Leite culpa Banrisul por altos salários de diretores

Depois de três sessões sem quórum na Assembleia Legislativa, governador consegue aprovar aumentos de até 80% e a nova diretoria do banco público

O governador Eduardo Leite foi pego no pulo do gato ao deixar suas digitais nos aumentos abusivos de salários do novo presidente Cláudio Coutinho Mendes, do Banrisul, e dos demais nove integrantes da nova diretoria do banco em até 80%. Leite tentou aparecer como aquele que obrigou o Comitê de Elegibilidade e Remuneração do Banrisul reduzir salários para R$ 89 mil mensais ao presidente do Banrisul e de R$ 72 mil aos outros nove integrantes da diretoria do banco. Ele tentou sair-se como o herói da aprovação na Assembleia Legislativa, por 31 votos a 15, na terça-feira, 28/5.

O problema desse papel que o governador tentou desempenhar é que ele não é o mocinho dessa história. Ele tenta se eximir da responsabilidade de ser o homem que tentou aprovar os nomes dos diretores que indicou com salários de 128 mil e 104 mil para o presidente e diretores, respectivamente, por três vezes e enfrentou a rebelião até mesmo de sua base na Assembleia Legislativa.

A outra impressão digital do governador ficou no Comitê de Elegibilidade e Remuneração do Banrisul. Se esse comitê aprovou salários de dirigentes do banco foi por obra de Eduardo Leite. Afinal, foi ele que indicou os integrantes.

95 anos de trabalho

Afora o governador do Estado entregar cerca de R$ 35 milhões na mão de uma diretoria que tem especializados (além de funcionários de carreira concursados do banco) e facilitar privatizações ou fatiamento do Banrisul, nos próximos quatro anos, ele vai ter que enfrentar uma dura realidade. Porque ele ficará conhecido como o governador que deu aumento de R$ 48 mil (R$ 51 mil salário atual do presidente + 74,5% de aumento) para o presidente Cláudio Coutinho Mendes. Para os outros nove diretores, o aumento foi de 80% (R$ 40 mil para R$ 72 mil).

Quando comparamos o aumento debatido na mesma sessão do salário mínimo regional de 3,4% (passando para R$ 1.237,15), uma diferença de R$ 41,10, temos uma realidade terrível. Um trabalhador que receba o mínimo regional, na faixa mais baixa, terá que trabalhar 95 anos para receber o que o presidente do Banrisul receberá de aumento (R$ 48 mil) em um ano, considerando o 13º salário.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, reagiu, chamando de “covardia” o que o governador fez para aprovar os altos salários dos diretores do Banrisul. “É uma vergonha o que esse governador fez nesse caso da aprovação da diretoria do Banrisul. Ele ficou três semanas impondo salários astronômicos e agora quer tirar o corpo fora. Um governador de verdade não pode ser covarde e se eximir das responsabilidades. Não pode jogar a culpa em um comitê do Banrisul os altos salários que ele tinha acertado quando indicou o presidente do mercado”, afirmou Gimenis.

A deputada estadual Sofia Cavedon foi à tribuna para criticar a condução do governador nesse caso e chegou a dizer que ele tentou esconder que indicou salários de R$ 128 mil para o novo presidente e de R$ 104 mil para os outros diretores. “Caiu a máscara. Ele não está fazendo redução. Ele está fazendo aumento e salário de 74,5%. Ele não está reduzindo”, afirmou Sofia.

41 reais e 48 mil reais

A comparação do título acima é a mesma que serviu para determinarmos o tempo de 95 anos para que um trabalhador que deve ganhar o piso regional de R$ 1,2 mil e o presidente do Banrisul que vai ganhar R$ 89 mil. O valor de R$ 41 é a diferença do aumento concedido aos trabalhadores que recebem o piso do salário mínimo regional em um mês de trabalho. Os R$ 48 mil é o valor do aumento que o novo presidente do Banrisul, Claudio Coutinho, vai receber 13 vezes em cada ano, contando o 13º salário.

Os trabalhadores vão receber em 13 meses cerca de R$ 550 de aumento, enquanto o novo presidente do Banrisul, de cerca de R$ 500 mil. É mil vezes mais.

Para o deputado Pepe Vargas, a desculpa dada pela base de apoio ao governador é esfarrapada. Por exemplo, não procede o argumento de que houve consulta ao salários de CEOs de sete bancos púbicos e privados para chegar em R$ 89 mil. “Ele veio para administrar um banco público dentro de uma ótica de banco privado e entregar o banco para a iniciativa privada. Entendemos que lucratividade não são só resultados para seus acionistas mas que seja um banco de fomento para o Estado”, apontou Pepe Vargas.

Que vergonha”

O deputado Luiz Fernando Mainardi fez um resumo que não deixa dúvida sobre o papel do governador Eduardo Leite. “O governador mentiu. Que vergonha”!

 

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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