Memórias da trincheira futebolística

Ênio Nottar, bancário aposentado do Banrisul e boleiro histórico, conta como as lutas do Sindicato e o futebol bancário se misturam

Há 40 anos, em setembro de 1979, os bancários de Porto Alegre cruzaram os braços por duas semanas por melhores salários, condições de trabalho e liberdade de organização. O forte movimento conquistou, entre outras reivindicações, a Convenção Coletiva Nacional e estabeleceu a unidade com a classe trabalhadora pelo fim da Ditadura Militar no Brasil. “Entrei no Banrisul em maio de 1977 e participei da greve de 1979”, revela Ênio Nottar. Hoje aposentado, o ex-dirigente do Clube Esportivo Banrisul segue “batendo a bolinha” no time master do banco, um dos favoritos ao título da Taça SindBancários de Futebol Sete 2019. “Seguimos juntos nas lutas da categoria e no jogo de bola”, diz Ênio à imprensa do Sindicato. Confira os melhores momentos da entrevista.

Quer dizer, então, que vossa geração cruzou os braços e deixou as pernas livres?

Sim, foi bem isso. Nos anos 1980, as equipes do Banrisul, Caixa Estadual e Sulbrasileiro se revezavam nos títulos, mas, nas lutas por melhores condições de trabalho, todos os bancários estavam juntos de modo geral.

Que bancos participavam dos campeonatos?

Recordo pelo menos de 17 equipes: Banrisul, Caixa Estadual, Caixa Federal, Sulbrasileiro e os bancos Real, Mercantil de SP e Mercantil do Brasil, América do Sul, Expansão, Econômico, Nacional, Unibanco, Sudameris, Bamerindus, além do HSBC, BRDE e BCN.

Um número bem expressivo de participantes

Sim. No campo, a chapa fervia. Botar a mão na taça significava muita luta e muita técnica.

E a competição manteve continuidade?

Nos anos 1990, alguns bancos desistiram de participar e as competições reduziram para umas 10 equipes. Outros fecharam ou foram fundidos e a disputa pela hegemonia dos campeonatos continuou entre o Banrisul, Meridional e Caixa Federal.

Onde a bola rolava naqueles tempos?

Nas duas décadas, o jogo final geralmente acontecia nos campos do São José, do Cruzeiro e, as vezes, nos campos suplementares da dupla Grenal. Além das medalhas, o time vencedor recebia faixas de campeão. Também era comum o vencedor colocar as faixas em um jogo preliminar no Olímpico ou Beira-Rio contra os Juniores (na época era Juvenil) da dupla Grenal, com um bom aproveitamento por parte dos boleiros bancários.

E após a virada do 2000?

Infelizmente, com as privatizações e fusões, diminuiu o número de equipes. O Bradesco, Santander, Banrisul e Itaú seguiram disputando os títulos. Na real, as competições contavam com os times do Banrisul, Caixa Federal, Itaú, Santander, Unibanco, Bradesco e, em poucas ocasiões, o Banco do Brasil. Nos últimos anos, aconteceu a fusão do Unibanco com o Itaú, que formou uma grande equipe de futebol.

E a Copa Libertadores?

A Copa Libertadores Bancária teve seu início em 1992. Em alguns anos e por diferentes motivos, o torneio internacional não foi realizado. O Brasil conquistou duas Libertadores com o Banrisul, uma na master e outra na livre. Nos últimos anos, temos dois torneios anuais nas duas categorias. É o que sempre digo: seguimos juntos nas lutas da categoria e no jogo de bola.

Entrevista: Moah Sousa

Fotos: Jackson Zanini

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