Ódio e misoginia impõem agenda de retrocessos a mulheres

Espiral crescente de estupidez que ameaça cultura de defesa e de valorização da mulher começou com impeachment de Dilma e já se amplia com visão discriminatória de atual governo federal

Façamos os cálculos porque eles revelam a natureza política do aumento da violência contra a mulher. Desde que a presidente Dilma Rousseff sofreu o impeachment fraudulento em 2016, começou a ser cozinhado no Brasil um caldo de misoginia e discriminação contra as mulheres. Não por acaso, o protótipo de mulher de Michel Temer, o golpista, era sua esposa bela, recatada e do lar. A espiral crescente de estupidez contras a mulheres explodiu sob o nome de Jair Bolsonaro.

A soma da tragédia pode ser traduzida em números. Se o recato e a beleza eram as virtudes das mulheres em Temer, em Bolsonaro, elas são melhores porque vestem rosa e podem até ver Jesus na goiabeira depois de ser abusada. E, claro, costumam ser lindas, mais “bonitas que as feministas”.

A secretária Estadual das Mulheres do PT-RS, Misiara de Oliveira, deu contornos concretos a essa tragédia cultural que se anuncia. Somente no RS, a Procuradoria das Mulheres da Assembleia Legislativa já contabilizou o estrago feito pelo governo Temer. No Rio Grande do Sul, de 2017 para 2018, o número de feminicídios cresceu 41%, saltando de 83 para 117.

“Desde 2016, com a retirada da presidenta Dilma, o Brasil vive a retomada de uma cultura de ódio e misoginia. É uma cultura que pensávamos estivesse superada na Ditadura Militar. Vemos os avanços em termos de políticas púbicas para as mulheres que construímos em risco. Quanto maior a crise política, maior a retirada de direitos. As mulheres são as mais afetadas pela agenda de retrocessos”, avaliou Misiara na abertura do Painel: Feminicídio, Violência contra as mulheres e Direitos Reprodutivos.

Feminicídio é global

A advogada e assessora da ONG Themis, Renata Jardim, lembrou que 2015 foi um ano marco na luta das mulheres. Foi quando o feminicídio virou crime no Código Penal. A ativista avisa que a pauta do feminicídio é global, mas que precisa de uma definição mais precisa no Código Penal. Renata diz que o conceito “mortes evitáveis” ampliaria o entendimento do feminicídio.

Isso porque incorporaria dois tipos de mortes violentas, as intencionais e as não intencionais. “Há países em que as mulheres são mortas por problemas com os dotes obrigatórios. No que se refere às mortes violentas não intencionais, estão as questões de saúde, como partos e abortos inseguros. Mulheres pobres e mulheres negras são as que mais morrem por violência. Em sua maioria, essas mortes ocorrem porque elas não registram boletim de ocorrência”, explicou Renata.

Saúde da mulher investimento público

Pensar na saúde da mulher, impõe compreender uma questão de investimento em melhoria das condições de vida das mulheres. A médica de família e integrante do Fórum Aborto Legal e do Grupo Musas, Camila Giugliani, expõe uma preocupação relacionada com a direção política que as decisões do atual governo estão tomando. As mulheres, para Bolsonaro e sua turma, são culpadas por serem estupradas, pela gravidez de risco.

Essa forma de enxergar a questão é muito perigosa. “No Brasil, estamos na contramão. Estamos vivendo um período de cerceamento dos nossos direitos. Há uma moralização das nossas vidas. Há recursos para investimento mas não tem comprometimento político”, apontou Camila.

Ciclo de violência

O painel da manhã do 8 de março se encerrou com o recado da Defensoria Pública. Liliane Braga Luz de Oliveira, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública, lembrou que o 8 de março foi definido como data de luta das mulheres pela ONU em 1975. Há avanços, como a conquista do voto, mas há retrocessos.

Pelo viés dos crimes contra o corpo da mulher, a defensora indica a existência de um ciclo que se repete. A primeira fase é a da tensão do homem, em geral familiar, com a mulher. A fase seguinte é a de explosão, com violência moral e física. A última fase é o feminicídio. “A violência não é só física, mas psicológica. Pode ser patrimonial. Está na Lei Maria da Penha. Diversos direitos já foram alcançados, mas há muito ainda a conquistar no caso das mulheres”, finalizou a defensora pública Liliane Braga.

Fonte: Imprensa SindBancários

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