Ministro de Temer volta a dizer que Banrisul pode ser privatizado: Não desistiremos jamais de defender o nosso banco público

O contexto jurídico e político está dado. No mesmo dia em que o governador José Ivo Sartori assina a Lei do Regime de Recuperação Fiscal, o ministro da Fazenda do ilegítimo Michel Temer, no banqueiro Henrique Meirelles, aparece em capa de jornal se fazendo: ele não disse que sim, mas também não disse que não e muito antes pelo contrário sobre a venda do Banrisul. Pra quem já esqueceu, no dia 26 de janeiro de 2017, o mesmo ministro tinha dito, quando o golpe nos nossos direitos começou, que o Banrisul tinha sido vendido. De novo, Meirelles foi manchete de jornal naquela época.

O SindBancários faz a sua parte. Depois das palavras do ministro, arregaçamos as mangas e o defendemos. Criamos, em 22 de março do mesmo ano, a Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, na Assembleia Legislativa. Agora, voltamos a pressionar e em muito breve vamos anunciar uma iniciativa muito forte para lutar contra a venda de ações da Banrisul Cartões, de ações do próprio banco, contra, enfim, a privatização do Banrisul.

Vamos analisar com toda a tranquilidade, juntamente com o governo do Estado, todas as medidas necessárias de ajuste das contas públicas do Rio Grande do Sul. Mas não temos ainda uma conclusão final de quais serão os ajustes e as soluções necessários para o Estado”, disse o ministro durante palestra na entidade que representa os interesses dos empresários (grandes) e que também tem ideologia privatista aqui no RS, a Federasul, segundo consta na página 18 da edição impressa desta terça-feira, 27/3, do Jornal do Comercio.

Estamos pressionando a direção do Banrisul a receber os representantes dos trabalhadores para explicar algumas questões. Uma delas é a assembleia de acionistas marcada para o próximo 10 de abril. O banco não diz que sim, mas também não desmente. Quer dizer, na dúvida, a gente provoca. Essa assembleia pode sim ser usada para alterar o estatuto do Banrisul e facilitar a venda da Banrisul Administradora de Cartões e até mesmo do próprio banco.

Aliás, sobre a Banrisul Cartões, que é como os Banrisulenses chamam a empresa deu R$ 220 milhões de lucro líquido em 2017, pouco mais de 20% do lucro recorde, de R$ 1,053 bilhões. É o filé da holding Banrisul. “Desde que esse governo assumiu nós dissemos que eles têm uma ideologia. Que é a ideologia da privatização. Trata-se de uma forma de ver o Estado com o tamanho reduzido que é sem empresas públicas e sem serviços públicos. O Sartori é o representante disso. Ele sempre quis vender o Banrisul e vai querer vender”, explica o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

E como o governo do Estado faz para vender? Cria crises, diz que o Estado está completamente falido e tem que vender seus ativos. Nós dissemos que vender o Banrisul ou qualquer empresa lucrativa é um equívoco e só aprofunda a dívida, aumentando-a. Tanto que isso até já foi feito. Quando o Antônio Britto era o governador e o Sartori, o presidente da Assembleia Legislativa, em 1997, deputado líder do governo na Assembleia Legislativa, eles venderam a CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações). Anunciaram que a venda ia salvar o RS das dívidas. Isso virou manchete em jornalão e o que aconteceu? A dívida, que muitos dizem que já foi paga, só cresceu por causa dos juros cobrados, advinhem por quem? Pelos banqueiros, é claro.

É o que eles querem fazer agora com o Regime de Recuperação Fiscal. Querem passar a régua na CEEE, Sulgás, CRM e até na Corsan se for possível. Privatizando a água, eles dizem que vão salvar o Rio Grande do Sul. E a dívida que hoje é de mais ou menos R$ 50 bilhões vai para R$ 80 bilhões. E os gaúchos pagam. E as empresas públicas que são lucrativas, como o Banrisul, deixam de enviar dividendos para o Estado investir em saúde, educação, transporte e segurança. O Estado vende a galinha e vai comprar ovo no mercado tendo que administrar uma finança ainda mais combalida. É o mesmo que vender o ganha-pão e ficar sem emprego. No caso do Estado, o dinheiro vai acabar logo, pois o que devem arrecadar com as operações com ações IPO ou com a Banrisul Cartões não cobre duas folhas de pagamento do funcionalismo público.

Os gaúchos empobrecem por todos os lados: deixam de ter acesso a crédito mais barato do seu banco público, ficam jogados aos juros dos bancos privados, os serviços públicos serão precarizados e ficam com o maior de todos os micos: depois de três anos sem pagar a dívida com a União, vamos ter que pagar com impostos um estoque de dívida sobre o qual vai correr juros de mercado. Se hoje já nascemos endividados como gaúchos e gaúchas, em 2020, as dívidas públicas de cada um de nós serão ainda maiores. É problema para gerações que chegarão. É o mesmo que ficarmos sem futuro.

Fonte: Imprensa SindBancários

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