política, talvez falta ao presidente conhecer mais sobre a importância e papel do Banco do Brasil para o desenvolvimento do país.”

Fonte: Imprensa SindBancários, com Contraf-CUT

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER

Luciano Fetzner Barcellos
(Banrisul)
PRESIDENTE

Tags

Filiado à Fetrafi/RS, Contraf/CUT e CUT
Rua General Câmara, 424-Centro / CEP:90010-230 /
Fone: 51-34331200

Porto Alegre / Rio Grande do Sul / Brasil

Categorias

Categorias

Categorias