Mulheres ensinam resistência à reforma da Previdência

Painel político do 8M explica que mulheres serão as mais prejudicadas com aumento do tempo de trabalho para aposentadoria no projeto do governo federal

Assim que quatro das mulheres que mais lutam em defesa dos direitos no país e enfrentaram toda a sorte de infâmias ultradireitistas tomaram assento no segundo painel do Dia internacional da Mulher sob a lona do Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, um grito tomou conta do espaço. “A Previdência é nossa. Ninguém, tira da roça”. Outro também: “Contra a reforma da Previdência, somos resistência”. Estava dado o tom e o tema do segundo painel do dia: Reforma da Previdência: impactos na vida das mulheres trabalhadoras do campo e da cidade.

Há quem pergunte o motivo pelo qual as quatro mulheres painelistas do 8M 2019 acham e defendem que as mulheres serão as mais prejudicadas pela proposta de reforma da Previdência apresentada em 20/2, pelo governo Bolsonaro como PEC 06/2019. As deputadas federais Maria do Rosário e Fernanda Melchionna e as dirigentes sindicais Abigail Pereira e Bernardete Menezes têm argumentos consistentes para fortalecer a opinião de que sim, as mulheres serão mais prejudicadas.

A tese de fundo dessas mulheres que estudaram bastante o projeto de reforma da Previdência se refere ao aumento da idade mínima para aposentadoria. Somente a partir dos 62 anos a mulher poderá reivindicar aposentadoria. Mas aí ela poderá não receber sua aposentadoria integral.

A vida prática

Mas o que tem de tão ruim para as mulheres? A vida prática. As mulheres exercem mais de uma atividade laboral. No trabalho, em casa e com o cuidado dos familiares doentes. E, segundo o que o IBGE divulgou na sexta, 8 de março, as mulheres recebem 20,5% menos em termos de renda do que os homens na mesma função.

A partir daí, podemos imaginar que essa jornada tripla, quádrupla das mulheres impõe riscos maiores dentro do ambiente de trabalho. A mulher perde mais emprego do que o homem. Precisa mais abrir mão da carreira para cuidar do(s) filho(s).

O resultado é que os 40 anos necessários para se aposentar com aposentadoria integral podem virar 45 e até 50. E se não conseguir cumprir essa sina de trabalhar tanto, vai receber um salário de miséria.

Maria do Rosário quer ver as pessoas na luta, na resistência, motivadas e mobilizadas para derrotar o que ela chama de Deforma da Previdência. “Estamos cavando uma trincheira para defender direitos contra um presidente que detesta as mulheres. A mulher cuida de tudo que respira. A reforma da previdência vai tirar o pão da mesa. Significa a miséria dos brasileiros e principalmente das brasileiras”, ensina Maria do Rosário.

Sabe quanto paga mas não sabe quando recebe

A dirigente do PCdoB, Abigail Pereira, descreve o projeto de reforma da Previdência como mais um golpe. Trata-se de utilizar uma lei complementar a PEC 06/2019, para realizar alterações constitucionais.

E tem mais: o pacote se fecha com a MP 873/2019. Bolsonaro e Paulo Guedes, na sexta-feira de carnaval, assinaram a MP que ataca as entidades sindicais. Impede que os sindicatos enviem boletos para os trabalhadores para pagamento da contribuição sindical. Não por acaso, a tentativa de enfraquecer os sindicatos ocorre durante a resistência justamente à reforma trabalhista.

“A democracia está sendo ultrajada. Tu vais saber quanto tem que pagar, mas não sabe quando recebe e quando começa a aposentadoria. 80% dos aposentados recebem dois salários mínimos. Não são os trabalhadores responsáveis por déficit na Previdência que nem existe”, acrescentou Abigail.

O rombo é culpa dos bancos

A deputada federal Fernanda Melchionna não tem dúvidas sobre a responsabilidade de eventual rombo que tenha na Previdência. Não há rombo. O que há é dinheiro que sai dos bolsos dos trabalhadores e vai direto para os banqueiros. Quando o ministro da Economia Paulo Guedes diz que vai economizar R$ 1 trilhão em 10 anos com a reforma devemos entender que esse dinheiro sairá dos bolsos dos trabalhadores para pagar juros de dívida pública aos bancos.

“O rombo é culpa dos bancos. Paulo Guedes diz que os problemas são culpa dos aposentados. Esse governo reúne tudo de ruim. Não precisamos que abram as portas para nós. Nós abrimos as portas. E, se precisar, derrubamos as portas”, disse Fernanda, referindo-se à importância da luta de resistência contra a reforma da Previdência.

A diretora da Adufrgs, Bernardete Menezes, exaltou o 8M em todo o mundo. Há luta de resistência ao fascismo na Itália, nos Estados Unidos e a luta da Venezuela. “Somos mulheres de tradição na luta em defesa dos nossos direitos. Não estamos aqui sozinhas. É difícil ser feminista num país dirigido por fascistas”, finalizou.

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER