O banco da matemática?

Dirigente do SindBancários e empregada da Caixa comenta live da sexta-feira, 24/4, em que o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, gabou-se dos números favoráveis e voltou a falar da intenção de fazer IPO

Caroline Heidner*

Há pouco o presidente da Caixa participou de uma live no canal do jornal Valor Econômico no YouTube.

Repetidas vezes disse que a Caixa, sob sua gestão, é o “banco da matemática”, que nada que não tenha embasamento na matemática foi e nem será feito.

Gabou-se de presidir o banco com o maior índice de Basileia e o maior volume de liquidez entre os grandes bancos.

Esqueceu de dizer que parte significativa dessa capitalização se deu às custas do plano de saúde dos empregados.

O teto estatutário no custeio do Saúde Caixa, ainda que tenha tido sua aplicação postergada por força do Acordo Coletivo de Trabalho, pelo simples fato de já constar no estatuto desde 2018 permitiu à Caixa reduzir uma enorme parcela do provisionamento do plano no seu balanço.

Também disse que a Caixa tem aumentado seu market share. Destacou seguros, cartões e asset management como segmentos asset light, com menos risco de crédito e pouco comprometimento de capital.

Perguntado sobre a abertura de capital desses segmentos, afirmou que as operações de joint venture de seguros e de cartões “estão andando muito bem”. Que as seis joint ventures realizadas no segmento de seguros representam mais R$ 10 bilhões no resultado da caixa.

Ponderou que o “banco da matemática” não fará IPO com a bolsa a 70.000 pontos como agora, mas deixou claro que, assim que a pontuação da bolsa atingir pontuação capaz de pagar “o preço justo” pelas subsidiárias, fará a abertura de capital.

Antes do Coronavírus, a bolsa estava operando em 120.000 pontos.

Mas se o próprio Pedro Guimarães destaca que é em cartões, seguros e asset que estamos ganhando mercado, crescendo no market share, “o que significa que temos um resultado mais consistente e menos impactado por esta crise do ponto de vista de provisões”, por que abrir o capital das subsidiárias? Por que abrir mão da rentabilidade no longo prazo?

Essa matemática não fecha. Nem poderia! O IPO das subsidiárias é uma imposição política de Paulo Guedes que Pedro Guimarães tem a tarefa de executar.

A sustentabilidade financeira da Caixa é com a Caixa 100% pública!

*Diretora do SindBancários e empregada da Caixa

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