Leia artigo do presidente do SindBancários sobre violência bancária publicado na sexta, 16/3, em Gaúcha ZH

Entre a lei e a dinamite

Everton Gimenis

Em três dias, duas cidades do interior foram sitiadas. Seus moradores viveram experiências que mais pareciam um roteiro cinematográfico de terror escrito por criminosos. No dia 6, quadrilha sequestrou ônibus com trabalhadores em Santa Clara do Sul e fugiu com dinheiro de agência bancária. Em Amaral Ferrador, três dias depois, moradores relatam ter contado sete explosões em agência no centro da cidade.

No acompanhamento que o SindBancários realiza desde 2006, surtos de violência bancária indicam que cidades menores são os alvos prediletos. Quadrilhas bem armadas usam explosivos, combinando sequestro e terror. Em 2015, neste mesmo espaço de Zero Hora, alertamos que a soma de muitas tragédias estavam por prenunciar a mãe de todas as tragédias. Sugerimos que o dinheiro dos caixas eletrônicos fosse retirado à noite. Precisamos debater essa proposta com urgência.

O uso de explosivos para arrombar caixas eletrônicos ou cofres viraliza no RS. O levantamento do Sindicato indica que, de 1º de janeiro a 10 de março deste ano, o uso de explosivos cresceu 275%. Foram 22 casos ante oito no mesmo período do ano passado. O medo é que há mais pessoas envolvidas como cordões humanos ou reféns e mais vidas em jogo.

Em dezembro passado, a Assembleia Legislativa aprovou o Plano de Segurança Bancária, de iniciativa do Poder Executivo. Defendemos uma legislação estadual unificada, mas temos questões acerca da fiscalização e do papel da Secretaria de Segurança do Estado. Pedimos, inclusive, audiência com o secretário Cezar Schirmer para tirarmos dúvidas e alertar sobre novo surto de violência bancária.

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2018/03/pagina_23_artigo_zh-1.pdf

Se em 2015 alertávamos para o perigo do uso de explosivos em agências localizadas nos centros de maior concentração urbana e nos andares térreos de edifícios de moradores, agora mandamos uma mensagem ainda mais crítica. As comunidades estão entre a lei estadual ainda não praticada e a dinamite. Basta que os criminosos errem a mão no uso de explosivos para que a estrutura de um prédio fique abalada e o sangue de inocentes manche o chão das comunidades.

As tragédias se agigantam. Uma pessoa foi morta a tiro durante ataque em Arvorezinha em dezembro do ano passado. O tempo acabou para todos nós.

Presidente do SindBancários

 

 

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