O traço da solidariedade bancária em defesa da democracia

Diretor do SindBancários, Andrei Teixeira, colega do Banco do Brasil, participou de ato em defesa do chargista Renato Aroeira, em junho, publicando umas das 400 charges denunciando censura e perseguição pelo Governo Federal

Os artistas, o povo da comunicação, os chargistas, enfim, aqueles que trabalham com algo que parece até inútil às vezes têm um propósito fundamental para um bem de todo o povo de um país: o de serem indicadores do estado de ameaça em que a nossa democracia anda metida. Em junho deste ano, o governo Bolsonaro expôs seu autoritarismo mais uma vez ao perseguir o chargista e cartunista Renato Aroeira.

Um bancário do Banco do Brasil, recentemente eleito diretor do SindBancários, se levantou em solidariedade ao colega. Aliás, levantou seu lápis e saiu em sua defesa e, claro, em defesa da democracia. O colega do BB, Andrei Teixeira, foi um dos 400 chargistas que participaram de um ato de solidariedade a Aroeira.

Esses 400, assim que souberam que o ministro da Justiça, André Luiz Mendonça, pediu abertura de inquérito para investigar a charge de Aroeira resolveram publicar em suas redes sociais uma charge continuada, quer dizer, reproduzi-la em seus espaços virtuais nas redes, acompanhada da hashtag #SomosTodosAroeira.

Lá pelas metades de outubro, 109 desses chargistas foram agraciados com o Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado. Nosso colega Andrei não está entre esses agraciados com um dos mais importantes prêmios da imprensa do país, mas recebeu o afeto de Aroeira em uma postagem que ele fez para agradecer aos bravos que se levantaram para denunciar criativamente a censura e defenderam a democracia.

“A charge sempre serviu como válvula de escape para mim. Penso que a charge ocupa um espaço importante na comunicação humana, especialmente quando nos faltam palavras para expressar a contento o tamanho da nossa indignação. Foi assim que aconteceu comigo e imagino que com outros mais de 400 chargistas quando foi noticiada a perseguição criminosa deste governo ao Aroeira”, conta Andrei, falando sobre sua iniciativa.

De fato, Andrei estava ao lado de nomes de uma constelação de chargistas do país. Nosso colega cerrou fileiras em defesa do direito de dizer a palavra, como dizia Paulo Freire, com caras como Duke, Latuff, Miguel Paiva, Quinho e Benett. Todos eles defendendo seus direitos à livre expressão e lutando contra a intimidação escamoteada pelo pedido de investigação do governo Bolsonaro.

“Uma tentativa explícita e escandalosa de intimidar e calar as artes e a imprensa. O resultado foi uma resposta imediata e contundente mostrando que não há mais espaço nem aceitação para esse tipo de autoritarismo, deixando claro que fascistas não passarão. O prêmio é um reconhecimento necessário, que nos dá ânimo para continuar lutando em todas as frentes”, acrescentou Andrei, que tem formação como publicitário.

Não foi só Aroeira que esteve na mira do ministro da Justiça. O jornalista Ricardo Noblat também foi intimidado pelo ministro da Justiça, André Luiz Mendonça. O ministro pediu à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para abrirem inquérito e investigar a charge que mostra Jair Bolsonaro transformando uma cruz hospitalar em uma suástica nazista.

A charge inspirada de Aroeira(veja abaixo), publicada por Noblat, foi uma resposta ao pedido do presidente da república aos seus apoiadores para invadir hospitais que tratam pacientes de Covid-19. Bolsonaro dizia que não tinha tantos doentes no brasil. O tempo acabou por dar razão ao escracho quando mais de 170 mil brasileiros já morreram infectados pelo novo coronavírus.

A triste moral desta história em que um colega bancário fez sua parte é saber que voltamos aos velhos tempos da Ditadura Militar (1964-1985). O legal é saber que a democracia nos dá uma lição de boa saúde. A prova disso? Tantos chargistas publicando livremente para mostrar o quanto a democracia prescinde de resistência.

Veja aqui o perfil do somostodosaroeira no Instagram e veja as charges e cartuns. 

Aroeira parabeniza cartunistas que participaram da “pândega de resistência”

Parabéns para os mais de 400 cartunistas que participaram dessa “pândega de resistência” (que virou ataque)… Parabéns ao Duke pela ideia, e ao Brum pela organização e centralização, artífices dessa onda de solidariedade… E parabéns à Pirralha, um coletivo de chargistas e cartunistas com 74 artistas (é isso, Brum?), mas que fazem mais barulho que uma centena – cujo talento, solidariedade, posicionamento e generosidade transformaram uma charge comum em uma estilingada na testa. Parabéns a tantos Davis. É com pedradas assim que se derrubam os Golias…

Um agradecimento especial ao pessoal do prêmio, que inventou uma categoria especial – o Prêmio Vladimir Herzog Continuado, só pra poder premiar a iniciativa.

Leia aqui o agradecimento de Aroeira em postagem no facebook aos chargistas solidários

Fonte: Imprensa SindBancários

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