Marcando em cima – O gerentão do Rio Grande

José Ivo Sartori vai entrar para a história como aquele que deixou um rastro de cadáveres em sua passagem pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Ao priorizar o projeto do estado mínimo para enfrentar as mazelas locais, o governador praticamente entrega à “mão invisível” do mercado a sorte e o azar dos gaúchos e gaúchas. Pessoalmente bem protegido pelos seguranças que a população gaúcha lhe garante, Sartori se recusa a nomear os 2.500 brigadianos e 650 policiais civis aprovados em concurso público em 2014 – mesmo que a cada semana mais e mais PMs se aposentem. Enquanto isso, não é exagero nem figura de linguagem repetir que a população anda acuada pela criminalidade crescente, para ir ao trabalho, à escola, ao sair às ruas.

Se isso já é um risco para todos e todas, no caso dos bancários o risco é aumentado, já que agências de estabelecimentos financeiros são um alvo natural de assaltantes. E o número de ataques bancários vem batendo recordes, como demonstra o levantamento que o SindBancários faz desde 2006 (veja matéria no link: http://migre.me/t3V9i ).

A própria Mídia, que ajudou a elegê-lo e que apoia ideologicamente seu governo, já reclama da evidente insegurança em que sobrevivemos, que também é ruim para os negócios. O Gringo cujo partido é o Rio Grande, quer que os riograndenses se ralem: para ele, o mais importante é combater a dívida pública. Só que não.

Um estado não é uma empresa, como um supermercado a ser dirigido por um gerente. E que precisa dar lucro. E muito menos um hospital particular que deixa um atropelado morrer na portaria se ele não puder pagar pelo socorro médico.

Estado não precisa, nem deve, dar lucro. Seu papel fundamental é garantir a qualidade de vida da população, seja na educação, na saúde, no transporte ou na segurança pública. E, para isso, precisa sim incentivar e regular o crescimento econômico (sem esquecer do fundamental cuidado com o meio ambiente), com abertura de oportunidades e geração de empregos. E as dívidas, que sempre existirão, precisam ser negociadas e parceladas sem que o atendimento básico da população – razão de ser de qualquer governo – seja prejudicado.

Tudo que Sartori não faz e não quer fazer.

Até onde ele vai com isso?

Fazendo Eco

Um dos grandes intelectuais do nosso tempo, o teórico da comunicação, professor, romancista e homem de talento e erudição enciclopédica, Umberto Eco desabafou, em 2014, em uma entrevista à imprensa: “A internet deu o direito de falar a uma multidão de idiotas, que antes só falavam depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. E eram rapidamente silenciados. Agora, com as redes sociais, eles têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”.

Eco morreu aos 84 anos, no dia 19 deste mês de fevereiro. E infelizmente, o que ele disse é a pura verdade. Vai continuar ecoando.

Pode-se acrescentar que o problema é aumentado pela quantidade de gente que repassa tudo que lê na rede como uma verdade, sem qualquer compromisso com a autenticidade da informação. Outros fazem as mais inacreditáveis acusações, ofensas e infâmias pela internet, que jamais fariam cara a cara, ou mesmo num jornal, temendo um processo. O que muita gente não sabe, ou não lembra, é que desde 2014 existe o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965). Mais um motivo para que a utilização da internet, como qualquer outra instituição humana, seja regida pelo bom senso, a honestidade intelectual e o compromisso com a verdade.

Texto: José Antônio Silva, jornalista

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