Negociação com o Banrisul avança no combate à violência organizacional

Como principal avanço, o Banco sinalizou com a adesão à cláusula 61 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que trata da solução de conflitos

A negociação entre os Banrisulenses e o Banrisul avançou nesta terça-feira, 9 de agosto. A reunião ocorreu na sede da Fetrafi-RS e teve como pauta respeito no ambiente de trabalho, em particular a proteção dos trabalhadores e das trabalhadoras quanto à violência organizacional e suas consequências.

Como principal avanço, o Banco sinalizou com a adesão à cláusula 61 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que trata da solução de conflitos. Como explicou o assessor jurídico da Fetrafi-RS, Milton Fagundes, a cláusula é de adesão voluntária, mas representa uma importante conquista da categoria. Ela prevê adoção de mecanismos de prevenção de conflitos no ambiente de trabalho e a participação do sindicato nas denúncias.

Os Banrisulenses consideraram positiva a sinalização do Banco, mas acrescentaram que o envolvimento do movimento sindical, como representantes dos(as) trabalhadores(as) deve se dar ao longo de todo o processo, desde a denúncia até a mediação e resolução do conflito e sugeriu que seja criado um Grupo de Trabalho para este fim ou que as questões envolvendo a cláusula 61 sejam acompanhadas por uma Comissão Paritária. A proposta será levada à diretoria do Banco.

Cultura do assédio

Embora tenha um programa para apurar denúncias contra empregados e empregadas do Banco (Programa Orienta), o Banrisul não conta hoje com um processo que envolva os sindicatos. A vítima é ouvida apenas pelo Banco, sem apoio de colegas ou dos representantes dos(as) trabalhadores(as). E a prática do assédio se tornou cultural no Banrisul, conforme os relatos recebidos pelos sindicatos.

“O nosso principal problema com relação a isso é a mudança de cultura organizacional que deu origem a uma cultura do assédio dentro do Banco e os gestores acabam reproduzindo essa cultura. Este é um tema cada vez mais sensível”, pontuou o presidente do SindBancários Porto Alegre e Região, Luciano Fetzner.

“Não há um investimento no Banrisul para mudar a cultura do assédio. As metas continuam abusivas e não foram atualizadas na pandemia, como se a economia estivesse estabilizada. Nós não somos contra metas, mas sim contra o abuso”, cobrou a diretora da Fetrafi-RS Ana Maria Betim Furquim.

Segundo o presidente do Sintrafi Florianópolis, Cleberson Pacheco Eicholz, as demandas dos sindicatos vêm aumentando muito nos últimos tempos no atendimento aos colegas adoecidos pela cobrança abusiva por metas. “Estamos colocando aqui a possibilidade de resolvermos esse problema com a participação do movimento sindical”, frisou.

Sensação de impunidade

A diretora da Fetrafi-RS Raquel Gil de Oliveira lembrou durante a reunião que as mulheres são as maiores vítimas de assédio no trabalho. Uma pesquisa da ONG Think EVA revelou que 47,12% das mulheres já sofreram assédio sexual em algum momento. Uma das constatações da pesquisa é a de que enquanto o agressor sai impune, a vítima é quem sofre as consequências. Uma em cada seis vítimas acaba pedindo demissão e 35,5% afirmam viver sob constante medo.

“A forma como a nossa sociedade trata dessa questão faz com que a mulher negue o assédio. Essa impunidade machuca ainda mais, pois, ‘se eu denuncio e o agressor não é punido, estou me colocando em risco’. A punição acaba sendo para quem denuncia”, ressaltou Raquel.

Reivindicações gerais

Os(as) bancários aproveitaram a reunião para encaminhar oficialmente ao Banrisul pedidos de esclarecimentos e reivindicações:

PPR

Os representantes dos Banrisulenses cobraram do Banco a criação de um grupo de trabalho,  comissão ou mesa permanente para discutir o Programa de Participação nos Resultados (PPR) e seus mecanismos a partir da cláusula 61, se esta for efetivamente assinada durante a campanha salarial. O objetivo é ter clareza sobre os critérios para evitar toda forma de violência organizacional.

Punições a gestores

O movimento sindical solicitou esclarecimentos do Banco quanto à punição a gestores que avaliaram seus subordinados com notas altas. A denúncia chegou até o SindBancários POA.

Contrato de limpeza

Outro pedido de esclarecimento foi quanto à empresa de limpeza que teve seu contrato rescindido e que deixou diversas agências sem manutenção. Foram solicitadas medidas imediatas, pois a falta de higiene coloca em risco a saúde dos banrisulenses e dos clientes.

Prevenção à violência organizacional

Os banrisulenses reivindicaram a participação dos sindicatos na criação de mecanismos de prevenção à violência organizacional, incluindo capacitação de empregados.

Suspensão do processo de Plano de Cargos e Salários

Os representantes dos(as) banrisulenses solicitaram que o Banco suspenda temporariamente, durante o período de campanha salarial, o processo de criação do Plano de Cargos e Salários que vem anunciando internamente sem discussão prévia com o movimento sindical. “Somos completamente contra que qualquer projeto de ascensão seja vinculado a metas, como divulgado pelo Banco. Além de não concordarmos com a forma como o Banco está pensando o processo, não concordamos que esse movimento seja conduzido em um momento de campanha salarial”, pontuou o presidente do SindBancários POA e Região.

Os negociadores do Banrisul ficaram de repassar as reivindicações à diretoria do Banco e retornarem com as respostas em uma próxima reunião. O diretor da Fetrafi-RS Fábio Soares frisou que “a medida que as discussões da campanha avançarem, é preciso resolver um a um dos problemas apresentados, para que não acumule tudo para a última semana de negociação”. O acordo coletivo de trabalho do Banrisul, bem como a CCT devem ser renovados até 31 de agosto.

Fonte: Fetrafi-RS| Fotos de Manoela Frade

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