No 29º dia, greve enfrenta pacto do governo Temer e banqueiros para fazer ajuste fiscal sobre o arrocho dos salários

Atendendo ao chamamento da assembleia da categoria para fortalecimento da greve, mais de uma centena de bancários e bancárias, além de sindicalistas e apoiadores, fizeram um grande ato em frente ao prédio do Santander Cultural, na Praça da Alfândega em Porto Alegre, na manhã desta terça-feira, 04/10. “A nossa luta é justa – estamos enfrentando o sistema financeiro nacional, em conluio com o governo Temer, que quer combater a crise nacional arrochando os salários e os direitos dos trabalhadores”, disse o presidente do Sindicato.

“Não é uma causa apenas dos bancários, são os direitos de todos os trabalhadores que estão em jogo”, complementou Everton Gimenis. Com a presença dos bonecos Bankemon, que animaram o ato, passantes e bancários ouviram o líder sindical relatar: “Na mesa de negociação com a Fenaban, em São Paulo, ouvimos os banqueiros dizerem que podem dar o reajuste que pedimos – mas se comprometeram com Temer a não aumentar salários para ajudar o ajuste fiscal do governo em cima do sacrifício e dos direitos da população”, afirmou Gimenis. “Este é o tamanho da luta que estamos enfrentando”, acrescentou.

PORTO ALEGRE/RS/BRASIL Foto:Caco Argemi/SindBancários

Lição da história

Devanir Camargo, diretor da Fenae e ex-diretor do SindBancários, destacou que na quarta-feira, 05/10 vão se completar 30 dias de greve. “A exploração dos banqueiros não tem limite, mas lutar vale a pena”, garantiu o sindicalista. Ele exemplificou, recordando a história: “Em 1961, com uma greve de 40 dias, os bancários conquistaram um aumento de 31%. E foi na greve de 1962 que a categoria conquistou o 13º salário e o direito de não trabalhar aos sábados. Lutar vale a pena!”, reforçou.  Devanir ainda ressaltou o papel manipulador da mídia: “Estamos chegando a um mês de paralisação, mas o movimento dos bancários é ignorado pela mídia, que não dá destaque à greve nacional”.

Denise Falkenberg Correia, diretora da Fetrafi-RS, chamou a atenção para o local da paralisação: “Aqui era a sede do extinto Banco Meridional, que foi entregue pelo Fernando Henrique Cardoso”. Hoje, conforme avalia Denise, “estamos vendo a volta do pior daqueles anos 90, que causou desemprego e arrocho salarial”.

Congelamento para saúde e educação

Paulo Stekel, diretor do Sindicato, ainda destacou que a partir da quarta-feira, dia 05, o Congresso Nacional deve começar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que visa impedir o aumento de percentual de recursos públicos para a saúde e a educação por nada menos que 20 anos. “Isto é um verdadeiro ataque contra toda a população brasileira. Não podemos permitir – nenhum direito a menos!”, acrescentou.

PORTO ALEGRE/RS/BRASIL Foto:Caco Argemi/SindBancários

Isis Marques, da CUT-RS, reforçou que é fundamental os trabalhadores ficarem unidos na defesa dos direitos, inclusive os servidores públicos. “Até os servidores públicos poderão ser mais precarizados do que já estão”, disse Ísis. “Hoje a luta é mais difícil, pois temos que resistir ao grande capital”, sintetizou a militante.

Retrocesso social

“Os bancos e o governo querem botar no lombo dos trabalhadores a conta da crise”, afirmou Mauro Salles, diretor do SindBancários. “Não são apenas os salários, mas eles querem impor um grande retrocesso social, com reforma da Previdência Social, flexibilizar a legislação para impor uma terceirização sem limites e vender estatais – para os bancos e as multinacionais”, especificou. “Por isso é tão importante resistir”, completou.

Ao finalizar o ato em frente ao Santander, Everton Gimenis recordou que além da questão salarial o movimento grevista tem outras pautas, como a contratação de vagas nos bancos públicos e privados, o aumento da segurança para bancários e clientes, além de outros pontos.

Aliança espúria

No entanto, deixou claro: “A culpa desta greve é toda dos banqueiros. Esta aliança espúria com o governo ilegítimo de Michel Temer visa quebrar a lógica da reposição da inflação, para arrochar os salários. Enquanto isso, as grandes fortunas deste o país seguem sem taxação, as bolsas de valores não são taxadas e os trabalhadores, descontados na fonte, pagam mais imposto que os milionários. Neste momento, a categoria bancária está sendo heróica, ao levar adiante uma longa greve contra o poderio dos banqueiros e do governo”, concluiu o presidente do Sindicato.

 

Fotos: Caco Argemi

 

 

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