Nelson: “É o Banrisul público que garante eventos, festivais e cultura por todo o RS”

Cantor e compositor de sucesso, Nelson Coelho de Castro lembra que postura privatista prejudica imagem do banco e demais empresas públicas no mercado

Série Depoimentos: “Na mira privatista (5)” – Nelson Coelho de Castro

Profundamente identificado com a cidade de Porto Alegre, onde nasceu e cresceu, na Zona Norte, Nelson Coelho de Castro, aos 67 anos, é um dos compositores e cantores mais conhecidos e talentosos de música popular do estado. Com quatro décadas de carreira, autor de dez discos e muitas canções de sucesso, como “Faz a cabeça”, “Zé, aqueles tempos do Julinho”, “Rasa calamidade”, “Vim vadiá”, “Armadilha”, Nelson mostra-se um raro criador de sambas urbanos e MPB, numa geração de amigos e colegas que enveredou principalmente pelo rock, o pop ou o nativismo. Cronista da cidade, do estado, do Brasil e da subjetividade popular, admirador de Leonel Brizola, o artista hoje observa com preocupação o desmonte de grandes empresas públicas pelo governo de Eduardo Leite – como o Banrisul, a Corsan e outras instituições estaduais.

Banrisul: patrocínio espraiado no RS

Nelson diz que jamais teve qualquer incentivo ou patrocínio direto do Banrisul em sua carreira. “Mas”, complementa, “não foram poucas as vezes em que participei de eventos e projetos, festivais, feiras, encontros, seminários culturais por todo o estado, com a marca Banrisul bem presente, como patrocinadora ou apoiadora destas iniciativas”, recorda. “Esta postura atual do governo e da direção do banco não apenas prejudica a economia da cultura, mas nubla e mancha o nome Banrisul no mercado”, entende ele.

Cachorro canalha

Sobre as recentes vitórias eleitorais em eleições no RS e no Brasil, com triunfo majoritário do conservadorismo ou mesmo do extremismo-direitista, o cantor e compositor é filosófico: “Se o atual tsunami capitalista vai durar e dar as caras no planeta ainda por muito tempo, não sei dizer. Mas desde sempre eu sei que, quando ele – o mercado – faz ‘cacaca’, corre ligeirinho para o colo da ‘mãe’ Estado. É um cachorro canalha que morde o rabo: quer o ‘estado mínimo’, mas com o úbere sempre ao lado, à sua disposição”.

O compositor ainda questiona: “Quem foi mesmo que promoveu a dita obesidade do setor público? Foi o povo ou foi a oligarquia? E mais: se não fosse o SUS, como estaria agora este país, na travessia para a barbárie?”, indaga.

Conscientização das pessoas

Nelson Coelho de Castro confia na conscientização das pessoas e no trabalho dos artistas: “Penso que os artistas, de um modo ou de outro, sempre cumpriram e ainda cumprem com esta tarefa de conscientização. Mas poderíamos mais, como o projeto de Descentralização da Cultura que já existiu na Administração Popular de Porto Alegre, incentivando espetáculos e eventos culturais a cargo dos próprias artistas das periferias”, conclui o compositor. 

Fonte: Imprensa SindBancário. Fotos: Arquivo e L.A.Catafesto de Souza (foto ao alto).

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