Pagamento da PLR do Banco do Brasil: primeiro os acionistas, depois os bancários

Pela primeira vez em mais de uma década, BB paga dividendos aos acionistas antes da PLR dos funcionários

Não é novidade para ninguém que o governo de Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes não tem nos trabalhadores uma de suas prioridades. Nesta quarta-feira, 3/3, em todo o país, os bancários e bancárias do Banco do Brasil (BB) sentiram no bolso os impactos dessa política. Pela primeira vez em mais de uma década, o pagamento da
Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos funcionários não aconteceu na mesma data em que o benefício é distribuído aos acionistas.

Em vez de ter sido pago na quarta- feira, 3/3, o valor só será depositado na conta dos trabalhadores no dia 17 de março, 10 dias úteis depois. É ainda mais revoltante pensar que isto acontece justamente em meio a uma pandemia que afetou a saúde e as finanças das famílias brasileiras.

Diretora do SindBancários e funcionária do Banco do Brasil, Bianca Garbelini explica que, embora decepcionante, o intervalo de 10 dias úteis entre o pagamento da PLR aos acionistas e aos trabalhadores não é ilegal, pois este é o prazo máximo estipulado no acordo coletivo. Entretanto, esta já era uma tradição de mais de uma década. “Todo ano nós, do movimento sindical, pedíamos para que este pagamento fosse antecipado, e éramos atendidos. Era também um símbolo de respeito com quem constrói o resultado da empresa”, argumenta.

Bianca reforça, ainda, o alinhamento de uma decisão como esta ao pensamento que guia a gestão de Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes no BB. “Não tem compromisso com as pessoas, só querem vender o banco”, resume. Num país que sofre com o pior momento da pandemia da Covid-19, com taxas de informalidade na economia de quase
40% e desemprego rondando os 14,5%, a não antecipação da PLR do BB é também uma crueldade. “Os colegas estão chateados, sentindo-se desvalorizados e desrespeitados. O pessoal já estava contando com este dinheiro, precisando pagar conta. Além disso, hoje, muitos bancários e bancárias são as únicas fontes de renda de toda uma família”, complementa. Medidas como esta inserem-se num contexto de mudanças promovidas dentro do Banco
do Brasil pelo governo Bolsonaro. Eles falam em reestruturação, mas, na verdade, é desmonte.

Números do desmonte

  • Desativação de 361 unidades, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 Postos de Atendimento (PA)
  • Conversão de 243 agências em PA
  • Transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem a oferta de guichês de caixa
  • Demissão de 5 mil funcionários

Fonte: Imprensa/SindBancários

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