Marcando em Cima – Incitação ao estupro derruba Bolsonaro no STF

Político dos sonhos dos setores mais retrógradas do país, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) sofreu uma derrota no Supremo Tribunal Federal que poderá atrapalhar seus ambiciosos planos eleitorais: a Primeira Turma do STF manteve a tramitação do processo no qual ele é acusado de incitação ao estupro. E não há exagero. Afinal de contas, em dezembro de 2014, o parlamentar direitista disse, com todas as letras, que só não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia. 

Em junho de 2015, o Supremo aceitou a queixa-crime apresentada pela deputada gaúcha, que acusou o militar da reserva de incitação ao crime de estupro e injúria. Todos os magistrados entenderam que as palavras cheias de ódio e machismo de Bolsonaro têm, sim, potencial de incitar outros homens à prática de crimes contra as mulheres. No entendimento do ministro Luiz Fux, o uso do termo “merece” confere ao crime de estupro um status de “prêmio ou uma benesse”.

Matungo coiceiro

O problema do estupro e abuso sexual contra as mulheres não é nada desprezível no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que apenas em 2015 ocorreram entre 129,9 mil e 454,6 mil estupros. Na verdade, os estudiosos constatam que apenas 10% dos ataques chegam ao conhecimento da polícia. E, como se sabe, ainda hoje muitas vezes a polícia não faz absolutamente nada, além de debochar ou mandar a vítima voltar para casa, sem encaminhar exame de corpo de delito ou registro de ocorrência.

Derrubar Bolsonaro do seu matungo coiceiro é uma boa maneira de fazer nosso país avançar para a civilização.

Avanço acelerado ao passado

Mas é o avanço acelerado ao passado que não cansa de nos surpreender. Num dia internacional de luta das mulheres por igualdade de oportunidades e contra o machismo, o ilegítimo Temer “homenageia” sua jovem mulher assim: “Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados mais do que a mulher. Ninguém é capaz melhor de identificar eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor”.

Pra que Justiça do Trabalho, mesmo?

Infelizmente, não chega ainda. Um golpe de estado – mesmo quando segue os ritos obrigatórios da democracia, ainda que em tom de farsa – nunca é um retrocesso isolado. Fornece os nutrientes para que as unhas do fascismo cresçam e apareçam rapidamente. Agora, é o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, do DEM (nome fantasia, originário do PFL, uma das metamorfoses da Arena da Ditadura), que propõe acabar com a Justiça do Trabalho. “Nem deveria existir”, prega o bem fornido Maia.

No seu sonho dourado, os trabalhadores ficariam absolutamente desprotegidos pela lei, na relação com os donos dos meios de produção. Uma volta a escravidão, talvez? É como se um leão e um coelho fossem discutir cara a cara a lei da selva, em “igualdade de condições”. SQN.
Texto: José Antônio Silva, jornalista

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER