Pandemia não tirou os bancários da linha de frente, diz presidente do Sindicato

Em entrevista ao programa Conexão PoA, no PoA Streaming, Luciano Fetzner destacou papel da categoria no atendimento a população e criticou tentativas de enfraquecimento e venda do Banrisul público

O risco que os bancários correm no atendimento presencial em época de pandemia. Vantagens e possíveis problemas do acordo salarial bianual. A Reforma Trabalhista imposta durante o desgoverno Temer. Esses e outros assuntos foram abordados pelo presidente do SindBancários, Luciano Barcellos Fetzner, em entrevista na manhã desta terça-feira, 31/08, ao jornalista Tom Szekir no programa CONEXÃO POA, no PoA Streaming. Luciano lembrou que, apesar da gravidade da pandemia, os bancários nunca deixaram de fazer atendimento presencial em agências bancárias, mesmo com a conquista do home office.

Risco de contaminação

No início da pandemia, fizemos um grande debate com os banqueiros, em nivel nacional, sobre os riscos de seguir o atendimento normal nos bancos. Afinal, as agências bancárias, no setor de serviços, são um dos três locais com maior risco de contaminação, após os hospitais públicos e os meios de transporte coletivo”, informou.

No caso da comprovação de contaminação em uma agência bancária, especialmente do Banrisul (que têm muitos postos e agências na área de abrangência do SindBancários), o local é fechado e só volta a ser utilizado depois de uma higienização completa e troca de toda a equipe de funcionários. “Afinal, a proteção é tanto para os bancários quanto para os clientes”, reforçou o sindicalista. Porém, lembrou que grande parte da categoria hoje trabalha em casa, o que exigiu pressão sobre os bancos para oferecerem, em contrapartida, compensações e investimentos.

Negociação unificada

Luciano Fetzner lembrou que a negociação salarial com os bancos é unificada há décadas, e discutida através de rodadas de discussão dos bancários com a Fenaban. Questionado durante o programa sobre a negociação bi-anual dos salários e condições de trabalho, em função da pandemia, o presidente do Sindicato reconheceu que é sempre um grande risco: “Se a inflação explodir no período de dois anos, nós perderemos. Mas, toda negociação sempre é um jogo”, reconheceu.

No entanto, o sindicalista afirma que a negociação com validade de dois anos trouxe uma janela de possibilidades e oportunidades. “Como estamos com reajuste garantido pelo acordo, podemos utilizar parte do tempo e da energia em outros assuntos e conquistas. Um deles, que estamos discutindo, é a reestruturação do trabalho no período pós-pandemia”, exemplificou.

Sindicatos fortes

O entrevistador quis saber ainda sobre os efeitos da reforma trabalhista. Fetzner foi ao ponto principal: “Sindicato que não contava com força, com base e com capacidade de mobilização, desapareceu. No caso dos bancários, são os sócios, através de suas mensalidades, que mantém a nossa entidade”.

Sobre as ameaças de privatização do Banrisul, Corsan e outras estatais gaúchas, Luciano Fetzner recordou que, durante a campanha eleitoral, o próprio Eduardo Leite prometeu que não venderia as empresas. “Na CEEE, venderam a parte lucrativa, que é a distribuidora. E foi uma verdadeira entrega, pois a CEEE Distribuidora foi vendida a preço de um aumotóvel… Já a parte que exige grandes gastos,na geração de energia, esta ficou para o estado…”, recordou o sindicalista.

O presidente do SindBancários lembra que as empresas podem ser – e estão sendo – vendidas em partes. O chamado “banco de todos os gaúchos e gaúchas” vem sofrendo ataques não é de hoje. Fetzner recordou que, no governo de José Ivo Sartori, houve a tentativa de venda do Banrisul Cartões, incluindo o BanriCompras – que chega a competir com os cartões Visa e Mastercard. “Basta dizer que, em audiência na Assembleia Legislativa, o presidente do banco, Claudio Coutinho, não descartou nenhuma possiblidade de venda…”, recordou.

Na atual administração estadual, vários sinais apontam para a privatização do banco estadual, fundado em 1928. Mas, observa o sindicalista, é importante destacar que todos os anos o Banrisul injeta cerca de R$ 600 milhões nos cofres do governo estadual, para fazer frente às despesas públicas. “Ou seja”, concluiu Fetzner, na entrevista ao programa Conexão POA, “acabar com ele não é uma política muito inteligente”.

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