Marcando em cima – Dívida do Estado: quem deve para quem?

E se tudo o que você escuta no rádio e ressoa nas ruas, lê na imprensa, vê na TV e na internet todo santo dia, sobre a necessidade urgente de saldar a dívida estadual do RS com a União – e que para isso é preciso extinguir fundações públicas, botar na rua mais de 1.400 servidores estaduais, vender estatais como a CEEE, CRM, Sulgás e até o Banrisul… E se tudo isso, na verdade, fosse uma jogada política, de ressonâncias partidárias, que inclui gordas propinas aos apoiadores da privataria no RS? E que esconde – a sete chaves – uma saída em que o Rio Grande não seria devedor, mas credor da União?!

Pois esta é uma possibilidade real. Que corre a boca pequena nos corredores e gabinetes de deputados na Assembleia Legislativa, é assunto a meia voz em Brasília e tem consequências até no STF – mas é cuidadosamente ocultada e tratada como segredo de estado por Sartori, por seu secretariado, sua base de apoio na Assembleia Legislativa e no alto empresariado.

Um tema que, mesmo que não surtisse efeito, na pior das hipóteses deveria estar sendo discutido diariamente por todo o Rio Grande do Sul. Um Rio Grande que sofre com o arrocho de Sartori sobre os salários congelados e fatiados do funcionalismo, da não realização de concursos públicos, da falta de investimentos necessários à infraestrutura do estado.

Ó, Minas Gerais

Trata-se de seguir o exemplo de Minas Gerais. Seu governador Fernando Pimentel (PT) resolveu enfrentar a questão da dívida de seu estado com a União, que chegava a R$ 65 bilhões. Pois, como revelou reportagem do insuspeito jornal paulista Valor Econômico na edição de 03/01, ao ser intimado a renegociar a dívida, Pimentel resolveu fazer alguns cálculos e demonstrou que seu estado, na verdade, tem dinheiro a receber da União, por conta de créditos de R$ 92 bilhões da Lei Kandir nunca repassados à MG.

E o governo gaúcho, quanto terá a receber da União num necessário e fundamental ajuste de contas? Conforme o deputado gaúcho Luiz Augusto Lara (PTB), o silêncio suspeito de Sartori sobre o assunto se deve, em parte, a um “alinhamento político-partidário”, pois tanto Sartorão da Massa quanto o Mordomo da Casa Grande Temer pertencem ao mesmíssimo PMDB. E comungam da fé neoliberalista que reza dia e noite junto ao altar do Estado Mínimo, enquanto negociatas ocorrem escandalosamente na sacristia.

Criminosa

Lara não vacila em chamar de “criminosa” uma cláusula imposta pelo governo federal nas negociações de dívidas, que visa impedir que os governos estaduais entrem na Justiça para cobrar o que a União deve por conta da Lei Kandir.

O deputado aponta ainda que a dívida atual do estado, de cerca de R$ 50 bilhões, pela negociação proposta pela União ficaria três anos sem pagamento – um “alívio temporáriao” que a faria saltar para R$ 84 bilhões, em 2020. Não resolveria absolutamente nada.

Quem ganha com isso? O Rio Grande e sua população com certeza não.

Mesmo sob a capa de silêncio obsequioso da mídia gaúcha, muitos setores compreenderam que é hora de exigir um acerto de cálculos ao Tribunal de Contas do Estado e da União, ao mesmo tempo que solicitam ao Ministério Público de Contas que investigue o assunto.

Para que, espera-se, tenha início o desvelamento desta sanha privatista que não se importa de trazer desemprego e desespero à sociedade gaúcha, em troca de… sabe-se lá do que.

Lasier Martins e o coleguismo

Ex-Arena Jovem, o radialista Lasier Martins fez longa carreira no Grupo RBS. E assim como seus colegas Antônio Britto, Ana Amélia Lemos, entre outros menos lembrados, usou da tribuna radiofônica e midiática para terminar entrando por cima na política.

Senador eleito pelo PDT, vencendo o banrisulense, ex-presidente do SindBancários e ex-governador Olívio Dutra, o comunicador acabou pedindo para sair porque estava incomodado com os arranques nacionalistas e trabalhistas do partido fundado por Leonel Brizola.

Em voo solo, enquanto estuda a oferta mais tentadora de outra legenda, não vacilou para assinar – “por engano”, segundo ele mesmo – uma petição encaminhada por Romero Jucá.

A proposta de Jucá iria impedir que os presidentes da Câmara e do Senado fossem processados por atos ilícitos cometidos antes do mandato atual.

Utilizando a arte de fazer amigos influentes, Lazier tascou seu jamegão no pedido do caro colega.

Quando viu que pegou mal, explicou que não conhecia o conteúdo. “Isso é prática de cortesia e coleguismo”.

E era isso.

Texto: José Antônio Silva, jornalista

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