Marcando em cima – Mais estado mínimo e menos sindicalismo

No “Pacote de Maldades – Parte 6”, de José Ivo Sartori, debatido e parcialmente aprovado na Assembleia Legislativa na madrugada desta terça-feira, 29/12, terminou ficando para depois do recesso parlamentar o PL 507. Este projeto de lei tem como alvo específico a atuação sindical dos servidores.

Sartorão acha que 122 representantes atuando em sindicatos, associações de classe e federações de trabalhadores – num universo de mais de 370 mil funcionários estaduais ativos e inativos – é demais, no mau sentido do termo. Na verdade, os sindicalistas representam 0,03% do total de funcionários estaduais, com repercussão financeira ínfima nas contas do governo.

Vale tudo. Como mostra o policiamento ostensivo da BM, que impediu os trabalhadores de encherem as galerias da Assembleia, o todo poderoso governador quer substituir o gritedo do funcionalismo organizado, em defesa de seu salário e condições de trabalho, pelo silêncio de quem teme pelo emprego mal pago, num estado cada vez mais mínimo.

Quem diria…

Surpreendente é o mínimo que se pode dizer deste final de 2015, especialmente em relação à presidenta Dilma Rousseff. Manhã, tarde, noite, dia útil, feriado, sábado, domingo, semana após semana, mês após mês: durante o ano inteiro, sempre criticada, ridicularizada, ofendida, pré-julgada e condenada por um dos mais poderosos tribunais do Brasil – o da Mídia, que já havia praticamente definido o seu impeachment – a presidenta Dilma termina o ano inegavelmente menos pressionada.

Para além de seus equívocos e decisões duras, Dilma começou a ser castigada por quem enxergava em seu pouco traquejo no mundo das relações políticas um possível atalho para chegar ao poder antes de 2018.

Os sinais de que o acirramento promovido pela imprensa – de braços dados com os partidos de oposição ainda em “terceiro turno”, e apoiando passeatas bizarras de gente alienada enrolada em bandeira dos EUA e clamando pela volta da ditadura – iria desestabilizar não só a economia, mas até a ordem institucional do país, partiram, quem diria, do grande empresariado. A Federação das Indústrias do RJ foi um dos primeiros setores respeitados pela imprensa a clamar por serenidade e pelo respeito à Constituição.

Outras vozes – além dos apoiadores do governo – foram se somando. Enquanto juristas como Helio Bicudo, meio senil e ressentido com o partido que ajudara a fundar (segundo seus filhos), entravam com pedido de impeachment da presidenta, os tribunais superiores começavam a restabelecer o equilíbrio necessário à ordem democrática.

O STF contrariou a decisão do TCU, que condenava as “pedaladas fiscais” da presidenta. Afinal, se Dilma fosse condenada, a maioria dos presidentes imediatamente anteriores, incluindo o intocável Fernando Henrique, também deveria ter as contas rejeitadas – sem falar nos 14 governadores e centenas de prefeitos, Brasil afora, que fizeram uso deste recurso.

Por falar em governadores, 16 deles, formando maioria – em reunião em Brasília – manifestaram-se contrários ao pedido de impeachment, por falta de base jurídica para isso.

Na sequência, no início de dezembro, com voto do relator Gilmar Mendes, quem diria, o TSE aprovou com ressalvas as contas de campanha de Dilma, antes condenadas pelo TCU de Augusto Nardes (por sua vez, indiciado na Operação Zelotes, da PF).

No dia 17 deste mês, quase como uma coroação à reação do ataque conservador à Dilma presidenta, o STF – quem diria? – desconstruiu a lógica do pedido de impeachment manobrado na Câmara pelo inacreditável Eduardo Cunha, mais sujo que pau de galinheiro. Que, por sua vez, teve suas casas invadidas pela Polícia Federal, por conta de tretas internacionais.

De quebra, para tirar a nuvem negra que acompanhou a presidenta durante todo o 2015, ainda soprou o vento menos poluído da opinião pública: conforme as últimas pesquisas, até a popularidade de Dilma aumentou um pouco.

Quem diria.

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