“Para Minha Amada Morta” estreia com debate no CineBancários e mostra homem em “implosão”

Contido. Hétero. Forte. Falar do filme “Para minha Amada Morta”, exibido em pré-estreia com debate no CineBancários, na noite da terça-feira, 22/3, é mergulhar no universo masculino e na sua eminência de uma explosão. Estão ali todos os elementos. A morte da mulher do personagem Fernando desencadeia uma depressão silenciosa e a descoberta de que ele poderia não ser o homem mais importante da vida dela pode levar à violência. O diretor Aly Muritiba e o ator Fernando Alves Pinto participaram do debate após a exibição do filme que foi mediado pelo jornalista Marcelo Perroni, e falaram sobre a escolha por um roteiro cheio de silêncios.

Tudo é sentimento na narrativa lenta. Há quem diga que narrativas lentas são chatas, tornam o filme enfadonho. O que se pode dizer de “Para Minha Amada Morta” é que se apenas um gesto for retirado do filme há o perigo de o filme se desfazer, de não fazer sentido. O filme começa com o fotógrafo da Policia Civil Fernando acordando de uma noite terrível. A casa desarrumada e o filho são símbolo de que há um véu negro de morte no ambiente.

Sim, Fernando perdeu a mulher, uma advogada criminalista. Não se sabe muito bem qual é a causa da morte. Mas sim as consequências. Remoendo a perda, Fernando começa a vasculhar registros de vídeo da esposa em VHF, mexer nas roupas, guardá-las. Encontra gravações em que ela mantém relações sexuais com um ex-cliente, um criminoso que aplicava golpes e que foi retirado da prisão por ela.

Fernando, o personagem de Fernando Alves Pinto, procura e encontra o amante. O homem, Salvador, é um evangélico regenerado. Fernando passa a conviver com a família dele e está disposto a lavar a honra, no velho chavão machista, com sangue.

A leitura que o ator Fernando Pinto fez do filme é a de que o sentimento do seu personagem é um vulcão. “Esse personagem que o Aly inventou já vinha com esse nome (o mesmo nome que o ator). Não sei se ajudou muito. Me senti em casa. Esse vulcão que ele tem dentro… Tanto de felicidade e quietude. Houve uma perda de chão com a morte da mulher. De não saber onde ir. Essa confusão de sentimentos… A pessoa que ele amava não existia mais”, avaliou.

“Uma das diretrizes é de um personagem que, ao invés de explodir, implodia. Optei pelo gesto pequeno, contido. Era algo potente e destrutivo. Personagem é muito lento e muito largo”, acrescentou o diretor Aly.

Sentimento de posse e democracia

O diretor Aly Muritiba conta que o as locações foram feitas em Curitiba e na Região Metropolitana da capital paranaense. Houve um mês de preparação dos atores antes das filmagens. O roteiro original, segue Aly, foi concebido quando ele ainda estava na faculdade e cumpria uma espécie de agenda possível de realização do seu primeiro longa. “É um projeto antigo. Existia em forma de argumento. Eu queria trabalhar com desejo, perda e essa coisa tão mesquinha como é esse sentimento de posse que a gente nutre por quem a gente ama”, explicou.

O cálculo levou em consideração a possibilidade de realizar também seu primeiro longa e viabilizá-lo financeiramente. “É um filme simples e relativamente barato. Poucos personagens e poucas locações. O primeiro roteiro era todo dentro de uma casa”, apontou.

O presidente do SindBancários fez a apresentação do debate antes da exibição. Everton Gimenis lembrou da história do CineBancários  e do contexto político em que vivemos. “Esse cinema veio contra a corrente. Não havia mais cinema de calçada. Discutimos com os agentes da cultura e nos demos conta de que também não tinha um espaço de exibição de filmes nacionais. Nesse momento em que debatemos no país se avançamos ou retrocedemos na democracia, é importante democratizar o acesso à cultura”, disse Gimenis.

Ao lado do presidente do SindBancários, o diretor Aly Muritiba fez um pedido movido pelo calor da política e em defesa da democracia. “Este é um espaço importante para a cultura brasileira e para a democracia. Mas, neste momento, o lugar de defender a democracia não é dentro de uma sala de cinema. Não vão ver o meu filme. Não vão para o cinema. Vamos para as ruas. Porque agora é a hora de defendermos a democracia”, comentou.

FICHA TÉCNICA

PARA A MINHA AMADA MORTA

Brasil / Drama / 2015 / 110 minutos

Roteiro e Direção: Aly Muritiba

Elenco: Fernando Alves Pinto, Lourinelson Vladmir, Mayana Neiva, Giuly Biancato, Vinicius Sabbag e Michelle Pucci

Produtores: Antônio Junior, Marisa Merlo, Aly Muritiba

Direção de Arte: Monica Palazzo

Direção de Fotografia: Pablo Baião

Montagem: João Menna Barreto

Trilha Sonora: Ruído por Milímetro

Produzido por: Grafo Audiovisual

Distribuidora: Vitrine Filmes

Crédito fotos: Caco Argemi

Fonte: Imprensa SindBancários

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