Para sindicatos, ‘massacre midiático’ à Petrobras esconde jogo para mudar partilha do pré-sal

Da Redação

Sindicalistas, petroleiros, intelectuais e professores irão às ruas do país nos dias 12 e 13 de março em defesa da Petrobras. O levante de trabalhadores será realizado no Rio Grande do Sul e em São Paulo, respectivamente. A intenção é contrapor o que consideram um ‘massacre midiático’ da principal estatal do Brasil e alertar a sociedade sobre os interesses econômicos e políticos por trás das constantes especulações de setores da imprensa à Operação Lava Jato.

A investigação em curso no país desde março de 2014 está na sétima fase e apura irregularidades praticadas por uma organização criminosa formada por políticos, funcionários públicos, executivos de empreiteiras e doleiros. As empreiteiras distribuíam entre si contratos com órgãos públicos, em especial a Petrobras, mediante o pagamento de propina e desvio de dinheiro público, que era repassado a partidos políticos. Segundo o Ministério Público Federal, o esquema criminoso investigado atua na estatal ao menos desde 1999.

Segundo o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, a estatal petroleira investe diariamente no país R$ 300 milhões em contratações de serviços, materiais, entre outros. “A desaceleração dos negócios da Petrobras tem impacto muito grande e quem pagará esta conta são os cidadãos. Nós temos que separar as coisas. Não podemos ameaçar uma empresa do porte da Petrobras por conta das irregularidades que dois funcionários cometeram”, falou sobre as prisões de Paulo Roberto Costa (ex-diretor) e Pedro José Barusco Filho (ex-gerente de engenharia).

A Petrobras representa 13% do PIB do Brasil e, com os desgastes da operação Lava Jato somados a fatores econômicos, já sofre impactos como o rebaixamento na classificação de risco Moody’s, registrado na quarta-feira (25). “A empresa que audita a Petrobras já apontou cenários que não se confirmaram no mercado. Então, não confio nas agências de risco, que dependem das especulações. O que queremos (centrais sindicais) é que o governo assuma que é o acionista majoritário da Petrobras e anuncie que não irá cortar investimentos para não ficar à mercê dos sabores do mercado”, afirma José Maria Rangel.

‘Defender a Petrobras é garantir os recursos para educação’, diz Cpers

Na terça-feira (24) a FUP e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançaram a campanha “Defender a Petrobras é defender o Brasil“, com mobilização de intelectuais e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato discutiu a conjuntura do país e o ‘cerco midiático’ nos desdobramentos da Operação Lava Jato e foi seguido de marcha pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro. Durante o ato, um grupo de manifestantes do Movimento Brasil Livre, que defende o impeachment da presidenta Dilma Rousseff apareceu, culminando em conflito que acabou com intervenção da polícia.

Para o diretor da FUP, João Antônio Moraes, “é necessário fazer a apuração e punir os culpados, mas preservar as instituições”. Ele conversou com os professores gaúchos na última quinta-feira (20), e destacou a importância de o país ter uma empresa cujo capital é de controle do povo. “Não interessa produzir riqueza que não seja para o bem social e isso está em risco agora”, observou. Moraes classificou como fundamentais os investimentos dos royalties do petróleo na educação. “É preciso investir nas futuras gerações e isso só é possível através da educação. Por isso, apoiamos essa luta”, afirmou.

Os educadores gaúchos aprovaram moção de apoio à Petrobras e pela defesa da Lei da Partilha, aprovada no segundo governo Lula. “O grande debate que está por trás deste desgaste que a imprensa eleva, com notícias especulativas e sistemáticas, é a mudança no sistema de partilha dos recursos do pré-sal”, acredita a presidente do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, Cpers/Sindicato, Helenir Oliveira.

Com a Lei da Partilha, o regime de concessão das empresas exploradoras do petróleo foi transformado para divisão dos lucros com a União. Cerca de 40% dos lucros da exploração do pré-sal serão para o governo federal. Com o Projeto de Lei nº 2.565/201, que tramita na Câmara Federal, os recursos da exploração deverão ser aplicados pela União em saúde e educação. “Vamos continuar defendendo a Petrobras e tencionar pra que a partilha se mantenha, se precisar vamos nos unir aos demais sindicatos no Congresso Nacional. Temos informação de que após votação do Orçamento 2015 entraria na pauta a regulamentação dos royalties. A maioria dos parlamentares não quer fazer esta discussão pra tentar manter a estratégia do desgaste e sangrar a imagem da Petrobras”, diz Helenir.

Para a educadora, “este movimento em defesa da Petrobras deve ser de todos os brasileiros, não só dos sindicatos. Não é defender os corruptos, é defender a garantia dos recursos para educação e saúde de todos porque, desgastar o orgulho da Petrobras cria um clima facilitador para os interesses dos políticos que não querem discutir estes critérios de distribuição dos recursos”.

Abraço à Petrobras no RS

O ato em defesa da Petrobras no dia 12 de março reunirá Cpers, CUT, FUP, Via Campesina, Levante Popular da Juventude, entre outros movimentos sindicais do Rio Grande do Sul. A intenção é fazer um abraço à Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, que integra o sistema Petrobras, a partir das 9h. O grupo deverá seguir em marcha até Porto Alegre.

“Estamos planejando uma jornada de lutas em defesa da Petrobras e pelos direitos trabalhistas. Temos cobranças a fazer (ao governo federal) sobre os direitos trabalhistas e redução da jornada de trabalho, mas todas as saídas para os problemas que temos devem ser feitas pela esquerda, juntos”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Nesta quinta-feira (26), a Câmara Federal instalará uma nova CPI da Petrobras para estender as investigações aos políticos beneficiados com os recursos desviados da estatal. A criação de uma nova comissão foi autorizada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no último dia 5. No total, 182 deputados assinaram o requerimento de criação, incluindo 52 da base governista.

Fonte: Sul21

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