Leite aposta vidas com a venda do patrimônio público

Governador gaúcho quer se livrar de Banrisul, Procergs e Corsan, com a PEC 280/2019, que deve ir à votação nesta terça, 23/3, na ALERGS, para abraçar a causa do coronavírus e esconder de Bolsonaro que já é candidato a presidente

Quem estivesse no bairro Medianeira, na sexta-feira, 19/3, em Porto Alegre e olhasse na direção de um conhecido crematório percebeu um literal retrato da ameaça às nossas vidas nestes tempos de pandemia. Uma tradicional funerária nas proximidades do Cemitério São Miguel e Almas lançava rolos de fumaça preta nas casas em derredor.

E nem esta tétrica imagem foi suficiente para que o governador Eduardo Leite reconsiderasse sua terrível pauta dos últimos dias. O governador gaúcho deu de ombros às indicações das setas sobre a importância de defender as vidas e manteve sua decisão de abrir o comércio nesta segunda-feira, 22/3.

É claro que a fumaça do crematório acima mencionado teve um motivo: a Fepam fez uma inspeção e constatou que houve uma falha no sistema elétrico que não teria relação com o aumento do número de cremações de vítimas fartais da Covid-19.

Mas a tragédia administrativa comandada por Leite não se resume aos rolos de fumaça de cremação. Ele está fazendo jus à sua identidade de descumpridor de palavra: está prestes a entregar o Banrisul ao leões do mercado financeiro,l depois de dizer que não ia vender o Banrisul na Campanha Eleitoral de 2018.

De um só golpe, Leite quer levar ao Plenário 20 de Setembro da ALERGS o mais depressa possível a liberação do plebiscito para a venda do Banrisul, Procergs e Corsan.

Nesta terça-feira, 23/3, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Assembleia Legislativa, deve votar a PEC 280/19. Sim, aquela que desde setembro de 2019, tramita para retirar a obrigatoriedade do plebiscito, assegurada pelo artigo 220 da Constituição Estadual, para a venda de empresas públicas.

Governador tem pressa e um problema: esconder candidatura a presidente dos eleitores de Bolsonaro

Leite tem pressa. Ele já não consegue esconder que seu maior objetivo nem é mais tirar o Rio Grande do Sul da condição de um dos piores estados em relação ao número de casos de Covid-19 no país e com um dos problemas fiscais mais graves.

A pressa é se livrar dos gaúchos para ser candidato a presidente no ano que vem. É como se fizesse uma bagunça na casa e fechasse a porta, fosse embora sem fazer sequer uma faxina decente.

Mas Leite tem um problema. Ele teme que anunciar-se como candidato a presidente possa desencadear a ira de Jair Bolsonaro. Os ataques de Roberto Jefferson, do PTB, partido do vice-governador do estado, que o digam. https://www.brasil247.com/regionais/sul/governador-do-rio-grande-do-sul-eduardo-leite-processa-roberto-jefferson-por-homofobia

Deus nos livre de Leite. Para obter maioria na Assembleia Legislativa, Leite trata de agradar ao MDB. Transformou um de seus maiores obstáculos à venda do Banrisul na Assembleia Legislativa, o deputado Edson Brum (MDB), em secretário do Desenvolvimento Econômico. 

A moeda é liberar a cabeça de chapa da candidatura ao governo do estado no ano que vem para o MDB. Por enquanto o governador não confirma se vai ser candidato ou não a presidente. Leite é assim: capaz de mentir na Campanha Eleitoral para ganhar uns votos e trair seu próprio eleitorado.

O ex-presidente e atualmente diretor do SindBancários e vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, destacou em artigo recentemente publicado no Sul 21 o DNA privatista de Leite e a conversa fiada que o governador mandou na Campanha Eleitoral de 2018.

Para Gimenis, Leite traiu o povo gaúcho ao trabalhar muito para tirar a decisão sobre a venda ou não do patrimônio do povo por plebiscito sobre a venda ou não de empresas públicas como Banrisul, Corsan e Procergs.

“Governador Leite, o verdadeiro dono das empresas gaúchas, não é o governante de plantão, é o povo gaúcho, portanto, cumpra a nossa constituição, conforme juramento feito no dia da sua posse, e deixe que o povo decida o futuro delas. Não às privatizações! O Banrisul é nosso!”, escreveu Gimenis.

Pressione os deputados estaduais contra a PEC 280 na petição online do SindBancários

Banisulense, a hora é de atenção máxima e a maior mobilização possível para impedir que a PEC 280 seja aprovada na CCJ da Assembleia Legislativa.

Participe. Mande a sua mensagem e faça a sua pressão pelo Dialoga do SindBancários. Sua mensagem cai na caixa de email de cada um dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa.

Entre aqui e assina petição online do Dialoga

Saiba quais são os deputados que integram a CCJ da Assembleia Legislativa

Entenda como a PEC tramita

> Em 10 de setembro de 2019, o deputado estadual Sergio Turra (PP), da base do governo Eduardo Leite, apresenta a PEC 280/2019, com assinatura de apoio de 25 deputados.

> A PEC 280/2019 foi para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para parecer em 4 de outubro.

> Em 15 de outubro, o deputado estadual Elizandro Sabino (PTB) é escolhido relator para emitir parecer sobre a constitucionalidade da PEC 280.

> Elizandro Sabino emite parecer favorável à constitucionalidade em 15 de novembro, mesmo que o presidente da CCJ, deputado Edson Brum, diga que vá votar contra e que a PEC é inconstitucional porque o governador é que deveria apresentá-la.

> Na sessão desta terça-feira, 10/12, da CCJ, o parecer não será lido nem irá à votação.

> Os 12 integrantes da CCJ têm até a quinta-feira, 12/12, ao meio-dia, para pedir preferência e levar a PEC 280 à votação na CCJ na última sessão do ano, terça-feira, 17/12. Para aprovar a PEC 280, são necessários sete votos dos 12 integrantes da comissão.

> O recesso começa em 23 de dezembro na Assembleia Legislativa e vai até 1º de fevereiro. Se não houver pedido para votações de urgência nem sessões extraordinárias, dificilmente a PEC 280 vai à votação em 2019.

> No final da semana passada, a CCJ, da assembleia Legislativa, anunciou que a PEC 280/2019 iria à votação. O passo seguinte é submeter ao todos os deputados em plenário.

Fonte: Imprensa SindBancários

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