Palestra no Piquete dos Bancários propõe debate sobre a criação do mito do gaúcho à luz da relação com o cavalo

Cumprindo a agenda cultural do Acampamento Farroupilha, o Piquete dos Bancários apresentou na noite da quinta-feira, 10/9, palestra do historiador Péricles Lopes Gomide Filho sobre o tema “A lida campeira na formação do Rio Grande”. Dos tempos em que as fronteiras do Rio Grande do Sul se formaram no século 18, passando pela Revolução Farroupilha e a formação do gaúcho, Péricles, que é funcionário do SindBancários,  chegou aos tempos atuais para demonstrar que a cultura de um povo guerreiro como o gaúcho teve no cavalo um elemento de formação de identidade, de criação de um mito idealizado e prospera como um autoritarismo que se vê nas relações políticas de nossos dias.

Por cerca de 20 minutos, Péricles demonstrou como 300 anos de história de um povo foram construídos a partir da dizimação étnica do povo Guarani, da forma da colonização, da escravidão dos negros e também a partir dos aspectos econômicos e geográficos do Estado.

“No século 18, Portugal e Espanha, os impérios colonizadores da época, travaram uma guerra com os índios guaranis. Depois das Guerras Guaraníticas, durante 50, 60 anos, ficou aqui nos pastos do Pampa, que é um deserto verde, uma grande quantidade de gado xucro se reproduzindo. É o que conhecemos hoje como gado chimarrão”, contou Péricles.

A colonização encontraria nessas milhões de cabeças de gado uma oportunidade de negócio. A corrida do ouro em Minas Gerais exigia proteína, comida para a exploração da colônia e envio de dividendos para a Coroa Portuguesa. Surge o ciclo do charque no Rio Grande do Sul como uma primeira etapa de industrialização organizada. “Nesse período, se estrutura uma elite no Estado que se organiza em torno da produção de um único produto, o charque, para sustentar a exploração do ouro e pedras preciosas em Minas. Quando o Império aumenta o imposto sobre charque no século 19, a elite se organiza, se une e reage com a Revolução Farroupilha”, explica.

Assista ao vídeo de parte da palestra.

A Revolução Farroupilha (1835-1845) permite pensar sobre a identidade do gaúcho, sobre desigualdades sociais e como interpretamos o mito do povo desta terra nos nossos dias. Segundo Péricles, a visão tradicionalista e idealizada do gaúcho constitui, na verdade, o encontro de várias culturas. A cultura gaúcha, a indumentária são articulações de culturas importadas somadas à herança indígena. Tudo foi devidamente  cozinhado no caldo do galpão.

“No ano passado, aqui no Piquete dos Bancários, fiz uma palestra sobre os Lanceiros Negros. Não foi por acaso que esse contingente de escravos empunhava lanças para  defender uma ideologia de elite. Na África, de onde vieram, a lança é um instrumento de sobrevivência. Eles sabiam manejar a lança por ancestralidade. Caçavam, guerreavam e sobreviviam com esta importante arma.”, acrescentou Péricles.

O gaúcho, defende Péricles, se tornou um exímio cavaleiro, desenvolveu a cultura do churrasco, porque as condições sociais e econômicas assim o propiciaram. “Ora, isso aqui é um deserto verde. Uma vegetação rasteira que alimentou um gado que se reproduziu por 50, 60 anos. As grandes concentrações urbanas, cidade como Santa Maria, começaram a se desenvolver mesmo a partir do século 19. Não havia outra maneira num espaço descampado com rios muito longe um do outro de se deslocar a não ser com cavalo”, acrescentou.

Dessa observação, Pérciles passou para a explicação do nosso tempo. Uma cultura híbrida que tem a bombacha importada como sobra da Guerra da Crimeia, o chimarrão dos guaranis, lenço, da cultura árabe, criou um ethos guerreiro e polarizado. “Somos um povo guerreiro. E isso é muito bom, mas, ao mesmo tempo, nos divide. Somos chimangos ou maragatos, gremistas ou colorados. O problema é que hoje, nos nossos dias, essa veia guerreira tem-se manifestado em uma polarização política perigosa. Vemos nas redes sociais, nas ruas, a manifestação disso sob a forma de intolerância. Por isso também é que há gente pedindo a volta da Ditadura Militar.

Veja álbum de fotos da palestra no Piquete dos Bancários.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, elogiou a palestra e disse que se tratou de mais uma oportunidade criada pelo Sindicato para conhecermos a nossa história para compreendermos o nosso tempo. “Um povo como o nosso que é trabalhador e guerreiro precisa saber também do quanto de mito há em nossa história. A palestra é importante também para sabermos quais são as nossas lutas históricas e quem criou muito mitos e por quais motivos”, avaliou Gimenis.

Agende sua atividade no Piquete dos Bancários

> Período de agendamento para reservas: De segunda a quintas-feiras, com patrão do Piquete Edson Rocha (9806-0007).

> Vésperas de feriados e feriados a utilização do espaço obedece à ordem de chegada assim como nos fins de semana (sábados e domingos).

Encomendas da camisa oficial do Piquete dos Bancários: Com o patrão do Piquete Edson Rocha (9806-0007)

Seguem abaixo os valores da indumentária.

Camisa polo (manga curta): R$ 50

Camisa social manga longa: R$ 80

Colete: R$ 100

Casaco: R$ 200

Tema do Piquete 2015

Para a edição deste ano do Acampamento, cujo tema é “Trabalho Campeiro e Formação do Gaúcho”, o Piquete da nossa categoria desenvolve pesquisa sobre a importância do cavalo na história do Rio Grande, com coordenação do historiador Péricles Gomide.

Programação Cultural Sábado, 12/9 | 12h*: Torneio de truco de duplas.

Domingo, 13/9 | 12h*: Torneio de truco de trios.

* Horário de início das inscrições.

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2015/09/bancario_piquete_10092015bx.pdf

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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