O “cestou” que pesa no bolso e no estômago

Cesta básica de Porto Alegre aumenta 5,51% em março e atinge R$ 734,28

O preço da cesta básica em Porto Alegre teve aumento de 5,51% entre fevereiro e março deste ano, custando R$ 734,28 — equivalente a 65,50% do salário mínimo líquido dos trabalhadores da capital gaúcha. Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na quarta-feira, 6/4.

A alta torna a cesta básica de Porto Alegre a quarta mais cara entre as capitais brasileiras, segundo o estudo. No topo do ranking está São Paulo, onde o valor foi de R$ 761,19 em março, após variação de 6,36%, seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 750,71) e por Florianópolis (R$ 745,47).

Nos primeiros três meses de 2022, a cesta básica porto-alegrense variou 7,52%. O aumento em 12 meses foi de 17,79%.

Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.212,00, o Dieese aponta que a jornada de trabalho para comprar os itens de necessidade básica na capital gaúcha seria de 133 horas e 17 minutos. O salário mínimo necessário para bancar a cesta básica seria de R$ 6.394,76 — 5,28 vezes maior que o valor atual.

Por que o preço subiu?

O custo da cesta básica em Porto Alegre foi puxado pelo aumento nos 13 produtos compõem o conjunto de gêneros alimentícios essenciais previstos.

Ficaram mais caros: o tomate (23,50%), o leite (9,84%), a banana (6,60%), o pão (6,13%), a batata (5,75%), o óleo de soja (5,30%), a farinha de trigo (5,30%), o arroz (5,28%), a carne (2,34%), o café (2,16%), a manteiga (1,58%), o feijão (1,07%) e o açúcar (0,89%).

O preço do feijão, óleo de soja, quilo do pão francês e farinha de trigo subiu em todas as capitais estudadas pelo Dieese entre fevereiro e março. A variação nos dois últimos itens está relacionada à redução da oferta de trigo no mercado externo, uma vez que Rússia e Ucrânia estão entre os maiores produtores mundiais do grão.

Sobre o óleo de soja, a instituição destaca que os aumentos do petróleo pressionam o item, por tornarem vantajosa a produção de biocombustíveis.

Cesta básica aumentou em todas as capitais

O preço da cesta básica subiu em todas as capitais brasileiras em março. O Dieese registrou as maiores altas no Rio de Janeiro (7,65%), Curitiba (7,46%) e São Paulo (6,36%).

Entre as 17 capitais acompanhadas pelo Dieese, a cesta básica mais cara foi observada em São Paulo, aos R$ 761,19. Este valor representa 67,90% do salário mínimo, de R$ 1.212,0, e indica que são necessárias 138 horas e 10 minutos de trabalho para que um trabalhador que receba o mínimo legal possa comprar o conjunto de itens.

Com base nos números de São Paulo, a instituição calcula que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas seria de R$ 6.394,76, valor 5,28 vezes superior ao mínimo corrente. No mesmo mês de 2021, o salário mínimo necessário calculado pelo Dieese era de 5.315,74, 4,83 vezes o mínimo vigente à época (R$ 1.100).

Além de São Paulo, Rio e Curitiba, registram aumento nos preços da cesta básica em março Florianópolis (5,36%), Porto Alegre e Campo Grande (ambos em 5,51%), Brasília (5,02%), Belo Horizonte (4,28%), Fortaleza (4,17%), Goiânia (3,49%), João Pessoa (3,37%), Vitória (3,28%), Natal (3,25%), Recife (2,25%), Belém (1,29%), Aracaju (1,58%) e Salvador (1,46%).

A variação de preços do óleo de soja oscilou entre 2,81%, em Belém, e 15,89%, em Salvador. Enquanto isso, a alta do pão francês atingiu 6,63% em Aracaju e 6,36% em Goiânia, segundo a instituição.

“O preço do quilo do pão francês aumentou em todas as cidades, em consequência da redução da oferta de trigo no mercado externo, uma vez que Rússia e Ucrânia estão entre os maiores produtores mundiais do grão”, diz o texto do Dieese.

Clique aqui para acessar o estudo do Dieese

Foto: Reprodução

Fonte: CUT-RS com Dieese e Jornal do Comércio

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