Marcando em cima – Delegados sindicais assumem num quadro de fortes desafios

Quais as implicações do atual quadro econômico e político do país que os novos delegados sindicais vão encontrar a partir de agora? Na semana passada, foi realizada a formação e posse dos 22 novos representantes dos colegas do Banrisul, Caixa Federal e Banco do Brasil na área de abrangência do SindBancários. O encontro recepcionou como palestrante a sindicalista cearense Maria das Graças Costa, secretária de Relações do Trabalho da CUT nacional. Sempre vale repetir o que disse Graça Costa: “Esta atividade acontece num momento de instabilidade política no país e avanço do conservadorismo, cujo pano de fundo é a retirada de todos os direitos dos trabalhadores”.

Suas palavras não contém qualquer exagero: em um Congresso Nacional apontado como o menos qualificado da história do Brasil, circulam hoje mais de 50 projetos que de um modo ou de outro fragilizam conquistas históricas dos trabalhadores. Até a CLT está sob ameaça.

Acredite quem quiser.

Um momento de enormes desafios. Onde também viceja ainda mais forte a importância da função e da representatividade sindical.

 ZH perde leitores e diversidade

A demissão do articulista Moisés Mendes, após 27 anos de casa, ao saber que seria alijado do espaço destacado na edição de domingo, a partir da reformulação de Zero Hora, é mais uma derrapada ladeira abaixo do principal jornal do Grupo RBS. Embora tenha “pedido para sair”, como o próprio Moisés mesmo esclareceu, a motivação de fundo é o esvaziamento que vinha recebendo em termos editoriais. Já no final de 2014, ao ser removido desrespeitosamente do espaço da penúltima página do jornal, aos domingos, sentiu que era a hora de pedir o boné. Houve uma reacomodação da direção do jornal e – para ganho de seus leitores e da diversidade de opinião – Moisés continuou.

Neste momento, apenas o maior cronista de jornal no país ainda em atividade, Luis Fernando Verissimo, continua contribuindo com coluna fixa, exibindo um ponto de vista diferenciado em ZH. Mas com a saúde fragilizada, sua permanência fica cada vez mais duvidosa.

Quando o pensamento único se instala da capa à última página, foi-se a democracia em uma publicação que se pretende isenta e equânime.

 Oposicionistas contra o impeachment

Ao contrário do que se pode acreditar pelo massacre midiático, dentro das próprias fileiras da oposição vozes respeitáveis têm se feito escutar em defesa do respeito constitucional e contra o impeachment sem base legal da presidenta Dilma. O principal formulador dos planos de governo do PMDB gaúcho, João Carlos Brum Torres, entende que pedaladas fiscais não apresentam consistência para afastar alguém da Presidência da República. Ibsen Pinheiro, que presidia a Câmara dos Deputados no período do impeachment de Fernando Collor, em entrevista ao Estadão assinalou: “A votação vai ser apertada mas não vai passar. Ela (Dilma) tem uma base social que Collor não possuía”. Sobre a atuação do juiz Sergio Moro: “A divulgação das gravações vulnerabilizou o juiz, passou a ideia de politização (da Justiça) ou de revide, ou de um paladino acima das regras de conduta profissional judicial”.

Texto: José Antônio Silva, jornalista

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