Miscigenação que originou o povo gaúcho é fruto de guerras, avalia historiador no Piquete dos Bancários

Em palestra, Péricles Gomide desconstruiu mitos sobre a origem da cultura gaúcha

Muitas etnias formaram o povo gaúcho, mas a miscigenação de todas elas só foi possível devido aos conflitos armados que marcam a história do Rio Grande do Sul nos últimos quatro séculos, apontou o historiador e especialista em História Contemporânea, Péricles Gomide, em palestra realizada na noite da última terça-feira (13) no acampamento Farroupilha, dentro do Piquete dos Bancários. Intitulada “o Rio Grande de Muitos Povos”, a aula aberta teve como objetivo desconstruir mitos sobre as origens e tradições do RS através do olhar incontroverso dos vencidos e não dos vencedores, como apontou Gomite no início de sua exposição.

“A grande maioria das nossas tradições vem dos indígenas, quando falamos das Guerras Guaraníticas ou da Guerra dos Farrapos sempre temos a visão de quem saiu vencedor destes conflitos. O que não nos dizem nos livros de história é que a grande maioria dos nossos hábitos advêm daqueles que foram derrotados, como por exemplo os índios minuanos, responsáveis por instituir o hábito da montaria no RS”, destaca Péricles, que também é funcionário do SindBancários.

“O uso da boleadeira, o plantio da erva mate e até o fogo de chão são contribuições que os indígenas nos deram, nada disso veio do homem branco”, revelou o historiador para espanto do público presente no galpão

Em seguida, ele elencou os negros, espanhóis e portugueses como os primeiros povos a contribuírem para a gênese do gaúcho moderno.

“A terra gaúcha é uma nação, não tivemos 15 anos de guerra civil à toa. Nós somos uma nação dentro de um país”, destacou Gomide, que ainda fez um apanhado sobre a chegada de outras etnias aos nossos pagos, como os alemães, responsáveis por instituir o senso de trabalho e por fundarem as primeiras indústrias, os italianos, que trouxeram a família como centro da sociedade riograndense e que fomentaram o cultivo do milho e seus derivados por aqui.

“Só comemos polenta e milho assado devido à contribuição dos italianos para com as nossas tradições e só temos o habito de cozinhar pinhão porque os índios Gê o trouxeram, quando chegaram aqui, há mais de mil anos”, analisou.

Ao término de sua explanação, o público aplaudiu e aproveitou para cumprimentar o historiador.
A cada edição do Acampamento farroupilha, a organização do evento escolhe um tema para ser abordado em palestras. Cada piquete presente dentro do Parque Harmonia deve realizar a sua, como explica o patrão e responsável pelo galpão dos Bancários, Edson Rocha.

“o projeto cultural sempre passa por avaliação criteriosa dos organizadores do evento, já que é um dos pré-requisitos para a renovação das concessões de espaço para construção dos galpões”, explica Rocha.

Concomitantemente à palestra, o cartunista e chargista Augusto Bier autografou o seu livro “Rio Grosso do Sul”, um apanhado de desenhos irreverentes e iconoclastas que brincam com o tradicionalismo do RS. Em forma de brincadeira, o artista distribuiu notas de 1 cruzeiro para cada exemplar vendido da obra.

A terça-feira terminou em ritmo de poesia no galpão, com declamações de versos do escritor Jayme Caetano Braun e de Luiz Menezes, poeta originário de Quaraí. Vídeos das declamações estão disponíveis na página do SindBancários no Instagram.

Fonte: Texto e fotos de Marcus Perez| Imprensa SindBancários

Confira aqui a transmissão ao vivo do evento realizada pela Rádio Negritude Web

 

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