“Luta sindical foi decisiva para reduzir as consequências da pandemia”

Economista do Dieese, Ricardo Franzoi fala do papel fundamental das entidades sindicais na redução do número de infectados pela Covid-19

Economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócios Econômicos, na seção do Rio Grande do Sul da entidade nacional, Ricardo Franzoi, 68 anos de vida e há 35  no Dieese, lembra algumas das conquistas do órgão ao longo dos anos e reforça seu ponto de vista, neste aniversário de 65 anos da entidade: o movimento sindical deve apoiar medidas para a geração de empregos.

Nesta entrevista, Franzoi também reflete sobre a importância dos Acordos Coletivos dos Sindicatos durante a  crise do novo coronavírus e o papel das entidades na minimização dos efeitos econômicos e na saúde que a Covid-19 causou na vida dos trabalhadores.

Como tu vês a situação atual do país, sob o desgoverno Bolsonaro e a pandemia do coronavírus? Neste momento, os 65 anos de experiência do Dieese ajudam a fazer a diferença em favor dos trabalhadores brasileiros?

Ricardo Franzoi – O ano de 2020 ficará marcado na memória de todos. Nós, do Dieese, chegamos firmes a dezembro, mantendo a equipe em segurança e cumprindo nosso papel histórico de apoio à luta do movimento sindical, cuja atuação foi decisiva no enfrentamento das consequências da pandemia. Foram várias as conquistas que resultaram da ação sindical e colaboraram para atenuar a dramática situação vivida pela sociedade, ainda agravada por um governo que se recusa sistematicamente a cumprir seu papel, em uma das maiores crises pelas quais o país já passou.

É quase impensável que se tenha conseguido mobilizar a proteção social proposta pelas Centrais Sindicais, movimento sociais, parlamentares, governadores e prefeitos, recepcionadas pelo Congresso Nacional sensível ao problema, aprovando um orçamento especial que proporcionou criar um Abono Emergencial de R$ 600,00 e que protegeu mais de 65 milhões de pessoas; um auxílio salarial que protegeu quase 10 milhões de trabalhadores, além de recursos para que as micro, pequenas, médias e grandes empresas resistissem. Essas medidas contaram com o posicionamento contrário do governo federal, que só as implementou por decisão do Congresso ou do Poder Judiciário.

Para a categoria bancária do Brasil e RS, quais os maiores desafios e as demandas principais a serem atingidas no momento atual?

Franzoi – Podemos enumerar pelo menos sete demandas e desafios prioritários. 1. Preservação dos Bancos de Desenvolvimento; 2. Manter o Banrisul como empresa estatal; 3. Intensificação do trabalho de home-office; 4. Adesão da categoria ao movimento Pacto para a Preservação do Emprego; 5. Remuneração flexível; 6. Transações bancárias por canais digitais; 7. Fintechs de crédito.

Qual o papel do sindicalismo, especialmente num momento como este que vivemos?

Franzoi – De imediato, o movimento sindical deveria apoiar medidas econômicas voltadas para a geração de empregos para todos, incentivando a retomada das atividades produtivas com segurança sanitária, integrando todos os governos subnacionais para a criação de empregos de interesse público e social, recuperando o sistema público de emprego, trabalho e renda para promover intermediação de mão de obra e formação profissional, oferecer micro crédito produtivo, entre outros. Manter a proteção de renda, com a prorrogação do Auxílio Emergencial e ampliação do Seguro-Desemprego é parte do que é essencial ser feito agora.

Cite algumas das principais lutas (e vitórias, mesmo parciais) que os sindicatos e o Dieese conquistaram ao longo da sua existência, em termos nacionais?

Franzoi – A primeira tarefa do Dieese, ao ser criado, foi produzir uma pesquisa sobre custo de vida que confrontou os dados oficiais de inflação da época.  Até hoje, a entidade é referência na discussão sobre preços, com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

Também foi fundamental na consolidação do sindicalismo que se reorganizou a partir da Constituição de 1988, tendo a negociação coletiva como núcleo de reflexão, produção e disseminação de conhecimento;

Uma das realizações mais conhecidas nessa área é a Pesquisa de Emprego e Desemprego, iniciada nos anos 1980 em parceria com a Fundação Seade, do governo do estado de São Paulo, e posteriormente levada para outras regiões do país. Com esse levantamento, o DIEESE contribuiu para inovar as formas de olhar e analisar o trabalho no país, evidenciando os problemas de um mercado de trabalho complexo e desigual. Política de aumento acima da inflação para o salário mínimo. Em 2012, o DIEESE concretizou um dos seus mais ambiciosos projetos, com a Escola DIEESE de Ciências do Trabalho, uma instituição de ensino superior, que oferece o Bacharelado Interdisciplinar em Ciências do Trabalho e cursos de especialização e extensão voltados para dirigentes sindicais e trabalhadores em geral. A Escola é um espaço privilegiado de reflexão e produção de conhecimento sobre o mundo do trabalho.

Fale também de algumas ações que o Dieese implantou ou ajudou a implantar em benefícios dos trabalhadores – e em especial dos bancários – aqui no RS.

Franzoi – A produção de informações para as direções sindicais na sua tarefa de vender o uso da força de trabalho em melhores condições; Implantação da Pesquisa da Cesta básica desde 1977, sendo a Primeira pesquisa implantada fora de São Paulo;

Implantação da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre; Implantação do Piso Regional; Observatório do Trabalho na Cidade de Porto Alegre; Elaboração de Instrumentos de Monitoramento e Análise para a Gestão da Política de Arranjos Produtivos Locais do Rio Grande do Sul; Cartilha de Defesa do Banrisul.

Hoje, qual é a estrutura do Dieese em todo o Brasil e no RS? Quais as maiores dificuldades atuais? E por último: como se pode ajudar?

Somos 17 Escritórios Estaduais, mais o Nacional, situado em São Paulo. Aqui no Rio Grande do Sul somos três técnicos, uma secretária e um pesquisador.

A nossa maior dificuldade atual é a mesma que atingiu o movimento sindical: o financiamento. Precisamos ter mais sindicatos filiados, porque o Dieese é financiado pelos Sindicatos. Nisto, sim, os sindicatos filiados e as assessorias jurídicas poderiam ajudar, disseminando a importância do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Além de ser um órgão produtor de conhecimento, o Dieese constitui um espaço de intersindicalidade e pluralidade único, onde diferentes forças se encontram – o que é fundamental na luta pela manutenção e pelo fortalecimento da democracia brasileira, tão atacada nos anos recentes.

Teremos um papel importante a cumprir na próxima década do século XXI, que deve ser marcada pela aceleração do papel da tecnologia, buscando sempre a redução das desigualdades sociais.

Fonte: Entrevista e Edição Imprensa SindBancários. Fotos: Dieese/Arquivo SindBancários

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