Novas tecnologias elevam lucros dos bancos e ameaçam o emprego dos bancários

Santander: fechamento de agências, demissões e contratação na área de TIs, agentes financeiros autônomos e PJs são ameaças reais à toda a categoria

Cátia Uehara, técnica da Subseção do Dieese do Sindicato dos Bancários/SP, fez um balanço dos lucros do Santander e dos impactos das plataformas digitais no emprego e na vida da categoria bancária – uma tendência em todo o sistema financeiro.  “Em 2020 o lucro já estava num patamar elevado. No segundo trimestre houve queda em função da pandemia da Covid-19, mas no segundo trimestre deste ano, o banco faturou R$4,1 bilhões, representando um aumento de 102% em relação ao ano passado e o maior lucro trimestral de sua historia”, disse ela (foto ao alto).

Uehara destacou que o crescimento da rentabilidade do grupo espanhol passa pelo corte de custos com mão de obra e das despesas com as agências físicas, que foram fechadas, bem como com a tendência do crescimento das plataformas digitais, com as quais os grandes bancos tentam competir com as chamadas fintechs.

Lucro global do Santander

“Na fatia do lucro global do Santander no primeiro semestre de 2021, o  Brasil respondeu pela segunda maior participação nos ganhos do grupo espanhol, atrás apenas dos EUA”, explica. Em junho deste ano, a oferta de crédito cresceu 30% se comparado ao mesmo período de 2020 e a inadimplência foi de 2,2%, inferior aos  2,4% do mesmo mês do período anterior.

“Em 2021 não há sinais de PDD (Provisão de Devedores Duvidosos) como no ano passado. Isto significa que o banco já visualiza melhoria da economia do ponto de vista do crescimento de seus lucros – mas não para a vida dos trabalhadores”,  analisa.

Carteiras digitais

A técnica do Dieese explica ainda que, em função da pandemia e do consequente isolamento social, os bancos investiram ainda mais nas carteiras digitais, favorecidos pela reforma trabalhista, a digitalização, alterando formas de contratação, o que afeta diretamente a categoria bancária.

“Houve um aumento de clientes digitais de mais 20% no banco, cerca de 17 milhões de consumidores, uma tendência do impacto tecnológico no trabalho bancário”. Cátia disse que cresce no setor financeiro novos tipos de contratações, como agentes autônomos de investimentos, PJs, que não são bancários cobertos pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.

“A XP tem mais de 8 mil trabalhadores neste modelo de empregabilidade”, disse. O aumento da relação dos custos do banco com pessoal também chama a atenção. A economista disse que “as tarifas cobradas dos clientes já cobrem em 215,8% as despesas com pessoal, a maior entre todos os bancos. A redução nestes custos este ano, em relação à 2020 é de 3,5%.

A explicação está no fechamento de agências físicas, na redução de custos em função da pandemia com relação às despesas administrativas e a implantação do home Office. “O banco economizou R$43,5 milhões com a redução de vigilantes, transporte de empregados, eliminação de mão de obra e alugueis de unidades físicas extintas”, aponta a economista.

As novas tecnologias impactam diretamente sobre o emprego no setor financeiro. “Cada vez mais cresce o novo contexto no sistema financeiro, com transformações dentro e fora dos bancos, em função das fintechs, que são 100% plataformas digitais, e que têm sido uma grande preocupação dos grandes bancos na conquista de clientes”, ressaltou. Já há, inclusive, empresas de plataformas digitais prestando serviços para os grandes bancos.

Relação de trabalho

Em 2019 havia 12 lojas de plataformas digitais e em 2020 o número saltou para 99. “Não há número oficias de empregados, não se sabe as condições de trabalho e nem há representação sindical para estes trabalhadores”, alerta Cátia. Ela lembra ainda que estes funcionários têm atribuições de um bancário, mas o salário médio está aquém do piso da categoria: eles ganham cerca de R$1.800 mais comissão.

As mudanças tecnológicas estão levando a um aumento no número de vagas para TIs (Técnicos em Informática) e trabalhadores terceirizados nos bancos em função desta tendência. É o caso do Santander Tecnologia e Inovação, localizado no polo de inovação Santander Estação 33, em São Carlos (SP).

Há casos em que 70% da mão de obra destas empresas são de terceirizados, sem os direitos previstos na convenção coletiva.

“A SX Negócios, comprada da antiga Toquefale por um milhão de reais já vale muito mais que isso. Eram 200 pessoas trabalhando na empresa e hoje já são mais de 4 mil, nenhum sob a cobertura da convenção coletiva e todos sem a representação sindical da categoria”, alerta.

Categoria ameaçada

Os números apontados no painel do Dieese são assustadores: de 2011 a 2021 houve uma redução de 82.327 2011 postos de trabalho no setor. Fora da categoria, mas dentro do ramo financeiro, com novos modelos de contratação, houve aumento de 150 mil postos de trabalho no mesmo período.

No painel a técnica do Dieese mostrou também que de 2006 a 2019 houve uma brusca queda da participação da categoria bancária nos postos de trabalho do setor financeiro. Em 2006, eram 688 mil trabalhadores no ramo, com mais de 90% de bancários. Hoje o número de trabalhadores saltou para mais de um milhão, porém, menos da metade é composta de bancários.

Calendário de lutas

No encontro foi aprovado ainda que será a COE (Comissão de Organização dos Empregados) que vai definir o calendário de lutas dos bancários do Santander em defesa dos empregos, das condições de trabalho, da aposentadoria complementar, dos protocolos de prevenção à Covid-19 e contra as metas abusivas e o assédio moral. Está na pauta também a luta pelos direitos de quem permanece em home office e contra as práticas antissindicais do Santander.

Fontes: Sindicatos de Bancários de SP e RJ, com Edição de Imprensa SindBancários PoA e Região.

 

 

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