Marcando em Cima – O Gerente do Mercado

O Mercado é Deus, o Capital é o Papa e o Estado é o seu Pároco e Administrador. Imbuído desta santa missão, o Gerente José Ivo Sartori – depois de esfacelar o salário dos servidores públicos – agora ataca o sindicalismo.

Conforme a coluna de Rosane de Oliveira, em ZH (21/12/2015), “O Piratini tentará reduzir o número de representantes (dos funcionários públicos) cedidos a cada sindicato”.
Isto porque, ainda segundo a colunista, Sartori não tem apoio “para acabar com o pagamento aos servidores que se licenciam para exercer atividades sindicais”. Com isso, o Gerente do Capital no RS avança, também, sobre a legislação trabalhista.

Pode isso? Até onde ele vai?

Mundo selvagem
Empresas em crise, pela lógica dura do capitalismo, entre outras coisas resultam em demissão de trabalhadores. Empresas em expansão, com aumento de lucratividade, pela mesma lógica devem resultar em mais e melhores empregos. Porém, no caso dos bancos brasileiros, o resultado costuma ser selvagem.

Neste 2015 que está indo embora, as instituições do sistema financeiro acumularam, apenas no terceiro trimestre, lucro de  R$ 54,8 bilhões.  Isso representa crescimento de 24,3% no período, muito maior do que qualquer outro segmento.
Para os bancários, que colaboraram para esta fantástica acumulação de capital, sobrou… um chute bem forte no traseiro: 8.247 postos de trabalho eliminados entre janeiro e novembro deste ano. Imagina sem sindicalismo.

Olho parado do mal
Gênio do mal, o deputado Eduardo Cunha – com casas e escritórios invadidas pela Polícia Federal, acusado de suborno, evasão de divisas e mais um pacote de crimes e irregularidades – prossegue com seu olhar fixo, levemente psicopata, como se tudo estivesse na santa paz de seu mandato. Agora, deu-se ao luxo de convocar o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, para que explique “algumas dúvidas” sobre o novo rito do impeachment que quer impor à presidenta Dilma.

Talvez aproveite para solicitar algum conselho para proveito próprio, depois que o Conselho de Ética da Câmara aprovou o prosseguimento do processo de cassação de seu mandato, para além das investigações da PF.

Bang Bang
Num ano em que a quantidade de ataques a bancos e caixas eletrônicos no estado superou em muito os anos anteriores (mesmo que os números definitivos ainda estejam em aberto), difícil desmentir as razões repisadas pelo SindBancários. Redução do número de PMs, que se aposentam e não são repostos; falta de condições adequadas de trabalho; desmotivação dos policiais com o esfacelamento de seus salários pelo governo – entre outras.

Enquanto Sarto-ri olha para o lado e finge que nada sabe, a Associação dos Cabos e Soldados da BM, confirma tudo. “É a falta de material, colete, viatura, armamento e, principalmente, planejamento da Brigada Militar. Atualmente, a BM tem menos da metade do efetivo necessário atuando”, bota o dedo – na ferida aberta à bala – o presidente da Abamf.

Neste ano, oito PMs morreram em serviço. Em 2014, foram três.

Texto: José Antônio Silva

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