Leite entrega o setor elétrico

Na calada da noite da sessão de terça-feira, 3/7, da Assembleia Legislativa, governador conseguiu aprovar privatizações da CRM, SulGás e CEEE

E ele conseguiu. O governador que passou a campanha eleitoral tergiversando sobre as empresas públicas e as privatizações e que jornais amigos dele chegaram a confessar que ele mentiu, dizendo que ele “ajustou o discurso”, fez o que não disse-mas-disse que ia-mas-ão-ia fazer. Dizendo que ia debater as empresas públicas quando era candidato, o governador Eduardo Leite não só desmentiu-se a si mesmo no Plenário 20 de Setembro da Assembleia Legislativa na noite da terça-feira, 2/7, como mostrou que é uma versão piorada dos governos privatistas e neoliberais que já passaram pelo Palácio Piratini.

Numa sessão que durou quase sete horas, e na calada da noite, como fazem aqueles que só têm coragem de olhar de lado, Leite conseguiu aprovar a venda da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Sulgás. A sessão do plenário da Assembleia Legislativa durou quase sete horas. Os projetos de lei enviados pelo governador foram aprovados por 40 votos a 14, 40 a 14 e 39 a 14, respectivamente. Votaram contra as bancadas do PT, PDT, Psol e o deputado Rodrigo Maroni (Pode).

Risco Banrisul aumenta

O risco Banrisul ser o próximo da fila ficou ainda maior depois da sessão da terça-feira, na Assembleia Legislativa. Não por acaso, os Banrisulenses realizam a partir das 17h, da quarta-feira, na Casa dos Bancários, uma plenária em defesa do Banrisul público.

Desde que o governador Eduardo Leite assumiu e até mesmo quando o antecessor dele era José Ivo Sartori, nós alertávamos sobre a ideologia de privatização. O atual governador faz o serviço que o antecessor não fez, mas tentou. Alertamos que o risco de o Banrisul ser privatizado ficou ainda mais real”, afirmou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Salário de presidente

Faz sentido. Leite trabalhou muito para trazer um executivo com perfil de mercado e, mais especificamente, de uma empresa acostumada e especialista em vender patrimônio público. Fez tanto esforço para tornar Cláudio Coutinho presidente do Banrisul que chegou a aumentar seu salário de R$ 51 mil para R$ 89 mil.

Resistiu, até mesmo, a cinco sessões seguidas na Assembleia e enfrentou a rebeldia de sua base parlamentar por conta da vergonha do aumento abusivo de salários num Estado em crise financeira séria e que atrasas salários de servidores públicos. O deputado Pedro Pereira, do PSDB, partido do governador, fez discursos contra o aumento e não compareceu à sessão que aprovou o nome de Coutinho como presidente do Banrisul. 

E, como convém à sua prática, Leite tentou se esquivar da responsabilidade de que foi ele e não um setor do Banrisul, na Direção Geral, sede do Banco, que aumentou o salário tanto do presidente quanto de outros diretores em até 80%. A máscara do governador começara a cair logo que ele assumiu em 1º de janeiro. Ficou pendurada quando ele apresentou os projetos de venda do setor energético, em fevereiro, depois de se reunir com o ministro da Economia Paulo Guedes, em 4 de fevereiro.

Máscara caiu

A máscara caiu de vez quando ele fez mais um salamaleque discursivo ao anunciar a venda de ações ordinárias, com direito a voto do Banrisul. O fato-relevante confirma a verdadeira face do governador com jeito de bom-moço. Ele pendurou todo o poder do Estado sobre as decisões futuras do Banrisul em uma única ação ordinária ao anunciar intenção de venda de 50% das ações menos uma em junho. Agora estão exposta a sua face mais horrenda: o privatizador e entreguista que nunca deixou de ser. Apenas o disfarce foi ruim.

Leite é um mestre na conversa enviesada. Mas ainda precisa aprender muito sobre o jogo da verdade e da mentira. Ele sabe que os tempos da comunicação de agora fazem as pessoas esquecerem com mais facilidade o que é dito ou feito. Mas a história não se apaga. E, se tem uma coisa que não mudou, é que ela é implacável, pois a mentira costuma ter pernas curtas. Quer dizer, logo ali na frente, a caminhada cansa. Ou o homem pública deixa cansados das suas conversas fiadas.

Assista à reportagem do Seu Jornal da TVT:

Fonte: Imprensa SindBancários

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