Os senadores traíras do RS que votaram contra o povo

Com exceção de Paulo Paim, os outros dois senadores do RS, Heinze e Lasier Martins, prejudicaram aposentadoria dos trabalhadores

Para a maioria dos trabalhadores, o período noturno serve para dormir e recuperar as forças para um novo dia de labor. Mas há quem aproveite a calada da noite para conspirar e agir em causa própria e contra os que trabalham. Há muitos exemplos, mas aqui trata-se de focar nos três senadores eleitos pelo povo gaúcho para bem representá-lo na Câmara Federal. Paulo Paim (PT) votou contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de Bolsonaro, que foi aprovada – ela aumenta a idade para aposentadoria de homens e mulheres e reduz o valor das aposentadorias e pensões, empobrecendo ainda mais os idosos.

A PEC 06/2019 foi aprovada por 56 votos a 19 em primeiro turno no Senado na terça-feira, 1º/10. Justamente no Dia do Idoso. E deve entrar em votação no plenário em segundo turno até o final deste mês.

Mas, é como dizia o genial jornalista e humorista gaúcho Barão de Itararé (1895-1971): “De onde menos ser espera, dali é que não sai nada mesmo”. A frase se adapta com perfeição aos outros dois senadores atuais do RS – Lasier Martins (Podemos) e Luís Carlos Heinze (PP). Ambos são defensores dos interesses do mercado financeiro, do grande empresariado, bancos, agronegócio. E deles sempre se pode esperar exatamente isso.

Na madrugada

A reforma que votaram na madrugada, longe de olhos e ouvidos do eleitorado, refletiu esta postura. Já haviam votado a favor na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e silenciaram sempre sobre a proposta, cruel e perversa. Uma postura bem diversa da de Paim, ex-metalúrgico que sempre foi contrário a esta reforma e percorreu o RS e outros estados ouvindo a sociedade e denunciando as maracutaias inseridas no projeto, muitas vezes omitidas pela grande mídia.

Já para quem votou nos dois senadores gaúchos de Direita, outra sacada do Barão serve direitinho: “O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato”. E conhecendo a trajetória de Lasier e Heinze, é de ter vergonha mesmo. Se não, vejamos.

Racista do Ano

Luis Carlos Heinze, arrozeiro e membro da Farsul é ferrenho inimigo dos chamados agricultores sem-terra. O nome do seu partido é “Progressista”, mas o progresso que eles almejam não inclui todo mundo. Em uma audiência pública no estado, em 2013, para tratar de conflitos agrários, ele declarou publicamente sua profissão de fé, que exclui grande parte da população gaúcha e brasileira: “Índios, gays, lésbicas, quilombolas são tudo o que não presta”.

Por essas e outras, já em março de 2014, foi eleito pela organização não-governamental inglesa Survival o “Racista do Ano”. Talvez até tenha orgulho do título. Afinal, sua trajetória política sempre marchou no passo de ganso. Começou no PDS (que sucedeu a Arena, da Ditadura Militar), depois foi para o PPB – liderado então por Paulo Maluf, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro. Aqui, vale lembrar mais uma do Barão de Itararé: “Diz-me com quem andas e eu te direi se vou junto”. Enfim, hoje o partido de Luiz Carlos Heinze chama-se apenas PP.

Estrela midiática

E temos o outro senador gaúcho. Todos conhecem – foi estrela do “Jornal do Almoço” da RBS TV durante décadas. Na RBS consolidou sua aparência de moderado e responsável. Mas… é como dizia o impagável Barão: “A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana”. Enfim, Lasier já indicava seu rumo ainda moço, quando foi membro da Arena Jovem, marcando seu com promisso com o conservadorismo e o elitismo.

Porém, na vida privada, este árbitro da moralidade sempre pode usar a fama midiática. Em 2014, foi condenado a indenizar o policial federal Gilnei da Costa Carvalho, por ofensas pessoais no exercício de suas funções. Tudo teria começado quando o senador solicitou dois passaportes em nome de suas filhas menores. A certa altura, o policial pediu que Lasier apresentasse seu RG – como manda a lei. Sem o documento na ocasião, o comentarista alterou-se e começou a gritar que todo mundo sabia quem ele era. E lá pelas tantas, passou a ofender o servidor público aos berros. “Burocrata, vagabundo, filho da puta, recalcado, vai à merda!”, foram alguns dos impropérios lançados pelo então candidato ao Senado.

Graças ao poder econômico e das altas influências, conseguiu safar-se das ações, sendo depois beneficiado pela ex-ministra Ellen Gracie do STF (então, ainda no TRF-4), Ellen Gracie. Mas a ação indenizatória atingiu não só ao locutor-comentarista mas também a Rádio Gaúcha, tendo atingido a casa dos R$ 100 mil para cada um, mais os honorários advocatícios.

Em 2017, Lasier voltou às páginas policiais por ter agredido sua mulher – a jornalista Janice Santos – no apartamento em que moravam em Brasília. Lesão corporal e injúria foram as denúncias, e ela disse que não foi a primeira vez que sofreu agressões do sóbrio Lasier.

Na política, depois da Arena ditatorial Jovem, já nos anos 2000 entrou no PDT (2013 a 2016), de onde saiu para não ser expulso pela direção do partido: em dezembro de 2016, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos. No mesmo mês, anunciou seu adeus ao trabalhismo, após o presidente da sigla, Carlos Lupi, defender a expulsão do senador. Ele contrariava as orientações da legenda, tinha votado pelo impeachment golpista da presidente Dilma Rousseff e a favor da PEC do Teto de Gastos Públicos, que congelou por 20 anos os recursos para educação, saúde e outros benefícios básicos à população.

O mal do governo

Pulou ao PSD entre 2017 e 2019 e hoje despacha no PODE (Podemos), onde defende o grande capital e tudo que caracteriza as políticas de direita. As ações e o comportamento parlamentar de Lasier, Heinze e outros seguem a mesma ótica de Paulo Guedes e demais concentradores de renda hoje alojados em Brasília. Vamos recorrer de novo ao imortal Barão de Itararé: “O mal do governo não é a falta de persistência, mas a persistência na falta”.

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