Nota do SindBancários: A tarefa é enfrentar o golpismo nos nossos direitos

Os trabalhadores têm inúmeros motivos para se preocupar com a consumação do impeachment da presidenta Dilma.

Primeiro, o ato mostrou-se claramente inconstitucional, uma vez que não foi comprovado crime de responsabilidade. Foi um julgamento político, patrocinado pelas elites, pelo grande capital. Essa atitude desrespeita o voto popular, onde congressistas, em sua maioria investigados por malfeitos, destituem uma presidente legitimamente eleita.

Segundo, a cada dia ficam mais claras as verdadeiras intenções desse processo. Trata-se de uma ofensiva do capital contra o trabalho, buscando jogar no lombo dos trabalhadores os custos de uma crise econômica que foi produzida pelo capital financeiro e rentista. Os trabalhadores não podem e não vão pagar por uma crise que não criamos.

Sem democracia, nossos direitos não estão garantidos e não há conquistas para os trabalhadores.

Os patrocinadores do golpe já estão operando. A Câmara dos Deputados aprovou uma Medida Provisória de Michel Temer que permite a privatização de todas as estatais. A MP cria o PPI. O Programa de Parcerias de Investimentos facilita a execução de empreendimentos públicos de infraestrutura concedidos à iniciativa privada e também os projetos do Programa Nacional de Desestatização. Ou seja, abre caminho para o setor privado adquirir instituições públicas, como a Caixa Econômica Federal e a Petrobras.

O Governo Federal também não esconde a intenção de impor uma Reforma na Previdência, aumentando idade mínima à aposentadoria e desvinculando os benefícios do salário mínimo e seus reajustes. Também apontam para uma reforma trabalhista, com terceirização de todas as atividades, flexibilizando a CLT, tirando as garantias mínimas constitucionais dos direitos dos trabalhadores.

Essas e várias outras propostas deixam cristalinas as intenções do governo ilegítimo e do Congresso venal.

Não toleramos corrupção. Todavia, o combate à corrupção não pode ser seletivo nem tampouco interrompido ou paralisado. Somos contra qualquer ato de desvio de conduta, doa a quem doer.

O SindBancários está sempre ao lado dos trabalhadoras(es) na defesa de seus direitos, não importando quais governos ou partidos estejam no poder. Enfrentamos a Ditadura Militar. Fomos protagonistas na Redemocratização a partir de 1985. Lutamos por avanços na constituição de 1988. Resistimos aos difíceis tempos do neoliberalismo dos anos 1990, tempos de Collor/FHC.

Nos governos Lula/Dilma, continuamos lutando. Fizemos greves em todos os anos e garantimos conquistas. Obtivemos sucessivos aumentos reais em todo esse período. Criticamos e enfrentamos a política econômica equivocada do segundo governo Dilma.

Neste momento, chamamos a atenção dos trabalhadores para a gravidade da situação do período que vivemos hoje.

Nossa Campanha Salarial, ocorre em um cenário de incertezas. Mesmo diante dessas imensas dificuldades, saberemos, com mobilização e unidade, enfrentar os banqueiros. Entendemos que eles estão entre os principais avalistas e operadores dessas medidas de retrocesso.

Os trabalhadores unidos precisarão resistir e lutar pela democracia. A soberania popular deve ser resgatada. Quem tem que decidir é o povo, no voto. Não podemos aceitar um governo ilegítimo retirando nossos direitos.

Parafraseando a canção gaúcha: “Não tá morto quem luta e quem peleia, pois lutar é a marca dos bancários!”

 

 

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