Não se enganem, foi a luta dos Banrisulenses que, mais uma vez, impediu a venda do Banrisul

Depois que os Banrisulenses peregrinaram pelos gabinetes da Assembleia Legislativa durante praticamente todo o mês de fevereiro para buscar assinaturas que viabilizassem a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Banriuslenses. Assim que os Banrisulenses pintaram com as cores da camiseta azul da defesa do Banrisul público no ato de instalação da Frente, em 22 de março, o Teatro Dante Barone. Mesmo com tanta luta dos bancários e na defesa inclusive de que não é preciso vender nenhuma empresa púbica – CEEE, Sulgás, CRM, Corsan e o Banrisul, é claro –  para o Estado sair da crise financeira em que está metido há décadas, o discurso de integrantes do partido do governador José Ivo Sartori, o PMDB, agora virou o fio. Eles passaram a dizer que nunca quiseram vender o banco público dos gaúchos.

Foi a partir do Ato de Instalação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, em 22/3, no Teatro Dante Barone, a superquarta azul que a narrativa do governo do Estado de venda, federalização ou plebiscito caiu por terra. Lembramos que a narrativa do governo Sartori iniciou com a repetição da crise financeira e da necessidade de vender o patrimônio público para o Estado entrar no Regime de Recuperação Fiscal (PL 343/17) como salvação. Diante da pressão da mobilização dos Banrisulenses, a venda passou a ser federalização. Mais adiante, Sartori testou o discurso do plebiscito. Depois que viu a defesa do banco públicos pelos Banrisulenses, tentou a chantagem. Agora, jogou a toalha.

“Agora que conseguimos superar mais essa ameaça e que o governo do Estado jogou a toalha, começaram a aparecer discursos de que o governador Sartori nunca quis vender o Banrisul. Isso não é verdade. Foi a pressão dos funcionários do Banrisul e o esforço do Sindicato que não mediu esforços e investiu na luta que removeram mais essa ameaça. Tenho repetido aqui um alerta: vencemos essa etapa, mas precisamos ficar atentos. O governo Sartori quer vender o patrimônio público não por necessidade de tirar o estado da crise, mas por ideologia privatista”, diz o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Foi a partir da Plenária dos Banrsiulenses, em 16 de fevereiro, na Casa dos Bancários, que o jogo começou a virar na direção dos trabalhadores. Naquele dia, surgiu uma estratégia alternativa que fez o discurso de crise desmoronar. Durante a reunião dos Banrisulenses, passou a ficar claro que a venda de patrimônio público era uma falácia do governo Sartori. O que se escondia por trás dessa cortina de fumaça era um mau negócio para o Estado. Vender patrimônio público, segundo o Regime de Recuperação Fiscal, daria uma folga de três anos no pagamento da dívida púbica com a União. O problema é que o estoque da dívida cresceria de R$ 50 bilhões para R$ 80 bilhões.

Em seu pronunciamento na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na quarta-feira, 12/4, o presidente do SindBancários provou que vender o Banrisul era uma mau negócio para o povo gaúcho. Um banco público como o Banrisul, lucrativo, que repassa dividendos para ajudar o Estado a investir em saúde, educação e segurança não podia ser vendido. “Quem assume o governo do Estado tem que ter plano A, plano B e plano C. Não pode ficar batendo na mesma tecla da venda, federalização ou entrega de patrimônio público. Os gaúchos sabem fazer contas, assim como os bancários. Manter o Banrisul é que é um bom negócio para comunidades de pequeno porte e para ajudar a quem mais precisa”, explicou Gimenis.

História da luta em defesa do Banrisul público

2015

1º de janeiro: Sartori toma posse, e o Sindicato alerta para o risco de privatização das empresas públicas, do Banrisul e Badesul.

Até setembro: Governador e seus secretários, depois de diagnosticarem situação de falência das contas públicas do Estado, não apresentam alternativas. Neste período, o discurso de crise serve para justificar cortes NBA saúde, segurança e educação. Venda de patrimônio público surge como necessidade para superar a crise.

14 de setembro: Junto com o Sinergisul, Sindiágua, CUT-RS e outros representantes de servidores públicos, o SindBancários lança a Frente em Defesa do Patrimônio Público em ato na frente da Agência Central do Banrisul na praça das Alfândega no Centro de Porto Alegre. Banrisulenses e servidores públicos realizam um abraço na DG.

7 de outubro: Banrisul abre concurso para preencher 300 vagas de escriturário. Sindicato alerta que o número é pequeno e que trata –se de estratégia para precarizar o atendimento e atacar a imagem do Banrisul junto à população.

14 de outubro: Governador Sartori, secretários de estado e o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, recebem, no Palácio Piratini, presidente mundial do Santander. Sindicatpo avisa que Banrisul corre alto risco de privatização.

Dezembro: Banrisul abre processo de seleção de estagiários para preenchimento de 1 mil vagas.

Dezembro: Com uma Assembleia Legislativa sitiada pela Brigada Militar, Sartori leva à votação e aprova pacote de maldades que tem aumento de ICMS e ataque às carreiras dos servidores públicas.

2016

Janeiro a setembro: SindBancários segue alertando para o risco de privatização do Banrisul. Banrisulenses respondem com participação em seminários e atos públicos.

Outubro: Sartori anuncia novo pacote de maldades. Desta vez, o governador envia a Assembleia Legislativa projetos que extinguem Fundações públicas e secretarias. Um dos Projetos de Lei obriga o Banrsiul a pagar R$ 1,2 bilhão pela folha de pagamento dos servidores públicos do Estado.

Dezembro: Sob cerco da Brigada Militar e sob ataques de bombas, Assembleia Legislativa aprova extinção de Fundações e obriga Banrisul a pagar R$ 1,2 bilhão pela folha de pagamento. SindBancários diz que governo do Estado ataca a imagem do Banrisul, fragilizando o atendimento, e cria condições para ampliar aprovação popular para a venda ou federalização.

2017

26 de janeiro: Ministro da Fazenda do governo Temer, o banqueiro Henrique Meirelles, diz em manchete do jornal Valor Econômico, que venda do Banrisul é a condição para o Estado receber ajuda financeira.

Fevereiro: Deputado Zé Nunes propõe a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público. Banrisulenses vão para a Assembleia Legislativa em busca das 19 assinaturas de deputados estaduais para formalizar a Frente. No início de março, peregrinação dos Banrisulenses conquista 24 assinaturas.

16 de fevereiro: Plenária dos Banrisulenses mobiliza para a defesa do Banrisul e sugere alternativa para RS sair da crise. Surge a estratégia do encontro de contas para resolver a crise das finanças do Estado com os créditos da Lei Kandir.

18 de março: Assembleia Nacional dos Banrisulenses, na Sede da Fetrafi-RS  mantém mobilização, vota moções de repúdio à venda do Banrisul e aprova carta aos gaúchos.

19 de março: Mateada e panfletação de material em defesa do Banrisul, no Parque Farroupilha (Redenção), em frente ao Monumento ao Expedicionário, mantém mobilização e conquista apoios.

22 de março: Ato de instalação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul no Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa. Ato deixa o teatro da Assembleia  todo azul, a cor da defesa do Banrisul, e dá mais um passo firme para afastar o perigo da venda da Banrisul, à noite. No início da tarde, programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, transmitido ao vivo da Praça da Alfândega, conquista apoio até da base do governo Sartori contra venda do Banriul.

Início de abril: Desesperado por perder apoio na Assembleia Legislativa, antes de jogar a toalha, governador Sartori, em transmissão ao vivo, faz chantagem: para chamar concurso para Brigada Militar, ele diz que só se houver venda de patrimônio público e assinar o Regime de Recuperação Fiscal.

10 de abril: PDT e PTB anunciam saída do governo Sartori. Governador e seus secretários praticamente jogam a toalha. Dificilmente haverá quórum (33 votos em duas sessões) para Sartori aprovar o fim da obrigatoriedade de plebiscito para vender CRM, Sulgás, CEEE, Corsan e Banrisul.

12 de abril: Presidente do SindBancários, Everton Gimenis, ocupa tribuna da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, e recebe apoio na defesa do Banrisul público até de vereadores do PMDB, partido do governador Sartori. Pelo interior do Estado, segue apoios de Câmaras de Vereadores. A venda do Banrisul passou a ser improvável. Sindicato alerta para os Banrsiulenses continuarem atentos e lutarem na defesa do Banrisul público dentro de suas agências e locais de trabalho.

Fotos: CArol Ferraz e Anselmo Cunha

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER