Negociação do acordo de teletrabalho avança, mas emperra nos R$ 20 de ajuda de custo

Sindicato reafirma que vinte reais proporcionais não é proposta razoável, em especial pelo restante do acordo estar praticamente amarrado

Os sindicatos de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba enviaram na segunda-feira, 27/9, uma contraproposta para o acordo de teletrabalho ao BRDE, que foi debatida com o banco na mesa de negociação ocorrida na terça-feira, 28/9. Na minuta, os sindicatos ajustaram vários problemas identificados na proposta do banco.

Houve acordo para esses apontamentos, como em relação à condição de excepcionalidade do teletrabalho pleno, ao sistema de ponto eletrônico, para o qual o banco ainda não firmou acordo coletivo, à necessidade do banco implementar o bloqueio do sistema após o cumprimento da jornada legal pelo empregado, à preferência para as mulheres que possuem filhos com até 71 meses e a não vinculação da LGPD ao repasse da lista dos bancários em teletrabalho ao sindicato, para fins de campanha de sindicalização, haja vista que as disposições da LGPD não se aplicam ao caso e não podem, portanto, obstruir o acesso do sindicato aos trabalhadores na modalidade remota.

Ajuda de custo

Na cláusula da ajuda de custo, a contraproposta dos sindicatos prevê o valor mensal de R$ 80 para o período da pandemia. Já para o período posterior, R$ 80 no caso excepcional de teletrabalho integral e, nos demais casos, proporcional aos dias trabalhados, sobre a base mensal de 22 dias úteis. Ou seja, a quem ficar 12 dias no mês em teletrabalho, por exemplo, a contraproposta prevê ajuda de custo de R$ 43,64.

A proposta do banco é de R$ 60 ao mês para o período da pandemia e R$ 20 para o período posterior, devidos exclusivamente para o empregado em regime de teletrabalho em mais de 50% da duração do trabalho mensal.

Os negociadores do banco mais uma vez afirmaram que a diretoria não quer melhorar os valores, mas assumiram o compromisso de levar a contraproposta dos sindicatos à apreciação do BRDE.

“Temos hoje um acordo coeso, lapidado em conjunto entre o banco e o sindicato ao longo de vários meses de negociação. Tenho certeza que a diretoria tem tanto interesse quanto os empregados em encerrarmos esse processo na positiva, com o banco preparado para operar no pós-Pandemia. Assim como tenho convicção que chegaremos a uma proposta final razoável para a ajuda de custo destinada àqueles trabalhadores em regime de teletrabalho”, ressaltou o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner.

Para onde foi a economia do banco?

As demonstrações financeiras do BRDE registram, na rubrica “Aluguéis, Condomínios, água e luz” uma economia de R$ 306 mil em 2020 em comparação a 2019. Considerando que o banco não entregou prédios nem deixou de pagar condomínios, trata-se essencialmente de uma economia de água e luz. Mas este gasto não desapareceu, na verdade ele foi transferido para as casas dos funcionários.

Numa conta simples, usando os parâmetros de 2020 como referência, se o BRDE pagar R$ 80 ao mês para 400 funcionários da metade de março até dezembro de 2020, teríamos R$ 302 mil, o que não extrapolaria sua economia. E, na prática, esse valor tende a ser ainda menor, considerando os períodos de férias e o número efetivo de funcionários em teletrabalho, já que alguns permaneceram no presencial. O banco estima que hoje cerca de 15% do quadro esteja no presencial.

No primeiro semestre deste ano, o banco registrou, na mesma rubrica, economia de R$ 56 mil em relação ao mesmo período de 2020.

Mas enquanto o BRDE amplia sua economia, o custo do trabalho transferido para a casa dos trabalhadores aumenta mais do que a inflação. Segundo o IBGE, a energia elétrica registra de janeiro até agora alta acumulada de 20,27%, enquanto que nos últimos 12 meses o aumento acumulado foi de 25,26%. São aumentos muito acima da inflação, o IPCA no ano acumula alta de 7,02% e no acumulado em 12 meses, o índice fica em 10,05%.

A economia que o banco registra em seu balanço, cabe ressaltar, é calculada em comparação ao gasto do ano anterior. Se calculássemos a média de consumo em energia elétrica do período anterior à pandemia aplicada a todos os aumentos acumulados, o número seria ainda mais expressivo.

O BRDE ainda não apresentou nenhuma justificativa objetiva para negar os valores propostos de ajuda de custo. “A diretoria não quer”, não é resposta à altura da categoria bancária.

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