Marcando em cima – Governador foge da raia

Sexta-feira, 31 de julho de 2015. Dia para não esquecer. Em entrevista à imprensa, o governo estadual anunciou, sem ruborizar, que iria pagar em três parcelas o salário do funcionalismo. Houve uma esperada e imediata reação de sindicatos e entidades de trabalhadores, incluindo os representantes da BM e Polícia Civil, que avisaram: só vamos atender casos de emergência. O SindBancários obteve liminar na Justiça para que os bancos não abrissem sem policiamento ostensivo. Clima de insegurança em todo o estado. Pois, na própria sexta-feira inesquecível, eis que o governador avisa de última hora que estava viajando ainda naquela tarde para Curitiba, para a festa de formatura de um sobrinho… A tarefa de comunicar o parcelamento salarial ele deixou para seu secretário da Fazenda. A maioria da população votou nele, sem saber direito o que o Gringo faria. Mas agora já se sabe. Na hora do aperto, Sartori desaparece.

Proposta inacreditável

E quando reaparece, vem com propostas inacreditáveis. Como a oferta de adiantar os salários – que seu próprio governo atrasa – através do Banrisul, um banco estadual, mediante cobrança de juros. A “sugestão”, recebida em mensagem de texto no celular dos servidores, oferecia o serviço num momento para lá de atípico, com farta dose de oportunismo. O Banrisul já recebe os salários dos servidores, desconta juros, créditos, Banricompras, cheque especial, etc. Numa situação de desespero dos funcionários, o governo utiliza o banco da gauchada para “resolver” o atraso dos vencimentos que ele mesmo criou. Vale lembrar: o governo Rigotto utilizou este recurso para pagar o 13° salário. Mas quem pagava os juros não era o servidor.

Governador perde no STF

Já na terça-feira, 04/08, depois do STF ter rejeitado a tentativa sartorial de derrubar determinação do TJ-RS para que o governo gaúcho pague em dias os salários dos servidores, lá se foi o Gringo à Brasília. Quando o ministro Zavascki pediu vistas, a pedido do governador, a votação no Supremo já estava em 3 X 0 a favor do pagamento em dia. No limite, o descumprimento de decisão judicial pode gerar intervenção federal no RS. Em tese.

Bradesco e HSBC: e os empregos?

A mídia vem chamando a atenção para os valores alcançados na compra do HSBC no Brasil pelo Bradesco: R$ 17,6 bilhões, a maior aquisição já feita pelo banco brasileiro desde 1943. Maravilha. Mas a mesma mídia não mostra preocupação semelhante com a manutenção dos empregos dos 21 mil funcionários do HSBC. Na terça-feira, a Contraf-CUT manteve reunião em SP com representantes dos dois bancos. “Nos tranquiliza porque eles garantiram que não haverá demissão em massa, mas vamos ficar atentos e acompanhando os desligamentos dos dois bancos”, afirmou Roberto von der Osten, presidente da Confederação. Mas ninguém esquece: é importante manter também os acordos específicos conquistados.

E a Saúde dos gaúchos, ó…

Neste ano, coerente com a visão de estado mínimo, que não deixou clara durante a campanha, o governo estadual deixou de repassar R$ 450 milhões aos hospitais em todo o RS. Este é apenas um aspecto visível do desmonte de Sartori sobre a Saúde, Educação e Segurança no Rio Grande (que dirá em outras áreas). Mas na Saúde os resultados de “economias” como esta não demoram a aparecer. Conforme ZH, até o final de julho o número de casos de meningite já era maior que a média dos últimos oito anos. Dengue? A mesma e triste notícia: os casos confirmados já são superiores aos registrados desde 2011. E pela primeira vez na história gaúcha, neste ano ocorreram as primeiras duas mortes pela doença no nosso estado. Relação de causa e efeito.

Arrastão na Praça

Ao contrário do que prega o governo e o comando da BM sobre a “normalidade” na área da segurança em todo o estado, a região da Praça da Alfândega de Porto Alegre – que concentra, com a vizinha Rua Sete de Setembro, a maioria das sedes e agências bancárias – está cada vez mais perigosa. Clientes, bancários e passantes em geral têm sido vítimas constantes. Conforme a Rádio Guaíba, nos últimos dias já foram cinco funcionários da emissora assaltados na Praça, em verdadeiros “arrastões”. Tudo normal? Mesmo?

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER