Marcha histórica de servidores públicos faz governo adiar votação da LDO e inaugura jornada de luta contra desmonte do Estado

Eles se concentraram no Palácio da Polícia. Quem passava pela avenida Ipiranga, por volta do meio-dia, tinha uma dimensão do número de servidores da segurança pública. Não havia tanta gente. Com o apoio de servidores de outras categorias de trabalhadores, como os professores e o CPERS, o que era um ajuntamento se transformou numa marcha histórica. Pelo menos 20 mil servidores públicos marcharam ao Palácio Piratini para mostrar ao governador José Ivo Sartori que os cortes no orçamento, a falta de policiais civis e militares, o não chamamento de aprovados nos concursos têm um efeito: a violência e a luta de servidores públicos por direitos.

A Marcha Segurança para Todos reuniu mais de 20 mil representantes da Brigada Militar, Susepe, Polícia Civil e Instituto Geral de Perícias – IGP, e demais representantes do funcionalismo público, nas ruas do Centro de Porto Alegre. Devido à força do movimento, o governo recuou na votação da Lei de Diretrizes e Bases Orçamentárias (LDO) que ocorreria na Assembleia Legislativa.

Desde o início do ano, o SindBancários vem chamando a atenção para o efeitos que os cortes na segurança pública estavam causando nas agências bancárias. Vulneráveis, os bancários e clientes de bancos públicos e privados assistem ao aumento do número de ataques a bancos como nunca ocorreu nos últimos 10 anos. O levantamento do SindBancários de casos de ataques a bancos no Rio Grande do Sul mostra que 2015 tem sido o mais violento nos primeiros seis meses do ano. Em 2014, o centésimo ataque a banco ocorreu em 23 de junho. Este ano, o ataque de número 100 chegou em 6 de junho, 17 dias antes.

“Os servidores deram uma resposta nas ruas ao desmonte do serviço público que o governador Sartori vem tentando fazer desde que assumiu o governo do Estado. Nós avisamos que cortar horas extras de policiais militares e de Policiais Civis faria aumentar a violência. Os dados comprovam isso. Esse discurso de crise só serve para governos neoliberais, como o do senhor governador Sartori, criar um clima ideal para o desmonte do Estado”, disse o presidente do SindBancários, que participou da marcha, Everton Gimenis.

Sartori começa a pagar o preço do anúncio que fez no mês passado de sua intenção de privatizar o patrimônio público. O governador anunciou que pretende lançar, até 2016, um plebiscito para vender estatais como a CEEE. O governo diz que o Banrisul, banco público, não deverá entrar no pacote. No entanto, na prática, o desmonte do Banrisul já começou. O governador ordenou ao presidente do banco que suspendesse os concursos públicos.

Há, nas agências do banco, um clima de apreensão entre os bancários. A nova diretoria, que assumiu em abril, não cria novos produtos e opera com cada vez menos trabalhadores nas agências. “O governo Sartori é uma cópia do governo Yeda. Eles começam a dizer que as instituições públicas não funcionam, que o Estado está quebrado. Criam um clima de demonização da empresa pública e dos servidores para poder vender. Mas hoje vimos uma grande resposta. Tomamos essa luta dos agentes de segurança como o início de uma jornada sem trégua  em defesa do serviço público”, acrescentou Gimenis.

Reivindicações dos servidores da segurança

A manifestação histórica lotou a praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, e marcou a união do funcionalismo público do Estado contra os ataques do governo Sartori, que tenta, incessantemente, retirar direitos dos trabalhadores. As principais reivindicações dos servidores da segurança são as nomeações dos profissionais aprovados nos últimos concursos e a contrariedade ao projeto de lei complementar 206/15, enviado pelo governo à Assembleia Legislativa no começo do mês passado e que congela os reajustes previstos aos servidores estaduais a partir deste ano até 2018.

Professores

Ao meio-dia, professores e funcionários de escolas de todo o Estado, reuniram-se em frente à sede do CPERS. Após a concentração, o grupo seguiu em caminhada pelas ruas do Centro até o Palácio Piratini, onde ocorreu a união de outras representações de servidores a manifestação.

“Nós estamos atentos às injustiças que o governo está praticando contra todos os servidores. A nossa unidade defende todo o trabalhador que tiver seus direitos atacados. Aqueles que atacam nossos direitos não tiveram coragem de colocar a LDO em votação hoje (quarta, 7/7). Mas, não tem problema. Semana que vem estaremos todos aqui novamente”, declarou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Em Assembleia Geral do CPERS, realizada no dia 26 de junho, a categoria decidiu pelo Estado de Greve. Para ouvir e mobilizar sua base, o Sindicato vem realizando, desde o dia 9 de junho, a Caravana em defesa da Educação Pública.

Fonte: Imprensa SindBancários, com Cpers Sindicato

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