Inauguração da sede da Fetrafi-RS reúne história, painel de formação em um novo espaço de luta dos bancários

A história viva do movimento sindical, sobretudo de formação política, ganhou mais um capítulo na sexta-feira, 14/8. Foi nesta data que um grande evento de inauguração da nova sede da Fetrafi-RS fortaleceu a luta de trabalhadores que costumam enfrentar os banqueiros. A história pura do movimento sindical se manifestou por todos os momentos da sexta. Começou com o lançamento da Campanha Salarial dos Bancários ao meio-dia, seguiu com um painel sobre conjuntura política no novo auditório da Fetarfi-RS e culminou com o lançamento do segundo volume da História em Quadrinhos do SindBancários.

Vamos explicar o que significa esta tal de história por todos os lados. O lançamento do livro e a inauguração da nova sede são óbvios. Mas e o painel? Quanto de história tinha? Ali estavam dois homens que ajudaram a construir a moderna história do sindicalismo brasileiro. Os ex-governadores do Estado Olívio Dutra e Tarso Genro são homens políticos com passagem pela luta sindical. O segundo volume da história do SindBancários dialoga com a contribuição de cada um.

Olívio foi presidente do SindBancários, Tarso, advogado. E foram agentes em defesa dos bancários e bancárias em um tempo histórico. Desde os anos 1980, quando a Ditadura Militar emitia seus últimos uivos, os dois lutavam por direitos no Sindicato. A história deles está no livro, no segundo volume, que cobre de 1964 a 2014, período que começa com a proibição da prática política e dos sindicatos, passa pela redemocratização do país (1985) e se encerra com o fim do mandato do ex-presidente do SindBancários, Mauro Salles (2011-2014).

Mas por que havia tanta história assim se fizeram parte da mesa, além dos dois ex-governadores, do presidente do SindBancários, Everton Gimenis, dos diretores da Fetrafi-RS, Arnoni Hanke e Denise Falkenberg Corrêa, dois homens de identidades políticas  formadas na luta por reforma agrária junto ao MST? Ora, o ex-deputado estadual e monge franciscano Frei Sérgio Görgen, e o engenheiro agrônomo e diretor do MST, Adalberto Martins, fazem parte de um movimento que tem ligações históricas com o SindBancários.

Frei Sérgio, durante sua fala no Painel Sobre a Conjuntura Nacional, e o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, lembraram de dois momentos em que a história do Sindicato e da luta por reforma agrária se cruzaram. Primeiro, no dia 15 de agosto de 1990. Neste dia, um confronto entre a Brigada Militar e sem-terra, na Praça da Matriz, por pouco não se tornou um banho de sangue. Neste dia, um policial militar foi morto por um golpe de foice (os responsáveis foram presos julgados e condenados, tendo cumprido pena). “Lembro desse dia como se fosse hoje. Muitos pequenos agricultores correram para dentro da sede do  Sindicato, fugindo dos brigadianos. Se não fosse essa acolhida, muitos agricultores teriam sido mortos”, disse Gimenis.

Frei Sérgio lembrou de outro protesto significativo. Foi lá pelo fim dos anos 1980 que lideranças do MST realizaram duas greves de fome. O motivo era destravar a pauta da reforma agrária. O lugar das greves de fome? Um certo Sindicato na rua da Ladeira, Centro de Porto Alegre. “Me lembro muito bem que a gente foi para a sede do Sindicato dos Bancários  fazer a greve de fome. Recebemos ajuda dos bancários, muita gente foi nos visitar. Alteramos toda a rotina do Sindicato”, lembrou Frei Sérgio.

O atual diretor da Contraf-CUT e ex-presidente do SindBancários, Mauro Salles, contou outro pedaço de história que envolveu os participantes do painel. Lá pelos anos 1980, Mauro foi preso por estar colando cartazes, chamando uma greve ou reunião. O presidente da entidade, na época da prisão, era Olívio Dutra. O advogado do Sindicato que foi tirá-lo da delegacia era Tarso Genro. “Optamos pela linguagem dos quadrinhos porque é uma linguagem acessível a todos, jovens e mais velhos como nós. A história do nosso Sindicato precisa ser lembrada e relembrada para mostrar a importância de termos sindicatos fortes que possam influir na história de um Estado e de um país, como foi o caso do Olívio e do Tarso”, contou Mauro.

Conjuntura

O Painel sobre Conjuntura política começou com uma fala firme do ex-governador Olívio Dutra. Para ele, o Partido dos Trabalhadores (PT) é parte da crise política que se instaurou no país em constante diálogo com a crise econômica internacional. “Estamos vivendo um momento no nosso país e no mundo de uma crise no mundo do capital e no campo social. Temos que compreender esta crise para saber como dela sair. Nós somos parte dessa crise com figuras importantes. Importantes figuras nos levaram a nos tornar semelhantes aos partidos tradicionais”, disse Olívio.

Tarso falou a seguir. Reconheceu razão nas palavras de Olívio e fez um breve histórico de sua geração. Segundo Tarso, as pessoas com 60 anos ou um pouco mais, sua geração, foi apanhada numa luta contra a Ditadura Militar na juventude. O corte democrático subsequente foi da Constituição de 1988. Em todos esses momentos e adiante, o Brasil vive uma disputa entre duas visões econômicas e sociais, do ponto de vista da atuação governamental.

Há a visão que remunera o rentismo, por meio do aumento da taxa de jutos, de políticas de austeridade, fundamentadas na redução do Estado, arrocho dos salários dos servidores públicos e venda de estatais. E uma visão de política progressista, que combate a desigualdade social. “Esse é o enfrentamento do próximo período: combater a redução da capacidade do Estado financiar políticas públicas, como reforma agrária. Este é o significado de austeridade. Temos duas lutas combinadas para desbloquear a radicalização democrática. Uma é democratizar os meios de comunicação e a outra é a reforma política”, explicou Tarso.

Nenhum direito a menos

Como os bancários e bancárias sabem, a sexta-feira, 14/8, foi também de lançamento da nossa Campanha Salarial 2015 no Rio Grande do Sul. A fala do diretor do MST, Adalberto Martins, durante o Painel, precisa ser ouvida como um momento de mobilização e chamado para a resistência e a luta. Na visão de Adalberto, conhecido como Pardal, há dois desafios fundamentais para o próximo período. O primeiro é reunificar frentes políticas de esquerda para unificar a luta. O segundo desafio é a construção de uma ampla frente política capaz de unificar um projeto estratégico de futuro com mais direitos aos trabalhadores do campo e da cidade. “O momento político requer uma reflexão mais ampla do que a pauta corporativa. Somos gratos por tudo o que os bancários  fizeram pelos trabalhadores sem-terra. Nenhum direito a menos”, afirmou Pardal.

A fala de Frei Sérgio preencheu um prazo mais longo da história. Ele ressalvou que é otimista. Disse que se apresenta e se assume como petista e que, mesmo com todos os defeitos dos sucessivos governos do PT, houve avanços democráticos muito substanciais. Frei Sérgio ressaltou a importância da luta e tratou de afastar o pessimismo. É preciso, na sua visão, disputar a narrativa, mostrar para as pessoas que o país está melhor. “Talvez o principal desafio é consolidar o pouco de democracia que conseguimos conquistar. Vamos precisar cada vez mais de solidariedade de classe. A conjuntura é de luta de classes. Sabemos onde estão as nossas trincheiras e onde estão as trincheiras do atraso. Uma dessas trincheiras do atraso é a mídia. A grande mídia é poderosíssima, mas é superficial também”, avaliou Frei Sérgio.

Ao final das falas, os integrantes da mesa vieram para a frente do palco. Todos os diretores da Fetrafi-RS foram chamados. Era o momento de descerrar a placa da inauguração. Depois de quatro anos (a pedra fundamental foi colocada no terreno cujo endereço é Coronel Fernando Machado, 820, Centro de Porto Alegre, em 2011) um prédio imponente com várias salas, auditório para 350 pessoas se estruturou. É mais história que começa para os bancários e bancárias do Rio Grande do Sul. É mais fortalecimento para uma categoria acostumada com conquistas, muitas lutas e muita mobilização.

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER