Mudanças propostas pela direção do BB para a Cassi desequilibram participação dos funcionários

Uma proposta apocalíptica”. Assim a diretora do SindBancários Bianca Garbelini, que é funcionária do Banco do Brasil, classifica a posição do banco sobre a Cassi, apresentada aos representantes dos funcionários da ativa e aposentados, em reunião em São Paulo na última terça-feira, 24/04. A proposta da instituição financeira altera o custeio dos Planos Associados, desequilibra o modelo de governança paritária e quebra uma regra fundamental que é o princípio da solidariedade, instituindo também a cobrança por dependente.

Com a Contribuição por Titular, o BB mantém sua contribuição de 4,5%, mas aumenta a contribuição dos associados ao fixar a contribuição dos associados em 4% permanentemente. “Mas há um ataque aos associados aí”, alerta Bianca. “Antes os associados pagavam 3% do custo do plano e acordamos aumentar em 1% a nossa contribuição, provisoriamente, até 2019, para cobrir déficits. Mas o que era provisório agora o Banco quer transformar em índice permanente”, denuncia a bancária. “Isto quebra a proporcionalidade, que está estabelecida no estatuto da Cassis, de 60% para o banco e 40% para os funcionários”, explica.

Ameaça ao Principio da solidariedade

Também a cobrança a mais por dependente ataca o princípio da solidariedade. Bianca Garbelini lembra que hoje o titular já paga uma vez por coparticipação aos utilizar os serviços médicos. “Só que agora o BB quer instituir um valor fixo em reais para cada dependente”, critica a sindicalista.

Os aposentados teriam de contribuir com 100% do valor base (R$360,57) para o primeiro dependente e mais 20% do valor para o segundo em diante (R$72,11). Já para os ativos, seria 40% do valor base por dependente até o terceiro (R$144,23 por dependente) mais 20% do valor base (R$72,11) a partir do terceiro dependente. 60% desse valor seria pago pelo Banco do Brasil direto para a Cassi. No caso da Contribuição Total, ficam estabelecidos os dois tipos de contribuição citados acima limitados a 10% da renda. 

Defasagem salarial

Bianca recorda que os funcionários do BB já carregam o ônus de uma defasagem salarial oriunda da década de 90, quando os funcionários do banco ficaram vários anos sem reajuste salarial. “Então já temos um déficit, pois no caso os nossos salários não acompanharam a inflação médica dos últimos tempos”.

No entendimento da bancária, a proposta do BB na prática impede que um escriturário mantenha seus dependentes na Cassi: “O banco está expulsando estes dependentes”, denuncia ela.

Governança desequilibrada

Outro aspecto muito preocupante da proposta apresentada pelo banco (com base no relatório de uma consultoria privada contratada), é que a Cassi passaria a contar com cinco diretorias mais a Presidência. O banco ficaria com a Presidência e a Tecnologia e Inovação. Os representantes de Administração e Gestão de Risco e Relacionamento seriam eleitos. E Produtos e Programas, assim como Rede de Atendimento, seriam representados por técnicos.

Mas é muito preocupante a inclusão do “voto de minerva” para o patrocinador no Conselho Deliberativo. “Esta alteração quebra a gestão paritária que existe na Cassi, com 50% de eleitos e 50% de membros indicados pelo banco”, critica a sindicalista.

Planos falidos pelo mercado

O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, Wagner Nascimento, destaca a preocupação real com os rumos que a direção do banco está indicando para a Cassi. “É muito importante lembrar que grandes planos de saúde no Brasil, que quebraram recentemente, eram geridos por agentes do mercado, sem nenhum compromisso com os associados”.

Bianca Garbelini, que é escriturária há oito anos no Banco do Brasil, concorda. “Por tudo isso, é fundamental que os colegas se conscientizem e debatam os prejuízos que a proposta do banco está trazendo, e que exige maior união para defendermos o patrimônio dos funcionários”, concluiu.

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