Leite complica estratégias no Banrisul

Votação para nomear nova diretoria emperra na Assembleia Legislativa por causa de aumento de salários de novos diretores, espalha crise pela base aliada, no próprio partido do governador, e já complica decisões de longo prazo no Banrisul

O governador Eduardo Leite se transformou em seu próprio refém na tarde da terça-feira, 14/5, na Assembleia Legislativa. Pela primeira vez na história do Rio Grande do Sul, uma crise sem precedentes se instaurou na porta do Palácio Piratini por causa da liberação dos nomes dos diretores e do novo presidente. Na sessão, a própria base aliada retirou o quórum e não votou a indicação do nome de Cláudio Coutinho Mendes, presidente indicado pelo governador ao cargo de presidente do Banrisul.

Além de sobrar para o caráter ou jeito de governado de Eduardo Leite – ele tem sido chamado de centralizador nos corredores do parlamento gaúcho – o atraso nunca visto nas nomeações do banco púbico se deve ao aumento de salários para o novo presidente do Banrisul e dos outros integrantes da diretoria.

A pedra no sapato do governador atende pelo nome de salários dos diretores do banco. Deputados já dizem abertamente que o salário do presidente passaria dos atuais R$ 52 mil para R$ 123 mil com direito a bônus e outras regalias mais, como passagens aéreas. Aos outros integrantes da diretoria os salários chegariam a R$ 90 mil.

Moradia e passagem aérea

Não por acaso, o deputado Pedro Pereira, do PSDB, o mesmo partido do governador, disparou na direção do Palácio Piratini, onde fica a sua própria trincheira. “É uma piada, uma afronta. É um tapa, um murro na cara de quem trabalha ganhando mil reais. Dizem ainda que eles vão ter direito a moradia e até a passagem aérea”, disparou o deputado.

Não é difícil compreender a sinuca de bico em que o governador se meteu. Ele prometeu salários para “gente do mercado” e agora enfrenta um impasse: pagar um valor alto para profissionais do mercado com perfil de trabalho em empresas privadas que têm em seu currículo especialização em fatiar e vender empresas públicas.

Decisões estratégicas

Pior para o Banrisul. Ou para as decisões estratégicas que o banco precisa tomar. A demora jamis vista para liberar o nome do presidente para o trabalho pode trazer alguns prejuízos no longo prazo. O banco divulgou esta semana lucro de R$ 320 milhões no primeiro trimestre deste ano, 31.1% maior do que o lucro líquido do mesmo período do ano passado.

As decisões de longo prazo costumam definir posicionamentos do banco frente a decisões que tomam como parâmetros comportamentos de concorrentes. Isso, em um mercado “disruptivo” quer dizer, cada vez mais concorrido e em permanente mudança, pode trazer prejuízos futuros ao banco por tomar uma decisão errada agora ou não tomar nenhuma decisão porque se espera a “nova diretoria”.

Uma das empresas que pode sofrer sem que se decida seu futuro no longo prazo é a Banrisul Cartões, onde a concorrência é muito grande como o próprio novo presidente, Cláudio Coutinho disse na sabatina de 24 de abril, na Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, onde os nomes de todos os integrantes da nova diretoria foram aprovados e encaminhados à discussão no plenário, onde tudo emperrou.

Contradição

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, chama a atenção para outra contradição. “O governador já disse que vai vender ações do banco, já acabou com o plebiscito para o setor de energia (CRM, SulGas e CEEE) e agora esse imbróglio do novo presidente já prejudicando a estratégia do banco. Talvez ela tenha se perdido. Ofereceu um salário que não poderia pagar porque seria até imoral na comparação com o que ganha um professor e com o parcelamento. E agora? O novo presidente vai aceitar reduzir salário para assumir?”, questiona Gimenis.

Façamos as contas. Claudio Coutinho pode criar um problema para o governador. Isso porque ele é um homem do “mercado financeiro” e, se houver vendas de ativos do Banrisul, o governador poderá ficar conhecido como o homem que gastou muito dinheiro em salários para aqueles que ajudaram a vender ativos do banco público dos gaúchos.

Os indicados

Para as diretorias da instituição, foram indicados Osvaldo Lobo Pires (diretor de crédito), Raquel Santos Carneiro (diretora jurídica), que já atuaram ao lado de Coutinho no RJ, além de Marcos Vinícius Feijó Staffen (diretor financeiro), Claise Muller Rauber (diretora da área de risco) e Fernando Postal (diretor comercial).

Crédito foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

Fonte: Imprensa SindBancários

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